23 setembro 2010

Bruxelas ajuda os desempregados

Estes são tempos difíceis na Europa e temos de apertar o cinto. Sabemos isso.

Mas o aperto do cinto não é para todos, e sabemos isso também.

A União Europeia, a mesma que lança os sermões sobre a necessidade de cortar os gastos públicos, não hesita em pagar muito, muito bem os próprios trabalhadores.

Óbvio, não todos os trabalhadores. Apenas alguns deles.

Reza o diário Público:
Bruxelas confirmou que dezassete membros da primeira Comissão de Durão Barroso recebem actualmente subsídios de reintegração que variam entre 40 e 65 por cento (dependendo do número de anos em Bruxelas) do seu salário de base, que ascende a 20.300 euros por mês (fora despesas de residência e representação) ou 22.500 para os vice-presidentes.
40 ou 65% do salário base? Sendo este último de 20.300 Euros por mês, significa uma "ajudinha" mensal entre os 8.100 e os 13.100 Euros arredondados.
Nada mal  como subsídio.
Pagos durante três anos, estes subsídios são acumuláveis com outras remunerações provenientes de novas actividades dos comissários, desde que o montante total não ultrapasse o valor do anterior salário, explicou um porta-voz da Comissão.
3 anos? Acumuláveis? Sim, mas desde que as novas remunerações não ultrapassem a antiga. Parece-me bem, isso para afastar a hipótese de alguém aproveitar da situação.
Segundo Bruxelas, estes subsídios destinam-se a “facilitar a reinserção no mercado de trabalho” dos ex-comissários e a “manter a sua independência”, de modo a evitar eventuais conflitos de interesses com os anteriores pelouros. Os ex-comissários estão aliás obrigados a informar a Comissão das novas funções, e só as podem assumir depois de obterem a necessária luz verde.
E também aqui não podemos se não concordar. Encontrar um lugar de trabalho não é simples hoje em dia, em particular se no nosso curriculum aparece uma coisa tipo "ex-comissário da União Europeia". Bruxelas chega a ser comovente na forma como cuida dos próprios ex dependentes, tomara que todas as empresas fossem assim.
Grande parte dos ex-comissários está a exercer funções políticas ou no sector privado, como o irlandês Charlie McCreevy, contratado pela companhia aérea Ryanair, o belga Louis Michel e a polaca Danuta Huebner que foram eleitos para o Parlamento Europeu, ou o italiano Franco Frattini e o cipriota Markos Kyprianou que são ministros dos Negócios Estrangeiros dos respectivos países. Todos acumulam os novos salários com o subsídio de integração da Comissão.
Estes exemplos bem descrevem o abismo no qual precipita a maior parte dos ex-comissários após abandonar a União. São trocos para nós, é verdade, mas podem fazer uma grande diferencia para quem acabou de perder o tach...ehm, o trabalho. 

Bruxelas mostra o caminho da solidariedade.
Nós podemos só louvar.

Ipse dixit.

Fonte: Público

1 comentário:

  1. Max, agora é a sério, passa por aqui e analisa a gravidade da situação:
    http://kafekultura.blogspot.com/2010/09/uma-questao-de-venenos.html

    ResponderEliminar

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...