Funcionou?
Parece que sim. Mas para ter a certeza será preciso esperar.
Potentes meios da BP: em menos de um mês, e depois de ter poluído dezenas de milhares de quilómetros quadrados, a petrolífera conseguiu finalmente tapar o buraco.
Vamos com ordem.
Corriere della Sera:
Funcionou
Segundo o almirante da Guarda Costeira, Thad Allen, coordenador de contenção da mancha, os técnicos conseguiram injectar líquidos de alta viscosidade suficiente para travar a perda de óleo e gás. O derramamento de óleo foi então suspenso: o próximo passo é conseguir pressão zero na boca do poço e selá-la com cimento. O almirante ressaltou que ainda é "muito cedo para declarar vitória." A BP é ainda mais prudente, afirma que as operações prosseguem como planeado, mas não devemos tirar conclusões precipitadas. "É tão difícil como esperávamos - disse o director geral Robert Dudley -. Saberemos mais na noite de quinta ou sexta-feira."
E se não funciona?
A operação "Top Kill" para fechar o poço de petróleo no Golfo do México "não tem nenhuma garantia de sucesso". O duche frio de Barack Obama chega a 24 horas desde a grande operação para tentar fechar o buraco que desde 21 de Abril permite a saída de petróleo ao largo da costa da Louisiana. Esta é uma operação muito grande - diz o presidente numa conferência de imprensa no Salão Leste da Casa Branca - em que "os erros são possíveis: esperamos o melhor, mas estamos prontos para o pior." Em seguida, reiterou que a British Petroleum "é responsável por este desastre horrível e tem que pagar cada cêntimo do prejuízo que causou". Cai também a primeira cabeça: Elizabeth Birnbaum, director da Minerals Management Service (MMS), a agência que dá luz verde a perfuração em busca de petróleo e que ignorou em várias ocasiões os avisos de riscos ambientais.
Como funciona
A operação "Top Kill" exige que a lama seja pressionada a alta pressão na cabeça do poço, abaixo do buraco e do blowout preventer (um dispositivo que impeça vazamento de óleo em caso de acidente; dispositivo que não parece ter funcionado tão bem... NDT)), a uma taxa de 65 mil barris por minuto. A pressão do petróleo em saída deveria inicialmente empurrar a lama para cima para força-la a sair com o mesmo petróleo, mas com o aumento do fluxo a lama deve ser capaz de bloquear a fuga, permitindo o posterior encerramento do buraco com cimento. O principal risco da operação é que as partes mais frágeis do blowout (já danificado) podem não resistir devido às altas pressões e gerar uma segunda falha.
Enquanto isso, no Golfo do México os navios que participam na bonificação foram retirados por motivos de precaução, após quatro marinheiros terem manifestado problemas de saúde. Estes, a bordo de três dos 125 navios que compõem a frota de socorro, sofreram de náuseas, tonturas, dores de cabeça e dores no peito. A mancha de petróleo poluiu um trecho de costa de 160 km e a área onde a pesca é proibida foi estendida para mais de 20 mil quilómetros quadrados.
Só para ter uma ideia: é a mesma superfície de Israel ou da Eslovénia. É como se metade da Suíça ficasse fechada.
Entretanto a BP alerta: o poço pode ficar fechado ao longo de alguns anos, mas não será para sempre. Vão ser precisas outras medidas.
E sobra um pequeno pormenor: como retirar todo o petróleo que flutua sobre o mar, gozando do quente sol das Caraíbas?
Calma, um problema de cada vez...
Ipse dixit.
Fonte: Corriere della Sera,

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