27 de Julho de 2010

Outono, é tempo de matar

Beirute após intervenção israelita
Quem será a primeira vítima de Israel? Irão ou Líbano?

Provavelmente o Líbano. Ventos de guerra nas costas do Mediterrâneo segundo os observadores.
Quando? Outono. Está mais fresquinho, mata-se melhor.
Em Tel Avive a paz é provavelmente interpretada como "aquele período após um conflito no qual há um curto espaço de tempo para preparar um novo conflito". 

Será esta uma boa ocasião para Israel "aquecer os motores" antes do choque maior? Assim parece.

Relata Eurasia:

Em três semanas os sinais de alerta têm proliferado no Líbano, e a tensão tem aumentado significativamente.

Primeiro houve a intrusão dos soldados franceses da Unifil (United Nation Interim Force In Lebanon) que, a pedido de Israel, tentaram invadir as casas dos supostos membros da resistência para sequestrar armas. O povo rejeitou-os com pedras e paus, ferindo dois soldados. A questão foi levantada no Conselho de Segurança da ONU. Como essas invasões tinham sido ordenadas pelo Ministro da Defesa francês, Herve Morin, a França pediu desculpas atravesso da voz do Secretário-Geral da Presidência, Claude Guéant.

Para evitar a reincidência, os Hezbollah colocaram cartazes em francês para os soldados franceses: "A mão que toca as armas da resistência será cortada."

No dia 10 de Julho, o exército francês realizou uma grande exercitação para evacuar os próprios cidadãos.

O Tribunal Especial para o Líbano, que foi estabelecido pelo Conselho de Segurança como instrumento político contra a Síria, retirou o impeachment do presidente Bashar al-Assad, e do ex-presidente libanês, Emile Lahoud, pois todas as evidências contra eles foram desmentida ao longo do tempo. No entanto, o Tribunal poderá emitir, em Setembro ou Outubro, uma acusação. De acordo com Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, o Tribunal tornou-se um instrumento político contra a Resistência. Estaria perto de lançar novas acusações estranhas como as anteriores, mas desta vez contra Hezbollah. Esta manobra destina-se a causar divisões no País, e abrir o caminho para um novo ataque militar israelita.

Em Washington, o Centro Saban  (Brookings Institution) e o Council on Foreign Relations publicaram dois relatos contraditórios. O primeiro convidam a deixar qualquer margem de manobra para Israel. O segundo propõe ao contrário que a Administração Obama pressione o governo Netanyahu antes, durante e após o conflito, para limita-lo. Estes documentos devem ser interpretados no contexto da rivalidade de comando, que há meses opõe Tel Aviv e Washington. Além disso, ambos os estudos partem da convicção que Israel está determinado a vingar-se do Líbano e que ninguém pode dete-lo.

Maura Connelly foi ouvida em 20 de Julho pelo Senado para confirmar a nomeação como embaixadora em Beirute. Fica posicionada na linha definida pelo negociador especial George Mitchell: os Estados Unidos devem deixar de lutar frontalmente contra Hezbollah, apoiado pela maioria da população, mas isola-lo. Em outras palavras, Washington deve fingir de interpretar a guerra israelita contra o Líbano como uma operação policial contra Hezbollah, e não intervir abertamente.

Finalmente, Mahmoud Abbas, o presidente de facto da Autoridade Palestiniana, enviou uma mensagem aos palestinianos no Líbano, pedindo-lhes para não deixar os campos de refugiados durante a guerra anunciada no Outono. Estas instruções correspondem aos pontos de acordo com Washington. Qualquer tentativa de usar os palestinianos (maioria sunita) Hezbollah (xiita) é contra-produtivo para os interesses dos EUA no Líbano, e poderia ter efeitos adversos a nível regional.

Fonte: Eurasia

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