E agora leiam as declarações deste senhor:
Jornal de Negócios:
A confiança na economia Zona Euro piorou inesperadamente em Maio num período em que a crise orçamental europeia penalizou os mercados.
O índice da confiança dos consumidores e dos executivos na Zona Euro caiu para 98,4 pontos de 100,6 pontos em Abril, segundo os dados da Comissão Europeia divulgados hoje em Bruxelas. A média de 25 estimativas de economistas compiladas pela Bloomberg apontava para que o índice ficasse nos 100,6 pontos.
Foi hoje divulgado também que os preços cobrados aos consumidores cresceram 1,6% em Maio, face ao mesmo mês do ano passado, ficando aquém das estimativas que apontavam para uma inflação de 1,7%.
“Não houve um dia nas últimas semanas, sem um relatório acerca da crise grega, acerca das quedas do mercado de acções ou a possibilidade de uma recaída económica, o que está tudo a pesar no sentimento”, disse o economista do ING Group em Bruxelas, Carsten Brzeski à Bloomberg. “Por outro lado um euro mais fraco é positivo para as exportações e as industrias estão a dar-se muito bem. É uma história puramente psicológica".
A confiança dos consumidores caiu de 15 pontos negativos em Abril para 18 pontos negativos em Maio, segundo o relatório da comissão. Nas indústrias do retalho, construção e serviços, a confiança também desceu. A confiança entre os profissionais da produção industrial cresceu de seis pontos em Abril para sete pontos em Maio.
A confiança piorou inesperadamente. Disse mesmo isso: inesperadamente.
Está tudo bem, são os Europeus que não percebem. Querem a prova? A industria está a dar-se muito bem com o Euro fraco.
Afinal qual o problema?
Anedotas como a crise grega, as quedas dos mercados e a possibilidade duma recaída económica acabam por pesar no sentimento o que, temos que concordar, não faz sentido.
E mais: é uma história puramente psicológica.
Não são os mercados que vão mal, não são as manobras de emergência adoptadas por muitos governos para travar uma dívida pública descontrolada, não são os 9,6 milhões de Dólares que os contribuintes ocidentais entregaram (de graça) aos bancos, não é o acréscimo de 7,2 milhões de desempregados.
Nada disso, somos nós que temos problemas psicológicos, parece bastante evidente.
Você mesmo que está a ler este blog, você tem problemas psicológicos. E não seria mal pensar numa visita.
Ficou desempregado e não tem dinheiro para um especialista? Ligue a televisão e siga uma novela, O Preço Certo, As Tardes da Júlia ou o programa de Fátima Lopes: as melhorias serão rápidas e, provavelmente, permanentes..
Esqueça os problemas, pense positivo. Como Carsten, por exemplo.
Pois é esta a nossa sorte: saber que há pessoas como ele que pensam para nós. Aliás, é difícil perceber como a Europa possa encontrar-se no meio duma crise sistémica sabendo que em Bruxelas trabalham pessoas como Carsten.
Fonte: Jornal de Negócios

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