28 de Abril de 2010

As armas gregas

Pausa.

Deixamos que as notícias cheguem e, entretanto, vamos ler o que conta Debora Billi cujas intervenções, no blog Petrolio, nunca são supérfluas.

E falamos de...Grécia!

Calma, nada de ajudas comunitárias ou birras alemãs: desta vez falamos do petróleo grego. Porque no mar da Grécia há petróleo e se calhar não pouco.

A Grécia é lixo. Petróleo e armas não

Oficialmente seriam só 10 milhões de barris. Não muito, de facto. Mas o petróleo do Egeu é causa de conflitos há mais de 20 anos, quando, no longínquo 1987, Grécia e Turquia ficaram muito perto duma guerra.
Desde sempre os dois Países lutam pelos direitos de exploração no Mar Egeu, onde a suspeita é que haja muito mais ouro negro.

Talvez alguém lembre a bonita ilha de Kastellorizo, donde há poucos dias o premier grego fez o apelo oficial para a ajuda à Grécia. Kastellorizo fica muito perto das costas turcas e é a ilha onde os turcos querem retomar a procura para novo petróleo. Os Gregos, no meio da tempestade financeira, declararam que nunca irão permitir uma tal coisa e que os próprios navios de pesquisa irão também à procura de novas explorações.

Bonito problema na altura errada, ou talvez na altura certa, pontos de vista.

Na óptica turca o drama grego é uma linda oportunidade de negócios e na próxima semana o Primeiro Ministro turco Erdogan voará até Atenas com nada menos que 10 dos seus ministros, coisa nunca acontecida antes. E o limite de 6 milhas à volta das próprias ilhas pode tornar-se um boomerang pois a Grécia hoje não pode dizer "não".

Mas não há só petróleo offshore na mesa das grandes oportunidades que oferece um País de rastos. Existem também as armas. Enquanto a UE aponta o dedo contra os gregos gastadores, os mesmos Países pressionam para que a Grécia adquira os favores deles. Como? Com as armas.

A Grécia precisa de tudo e todo, mas não de armas. Mesmo assim, França e Alemanha pressionam para que Atenas possa comprar aviões e navios militares.


Este é Ekatimerini, suplemento do Herald Tribune edição grega, não uma folha qualquer:
Alguns oficiais gregos contam que Paris e Berlim tentam usar a crise para promover contratos de armas ou receber pagamentos enquanto a Grécia tenta reduzir as despesas.

"Ninguém diz compras as nossas armas ou nada de ajuda mas a clara implicação é que eles seriam muito mais amigáveis ao fazer o que desejam no assunto armas.", declarou um consultor do Primeiro Ministro que pediu o anonimato.
A França pressiona para vender 6 fragatas, 15 helicópteros e 40 caça topo de gama. [...] A Alemanha pressiona para obter o pagamento dum submergível eléctrico Thissenkrupp.

O total para a França é de cerca 6 bilhões de Euros, enquanto a Alemanha pede (para um submergível que não funcionou) mais de 700 milhões.

Nos bolsos de quem acabará, então, o empréstimo do Fundo Monetário Internacional? A "salvação" da Grécia é afinal um jogo para favorecer os mesmos do costume?
(Fonte: Petrolio)

Acaba com esta pergunta o post de Petrolio.

A ser verdade (e a fonte é de todo o respeito) esta notícia é...bah, cada um pode preencher o espaço com o adjectivo que achar mais apropriado.
Mas é impressão nossa ou destas coisas não se fala nos jornais? É normal: nestes dias circulam números bem maiores: 45 bilhões, 120 bilhões...lógico que uns miseráveis 6 bilhões (mais o troco alemão) passem despercebidos.
Pena, não é?


Ipse dixit.

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