10 março 2010

Inflação ou Deflação? Parte I


Será Inflação ou será Deflação?
Qual o rumo da presente crise?

A pergunta pode parecer assunto para economistas maníacos. Na verdade, a questão é extremamente interessante, em particular se existem algumas poupanças e o desejo é não perder tudo no meio da crise.

Inflação e Deflação merecem algumas palavras, mais do que podemos encontrar nos clássicos médias.

Começamos com a Inflação.
Em geral a inflação é considerada uma coisa má pelas pessoas que não conhecem a economia mas compram o pão todos os dias. A inflação é de facto uma coisa má porque implica uma subida geral dos preços. Cada mês, cada semana, cada dia...e, em casos extremos, a cada hora os preços sobem.

Em geral, a inflação começa com um excesso da dívida do Estado.

Embora possa não parecer, estando em Portugal, no fim de cada ano o contabilista geral do Estado fecha as contas e verifica se o Estado ganhou ou perdeu dinheiro. Usualmente no final do ano o dinheiro falta, não só em Portugal, e esta falta tem que ser remediada de uma qualquer maneira. É estrutural: o Estado preocupa-se com estradas, escolas e outros serviços que, por natureza, rendem pouco ou nada em termos monetários.

Usualmente, assim, o Estado tem que contrair uma dívida. Não pode ir à falência!

O que faz o Estado devedor?

Fala com o mercado: com os seus cidadãos e com o resto do mundo. Pede dinheiro.

Em troca dá pedaços de papel, do ponto de vista técnico Títulos de Estado. O Estado promete com isso devolver o vosso dinheiro, mais uma quantia pelo incómodo e pela confiança, tudo isso após um determinado tempo. Podemos dizer, para facilitar, após um ano.

Às vezes acontece, por razões imprevistas tais como uma crise económica, que o Estado soma muitas dívidas ao ponto de já não conseguir paga-las nem com os títulos de Estado.

Neste ponto temos várias hipóteses possíveis.

As famosas privatizações, na prática a venda dos bens do Estado a empresas privadas, servem mesmo para pagar uma parte das enormes dívidas.

Ou o Estado pode recusar de pagar e quem tem na mão os títulos fica com simples papel higiénico. Tipo Argentina com os seus Bond.

Ou, ainda, o Estado faz uma coisa facílima. Tenta pagar as dívidas imprimindo notas.
Desta forma o Estado terá todo o dinheiro para saldar as dívidas.

Mas.
Existe um mas.

Se tudo fosse assim simples, imprimir novas notas e ámen, não haveria muitos problemas no mundo. Mas não é assim e é mesmo aqui que encontramos o mecanismo da inflação.
O dinheiro é como as maçãs. O que acontece quando no mercado chegam de repente tantas maçãs? Acontece que o valor dum saco cheio de maçãs desce. Lei da procura e da oferta.

Da mesma forma, quando o dinheiro impresso e em circulação é demais, o valor dum saco cheio de notas...baixa!

E acontece, para acabar, que as empresas têm que pedir mais dinheiro pelos mesmos bens.

Ou seja: sobem os preços.

Esta é a inflação. Uma subida geral dos preços.

A inflação é "má" por vários motivos:
  • porque o pão custa cada vez mais
  • porque o ordenado sobe em medida menor que a inflação, por isso estamos cada vez mais pobres
  • porque as poupanças perdem valor.
Agora, os preços podem subir pouco ou muito no prazo de um ano, mas também dum mês, dum dia ou até em poucas horas.
Quando os preços sobem todos os dias, ou mais vezes num dia só, temos a hiper-inflação. Foi o que aconteceu na Alemanha entre as duas guerras, quando era preciso um milhão de marcos para um kg de pão. Quem tinha na gaveta um milhão de marcos ANTES da inflação...podia ter comprado uma boa vivenda, depois um par de maçãs. Ficou pobre.

E o Estado? Cheio de dinheiro, finalmente pagou todas as dívidas. Antes da hiper-inflação a dívida era insustentável. Com a hiper-inflação a dívida do Estado tem o valor dum saco de maçãs.

Mas se pensarmos bem...o Estado terá pago as dívidas ou desviado a dívida para os seus cidadãos? A inflação, no entretanto, terá destruído o valor do dinheiro que estes tinham na carteira.

Nada mal, não é?
De costume, os cidadãos danados pedem uma resposta forte.
Um homem forte com uma resposta forte.

Na Alemanha, cúmplices alguns atentados islam...ops, comunistas, o povo deu as boas vindas ao Homem Forte, Adolf Hitler.

O qual, é bom lembrar, tomou o poder de forma progressiva e com consentimento.
Mas voltemos ao assunto e façamos um resumo.

Numa hipótese de inflação ou hiper-inflação ter milhões de euros debaixo do colchão é a maneira melhor para perder tudo e depressa. Melhor ter menos dinheiro líquido e apostar nos bens que não são afectados pela inflação, tal como o ouro ou a prata.
Na próxima parte iremos ver a deflação.

A segunda parte está disponível aqui, a terceira aqui.

Ipse dixit!



Fonte: Informazione Scorretta
Tradução: Informação Incorrecta

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