Ontem primeiras páginas nos jornais e aqui nada?
Bom, admitimos: a ideia era ignorar os testes. Porquê? Porque inúteis.
Os stress-test forma uma manobra político-económica no tentativo de acalmar os mercados e dar confiança. Nada mais.
Os resultados não foram surpresa para ninguém: só sete bancos chumbados, incluindo Hypo Real Estate (e já se sabia), mais cinco caixas de poupança espanholas (de facto Madrid nas últimas semanas tem forçado muitos bancos de poupança a fundir-se para evitar uma catástrofe) e UM, repetimos UM, banco grego.
Portugal? Italia? França? Irlanda? Cinco estrelas.
Bem bom.
Temia-se uma farsa e uma farsa foi.
Durante os testes foram alterados os vários parâmetros (já a partida generosos), a transparência fica como desejo
Em Espanha, por exemplo, no cenário adverso a taxa de desemprego subiu de 20 por cento para 20,3 por cento actuais. Só?
Em Áustria ainda melhor: de acordo com o governador austríaco, em caso de recessão os preços dos imóveis deverão crescer 2 por cento este ano e 2,7 por cento em seguida.
Vem vontade de comprar casa em Viena, melhor que pôr o dinheiro nos bancos.
Descobrimos também que seis dos catorze bancos da Alemanha, incluindo o Deutsche Bank, recusaram a divulgar a repartição das suas posições em títulos soberanos. São amantes de confidencialidade, esses alemães, especialmente quando é para esconder informações desagradáveis.
Escreve Pavan Wadhwa, analista de JPMorgan:
A falta de critérios rigorosos nos stress macroeconómicos levou a baixas taxas de perdas da carteira, porque os cortes em títulos soberanos (haircut) foram aplicados apenas aos trading books e não às posições que pretende-se manter até o final do prazo. As nossas estimativas mostram que a falta de rigor em cenários de stress desenvolvidos pela CEBS apresentou uma super-estimativa de 1, 7 por cento para Tier 1. Além disso, o foco nesse valor (e não sobre o Core Tier 1), produziu uma redução de 1, 2 por cento da taxa alvo-mínima, produzindo assim um bias total de 2,9 por cento nas estimativas dos quocientes de capital Tier 1. Ao eliminar esta distorção o resultado é que 54 bancos não conseguiriam ultrapassar um teste de esforço mais exigente, criando uma necessidade de recapitalização entre 60 e 75 biliões de Euros.
Tradução: com parâmetros mais realísticos muitos bancos (54? Nada mal...) não teriam conseguido passar os testes.
É por isso que evitámos falar do assunto. Foi uma manobra essencialmente de marketing.
A realidade fica em outro lugares.
Ipse dixit.
Fonte: The Market Financial

2 comentários:
Parabéns Max!
Nessa época em que vivemos, conseguir ler as entrelinhas é como ter super poderes.
Eles estão sempre inventando novas formas de fazer acreditar que está tudo bem e que tudo vai melhorar...
Propaganda é tudo!
Grande abraço
Obrigado Ravena!
É por isso que existem blogues como o teu, o meu e de outros ainda: ao ficar só com os medias oficiais o risco é de perder de vista a realidade.
Um abraço!
Max
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