| Ronaldo ontem, numa das suas acções mais imperiosas |
Duas desgraças.
A primeira, a mais grave sem dúvida: Portugal afastado do Mundial de Futebol. A segunda, menos importantes: queda abrupta das Bolsas.
A notícia grave
No primeiro caso podemos falar de azar e injustiça: após ter obrigado Espanha a jogar fechada no seu meio-campo ("seu" de Portugal, óbvio), após ter rematado inúmeras vezes (2 no total), após ter gasto uma fortuna no gel de Ronaldo (cujo peso limitou os movimentos do jogador ex-melhor do mundo), os Lusos capitularam por culpa duma vetusta lei do futebol segundo a qual ganha o jogo quem marcar mais golos.
Agora a defender o honor lusitano sobrou só o Brasil. Força Escretes!
As notícias menos importantes
O segundo caso, pelo contrário, é muito mais simples.
O mercado é frágil (e este é um elegante eufemismo), pelo que são suficientes algumas notícias um pouco menos positivas para que as Bolsas entrem em sofrimento.
Quais foram estas notícias?
Em verdade não são coisas assim importantes, mas sabemos como são os investidores: têm medo de tudo e mais alguma coisa.
Notícia nº 1: Consumidores americanos desconfiados
É muito esquisito. Estamos no meio duma fulgurante retoma económica e os cidadãos dos Estados Unidos que fazem? Perdem a confiança.
O índice de confiança dos consumidores compilado pelo Conference Board caiu abaixo de todas as expectativas: de os 62,7 pontos em Maio para 52,9 pontos em Junho.
As previsões eram de uma queda suave, mais ou menos 62,5 pontos.
Tudo isso é muito injusto: se já estão desconfiados agora, o que vão fazer na próxima Sexta-feira ao ver os dados relativos à ocupação? Breve antecipação:-100.000 empregados e taxa de desemprego na ordem do 9,80%.
Notícia nº 2: o BCE fecha as torneiras
O Banco Central Europeu anuncio o fim do programa LTRO, com o qual os contribuintes do Velho Continente financiaram ao longo dum ano o portfolio os Títulos dos Bancos.
Como? Não sabiam de estar a financiar os bancos? Acontece, sobretudo quando os media não falam de certas coisas.
Mesmo assim os bancos vêm nessa decisão uma enorme injustiça: ao longo de um ano as instituições financeiras adquiriram no mercado valores que a seguir foram dados em garantia ao BCE para financiar-se, lucrando com a diferença entre a taxa de juro (1%) e a dos títulos comprados.
Agora acabou a festa e os bancos, justamente, perguntam "Mas como? Não vivemos num sistema capital-comunista, com a socialização das perdas mas não dos lucros? Então porque o BCE acaba com este jeitoso joguinho?".
O que é verdade. Neste aspecto a decisão do Banco Central não faz muito sentido: pretender que a partir de agora os bancos privados trabalhem sem a ajuda dos contribuintes europeus significa voltar atrás, ao tempo em que as empresas privadas arriscavam o próprio capital num livre mercado. Um autêntico anacronismo. E a Bolsa sofre.
Notícia nº 3 (várias): a China cresce menos e os bancos espanhóis ficam tristes
O índice dos indicadores económicos avançados da China subiu 0,3%, em Abril, ganho inferior a quanto reportado no dia 15 de Junho. Paralelamente, na vizinha Espanha os bancos ficaram triste: o fim do programa do BCE para eles não significa o fim da festa mas o regresso dos medos. Jornal de Negócios:
Em declarações ao “Financial Times” e sob anonimato, os responsáveis da banca espanhola classificam esta postura do BCE de “absurda”, uma vez que o mercado interbancário não está normalizado.De facto, acrescentamos nós, estamos a falar duns miseráveis 452 mil milhões de Euros que os cidadãos europeus seriam bem felizes de poder continuar a pagar.
A ministra das Finanças espanhola, Elena Salgado, já apelou ao BCE para que tenha consciência das necessidades de financiamento da banca e renove este programa de refinanciamento a 12 meses, que expira esta semana.
A notícia mais ou menos boa
Hoje as Bolsas estão a recuperar (pelo menos até agora). Mas atenção: os analistas apontam para uma tendência negativa, em particular na área bancaria e da construções.
Continuamos a seguir a evolução dos mercados. E os toques de Kaká também.
Ipse dixit.
Fonte: Jornal de Negócios
Fotografia: Jornal i
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