28 de Maio de 2010

Os protagonistas - parte I: Pigs, Piigs & EUA

Um bom artigo de Bimbo Alieno acerca do relacionamento entre PIGS (ou PIIGS) e Estados Unidos.
Ambos têm problemas, mas é possível uma comparação entre o gigante americano e a economia dos pequenos Países europeus?

PIGS ou PIIGS?
Mas é possível que acabe ali? Estamos tão certo que outros lugares do mundo merecem uma consideração tão diferente?
Por exemplo, o Reino Unido merece um AAA ou melhor, mereceria um Ah Ah Ah?

E os EUA ainda podem ser considerados um "porto seguro"? Fazemos as coisas em grande e tentamos analisar os números correctamente.
Comparando os EUA com cinco PIIGS começamos com uma lista de vantagens objectivas para a economia Stars and Stripes:
  • A gestão monetária directa
  • A política fiscal centralizada
  • A capacidade militar
  • O papel de liderança na economia mundial
  • O dólar é a moeda de reserva do mundo
  • O dólar é a moeda de troca internacional

Podemos dizer que esses elementos são o pano de fundo. Acima deste pano acrescentamos alguns números:


Como é possível ver na tabela, os números de dívida e deficit em relação ao PIB não são tão diferentes no E.U.A. em relação ao grupo dos PIIGS (e não devemos esquecer que a Espanha ainda é um AAA para algumas agências de rating e AA + para outras).

O que não é tido em conta neste tipo de rápida reflexão, mas que é bom considerar, é o que é possível observar na terceira coluna: o impacto da despesa pública no PIB.
Este coeficiente mede a força da economia de um País, por causa da sua dependência em relação a "mão" pública. Ou seja, o impacto que teria a acção dum Estado que está enfrentando uma emergência: está neste parâmetro a maior solvência EUA.

Neste particular momento histórico de corte global de despesa pública para "cuidar" dos deficit, parece claro que o impacto sobre o PIB dos EUA será menor em termos relativos de quanto pesará sobre o PIB dos PIIGS, onde o crescimento ficará mais deprimido e será mais fácil mergulhar numa nova recessão.

Todavia, há ainda algumas coisas a acrescentar: a despesa pública no PIB dos EUA alguns anos atrás (2000) era de 18%, e a reforma sanitária em curso, com o maior peso fiscal que irá resultar, ainda deve fazer subir este valor, reduzindo progressivamente a qualidade da capacidade de reembolso americana.

Então, talvez o argumento seja prematuro (e muitas vezes um pouco tendencioso), mas aqueles que criticam o rating AAA dos EUA não estão totalmente errados.

Fonte: Bimbo Alieno

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