30 de Maio de 2010

Salários públicos e privados na União

Salários públicos e privados. Há diferencias? Pelos vistos muitas.

É justo? Claro que não. Mas grandes diferencias implicam outros problemas além da justiça social:

A crise financeira acelerou o calendário para a consolidação das finanças públicas em todos os países industrializados, começando com a Grécia. A escolha dos cortes para ser actuados não são fáceis. É possível começar por itens de despesas que têm crescido mais nos últimos dez anos. A remuneração dos dependentes públicos aumentou em todos os Países da zona Euro, muito mais dos que aconteceu com os trabalhadores do sector privado. Na média da eurozona os salários públicos cresceram 36% em dez anos, contra 24% dos privados um aumento dos preços ao consumo de 24%. Em alguns Países, a diferença foi particularmente alta, especialmente onde a dívida cresceu mais. Na Grécia, por exemplo, entre 1998 e 2008 os salários públicos aumentaram 109% - em outras palavras, mais do que dobrou - em comparação a 62% do sector privado, embora um aumento global do nível de preços de 39% .

Os outros Países onde existem diferencias elevadas entre as dinâmicas salariais são - por coincidência - os actualmente monitorizados pelos mercados financeiros. Na Irlanda os salários públicos aumentaram 111% na última década em comparação com o 60% dos privados; em Portugal 58% contra 35%, Espanha 53% contra 30%. A dinâmica dos salários contribuiu de forma decidida para a deterioração das finanças públicas. Se durante a década, os salários públicos tivessem sido aumentados em consonância com os privados, o deficit orçamental na Grécia no ano passado teria sido inferior de 3 pontos no rácio com o PIB. Se, além disso, o emprego público não tivesse subido (cerca de 7% no total), o deficit seria hoje menor dum outro ponto percentual. Globalmente, a dívida do governo grego seria menor em cerca de 25 pontos percentuais no rácio com o PIB (de 115% em 2009).

Em outras palavras, se o sector público se tivesse comportado como o sector privado, a Grécia seria muito menos vulnerável e provavelmente não teria sofrido a crise que enfrenta. Não é apenas um problema de finanças públicas. Uma dinâmica salarial excessiva criar distorções no mercado de trabalho e contribui para uma perda de competitividade da inteira economia, que se traduz numa maior inflação e num desequilíbrio dos pagamentos com o exterior. Realinhar o sector público é, portanto, não só útil para as finanças públicas, mas também para melhorar a eficiência e o potencial de produção do País. É também uma questão de justiça, dado o maior grau de protecção de que gozam os empregados do sector público. Não é por acaso que, após a eclosão da crise financeira, em todos os Países acima mencionados tenham sido tomadas medidas para conter os salários no sector público.

Fonte: Corriere della Sera

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