Como é a situação em Europa?Coerente. A Europa está em crise e os cidadãos europeus sentem que a Europa está em crise.
Este é o resumo do inquérito realizado pela União Europeia que, com o serviço Eurobarómetro, informa acerca do óbvio.
Não faltam pensamentos profundos, frutos dos espantosos resultados do inquérito: a pobreza é um problema e a "actual crise económica e financeira agravaram ainda mais a situação". Quem diria?
Mas é nas entrelinhas que este relatório ganha importância: Eurobarómetro é um produto da Comissão Europeia. E a difundir estes resultados, a União reconhece que a situação é grave, muito grave.
Além das declarações de optimismo das mentes pensantes de Bruxelas, além dos triunfante resultados dos sterss-test, o que conta são os dados: e agora a Comissão difunde os dados. E não há razões para sorrir.
No final do artigo de IAR Noticias, alguns dados acerca de Portugal. Para sorrir ainda menos.
A pobreza e o desemprego na Europa: A UE planeia mais ajustes
Como resultado da fraca recuperação da economia e do efeito de contágio da crise fiscal através de seus principais membros, a União Europeia vive o pior momento desde o seu nascimento e o perigo de desintegração e de quebra da sua moeda ocupam o centro do debate. Neste cenário, a UE propôs medidas adicionais "crise", e França e Alemanha, duas potências industriais, exigem o aprofundamento da disciplina fiscal. Os peritos podem ver mais desemprego e o agravamento da pobreza.
Alemanha e França enviaram na passada quarta-feira propostas comuns para reforçar as regras sobre a disciplina orçamental, disse o ministro da Economia francesa Christine Lagarde.
"Assinámos uma carta dirigida ao Sr. (Hermann) Van Rompuy, incluindo uma proposta conjunta da França e da Alemanha para melhorar a governação económica e reforçar o pacto de estabilidade", disse numa entrevista conjunta com o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.
Schaeuble, o primeiro membro de um governo estrangeiro que assiste ao Conselho de Ministros francês, disse estar convencido de que o reforço da disciplina orçamental e os testes de stress dos bancos em toda a UE irão restaurar a confiança no Euro.
Os ministros da Economia e Finanças dos 27 Países da União Europeia (Ecofin), na recente reunião em Bruxelas, debateram, entre outros temas, novos pacotes "anti-crise".
Neste contexto, vários especialistas apontam que a UE irá superar a crise apenas após o colapso da Zona Euro.
Os burocratas europeus sempre lembram que a UE é um projecto político, e que é preciso consolidar a maioria dos Países europeus para evitar que se repita o cenário da Segunda Guerra Mundial.
De acordo com o Wall Street Journal, o impacto da crise irá afectar os governos em Berlim, Paris e Madrid, e vai também influenciar a popularidade do italiano Silvio Berlusconi, conhecido como o líder de "teflon".
O presidente francês, Nicolas Sarkozy perdeu dois secretários de Estado - com papel de Ministros - acusados de desperdiçar dinheiro público, na altura em que perdeu o apoio no meio duma desaceleração económica e das medidas de austeridade.
A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, tentar mudar a convicção crescente que o seu governo, eleito no ano passado, está dividido e sem rumo. E o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, está imerso em impopulares cortes no orçamento sem uma maioria estável no Congresso.
Diz Jan Techau, analista de política internacional no Colégio de Defesa da NATO em Roma:Todos esses governos são forçados a fazer cortes impopulares por causa da crise financeira internacional que está além do controle das autoridades nacionais, e que prejudicam a imagem do governo
Neste cenário, de acordo com o Eurobarómetro, predomina a percepção de pobreza generalizada e o crescente medo de perder o emprego.
Como resultado da crise financeira e dos planos de ajustamento para a reestruturação da dívida, a capacidade de consumo da maioria começa a sofrer.
De acordo com as últimas pesquisas, um em cada seis Europeus chegar com problemas ao final do mês, lutando para pagar as contas de serviços como electricidade, água, aquecimento, e até para encher o carrinho das compras. 60% pensam que aumentou a pobreza no próprio País ao longo do último ano, 30% dizem que têm dificuldade para pagar as despesas médicas.
São os dados revelados pelo último inquérito Eurobarómetro, realizado pela Comissão Europeia sobre o impacto que a crise económica está a ter nas famílias europeias.
2010 é o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.
A Comissão Europeia desde Junho de 2009 analisa a percepção que as pessoas têm sobre a actual crise causada pelos orçamentos "em vermelho" e pelos cortes na despesa pública para reduzir os salários.
Os resultados indicam os efeitos da crise e dos programas de ajustamento para os cidadãos da Zona Euro.
Segundo a pesquisa, há uma percepção da pobreza generalizada, que alimenta temores dum futuro sombrio. Até 85% dos Gregos considera que a pobreza aumentou no próprio ambiente, o mesmo pensa 83% dos Franceses, 82% dos Búlgaros, 77% dos Romenos, 75% dos Italianos.
Na Bélgica esta percentual cai para 49%. Lasza Andor, Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Integração da UE, disse no relatório que
os resultados confirmam que a pobreza é um dos maiores problemas da UE, que a actual crise económica e financeira agravaram ainda mais a situação. A crise está a ampliar-se e uma percentagem significativa de Europeus têm dificuldades para fazer face às despesas.O Comissário para o Emprego indica que o desemprego está a aumentar em toda a União Europeia, agora mais de 23 milhões de Europeus estão desempregados, mais de 10% da força de trabalho. Em alguns Países, como Espanha, esse número está mais próximo de 20% e entre os jovens afecta quase 40%.
O inquérito revela que o medo é o sentimento mais comum entre os cidadãos da Zona Euro.
Têm medo de não ser capazes de fazer face às despesas, não sendo capaz de enfrentar as despesas básicas e a perda de emprego, um sentimento que sente um em cada três Europeus.
Esta percepção aumenta até 73% na Grécia, 68% Espanha, 63% na Itália e 62% na Irlanda, os Países mais afectados e onde o mercado de trabalho deteriorou-se mais rapidamente.
Além disso, poucos confiam no mercado de trabalho, porque metade deles acreditam que, em caso de despedimento, é "pouco provável" ou "muito improvável" voltar a ser assumidos nos próximos seis meses.
A pesquisa também revela o medo do futuro. 54% dos Europeus temem que a própria reforma não lhes permita viver com dignidade e 73% que será menor do que esperavam ou que chegarão à reforma mais tarde.
Por outro lado, a crise financeira contagiosa e os ajustes selvagens, que fazem explodir a emergente resistência sindical e a convulsão social, por sua vez são alimentados pelos dados negativos da recuperação económica na área do Euro.
De acordo com o último relatório da Comissão, as perspectivas económicas nos 16 Países da Zona Euro agravaram-se em Fevereiro pela primeira vez em quase um ano, mais um sinal do que a recuperação económica perdeu força.
A economia da UE em 2009 caiu 4%, o pior dado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A produção industrial caiu 20%, levando a estrutura industrial Europeia à situação em que estava em meados dos anos 90 do século passado.
Actualmente existem 23 milhões de Europeus desempregados, mais 7 milhões só nos últimos 20 meses, e o desemprego vai continuar a crescer segundo todas as estimativas.
8% da população europeia tem um emprego que não permite sair da pobreza e 80 milhões de pessoas vivem apenas no limiar da pobreza.
Apesar dos anúncios de recuperação, a produtividade económica está com fome e torna o crescimento estrutural europeu dois terços menor do que nos Estados Unidos.
Os deficit públicos regionais já atingiram uma média de 7% do PIB, contra o limite de 3%, que impôs o Tratado de Maastricht. E a dívida sobe até 80%. Os bancos continuam a não emprestar dinheiro como antes da crise, impedindo o normal funcionamento das empresas.
Esses números mostram o declínio e o colapso no qual parece ter entrada a União Europeia.
Fonte: IAR Noticias

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