27 de Maio de 2010

Os cortes dos outros

O termo utilizado é "ajustamento". Mas lê-se "corte".

É esta a medida implementada em vários Países da União Europeia: Grécia, Portugal, Espanha, Alemanha, França. E agora Italia e Grã Bretanha.

Vamos ver os detalhes:

Italia: evitar o pior

No meio do colapso geral das bolsas de valores e dos mercados financeiros mundiais, a Itália e a Grã-Bretanha juntam-se aos planos de "ajuste selvagem" que o FMI e a BCE  pedem aos Estados europeus para "refinanciamento" das suas dívidas e evitar uma falência em cadeia do sistema financeiro.

A Italia juntou-se na Terça-feira ao clube europeu de operações económicas, reduzindo o seu orçamento com salários, gastos e planos de assistência social, o que terá um impacto sobre os trabalhadores e a massa menos protegida da sociedade italiana.

As medidas vão reduzir a negociação no sector público e congelar os salários durante três anos, atrasando a idade de reforma dos funcionários públicos e reduzindo o financiamento para os governos locais, de acordo com informações do próprio Governo italiano.
Os municípios e as regiões estarão sob pressão para contribuir com 5.800 milhões de Euros de cortes nas despesas em 2011-2012, que podem afectar escolas, hospitais e manutenção das estradas.

A despesa do sistema de saúde pública será objecto de controlos rigorosos, e o Governo procurará reduzir a evasão fiscal, ao declarar ilegais as transacções de mais de 5.000 euros em dinheiro.

Dando a impressão de que os sacrifícios "são para todos", como o presidente Giorgio Napolitano pediu, as medidas incluem cortes nos salários e nos bónus dos ministros, parlamentares e dirigentes do sector público.

"Vai ser difícil, com grandes sacrifícios", disse Gianni Letta, subsecretário da Presidência do Estado e braço direito do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Depois de ter contado por meses aos italianos que as finanças do país estavam imunes a uma crise semelhante à grega, o governo optou por apresentar isso como uma manobra preventiva para "evitar o pior."


O pacote, que o ministro da Economia Giulio Tremonti vai apresentar em detalhe quando o gabinete se reunir para aprovação, visa reduzir o défice em cerca de 26 bilhões de euros em dois anos, com cortes de 13 bilhões de euros em 2011.
"O governo deve tomar essas medidas para salvar o nosso País de um risco como o grego", disse Letta, que fez estas declarações antes de saber que a confiança do consumidor está nos mínimos anuais.

Grã Bretanha: poupar agora, gastar depois

As medidas no Reino Unido foram anunciadas na Segunda-feira pela nova coligação de conservadores e liberal-democratas.
Será 7.260 bilhões de Euros e vai tentar reduzir um deficit de 181 bilhões de euros, o mais elevado da UE, e já colocou os sindicatos em alerta.

As reduções mais graves afectarão o Departamento de Inovação dos Negócios (BID), com um corte de 970 milhões de Euros durante o exercício em curso. Os cortes atingirão 243 milhões mais do que o esperado.

Com sérias resistências entre os deputados, o Partido Liberal Democrata obteve que os Tories usassem 150 milhões de cortes nos 50 mil novos postos de trabalho de aprendizagem e  50 milhões nas instituições de ensino superior.

As medidas mais duras serão nas organizações semi-governamentais que sobrevivem com o apoio do Estado, em projectos de informática e de recrutamento de funcionários públicos, congelados da mesma forma que a publicidade oficial.
Os maiores cortes serão de 793 milhões no Departamento de Transportes; 405 milhões nas comunidades e nos governos locais, 778 milhões na educação e 621 milhões no Trabalho e Pensões.

As administrações da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte vão receber menos 704 milhões.
"Temos de parar o deficit de modo que as nossas dívidas não formem uma espiral fora de controle. E mais fazemos agora, mais será possível gastar em coisas importantes nos próximos anos ", prometeu o chanceler Osborne, um milionário por herança.

O anúncio dos cortes foi recebido com uma vaga de protestos. Alistair Darling, disse que havia falta de detalhes. "Pode haver milhares de empregos afectados por isso, existem medidas que podem prejudicar o crescimento. Estou muito, muito preocupado com isso", afirmou na sua primeira reacção.

Os sindicatos britânicos já manifestaram a própria preocupação e estado de alarme. "Com a economia do Reino Unido e dos nossos parceiros europeus tão frágil, não é o momento certo para estes cortes", afirmou Brendan Barber, secretário-geral do potente TUC.

A CBI, que reúne a indústria, aplaudiu as medidas que descreveu "como dolorosas, mas necessárias."
Segundo os cálculos dos especialistas, essas medidas são apenas o começo. Os cortes mais brutais, dizem, chegam em Junho, quando será apresentada a nova manobra financeira.

Fonte: IAR

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