21 setembro 2010

Esparguetes e Nato

Volto das férias e o que falta em casa? Esparguetes.
Meus Senhores, uma casa sem esparguetes não é uma casa, é uma tristeza.

Então, entro no hipermercado (mas quantos hipermercados existem neste País?) e vejo um panfleto com um titulo empolgante: "Previna-se e viva".
Autoria: Comissão de Planeamento de Emergência da Agricultura, do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, do Instituto Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.
Mais alguém e não teria sobrado espaço para o texto. Mas vamos ler.

Parágrafos: A despensa que não dispensa (deve ser humor português), Reserva alimentar para lactentes, Mochila para emergência, Dê prioridade à água.

Interessante. É sempre bom estar preparado para o inesperado, especialmente num País que tem um relacionamento "mórbido" com os terremotos. 

Depois posso ler as seguintes linhas:
Se, em plena emergência, não tiver reserva de água suficiente, tente obtê-la na própria canalização, no depósito de água quente (depois de desligados o gás e electricidade), nos cubos de gelo e o depósito do autoclismo. Se puder sair de casa e não existir contaminação radiológica ou química, recorra à água da chuva, fontes, rios, riachos, lagos, poços, barragens, etc., mas exclua água com objectos flutuantes, cheiro ou cor anormais.
Até o logo é triste...
Eh? Contaminação radiológica ou química? Mas estamos a falar de quê? Este é um evento natural ou uma guerra? Perdi alguma coisa ao longo das férias? Fogo, eu ia só a comprar um pacote de esparguetes e de repente estou no meio dum cenário de guerra.

Intrigado, vou espreitar o site cujo link aparece na publicação: o site do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.

Um site paupérrimo (e este é um eufemismo), onde descobrimos que o Concelho trabalha com a Nato. A Nato?
Não percebo: no site do Concelho Nacional de Planeamento Civil de Emergência não está escrito que o Concelho colabora com a Cruz Vermelha, a ONU, a União Europeia, os organismos equivalentes de outros Países.
Está só escrito que colabora com uma organização militar.

Eu fico por aqui, deixo o campo aberto para as eventuais especulações dos conspiracionistas. Mas o facto de quem trabalha para a gestão das emergências deveria ter um site melhor e com muitas mais informação (clara e de qualidade), bom, isso fica.

Ipse dixit.

Fonte: Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.

6 comentários:

  1. Estive para escrever um artigo sobre o assunto, mas esqueci-me por completo.

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  2. Anónimo22.9.10

    Isto é que foi uma grande coincidência! Fui hoje na minha rotina habitual a um mercado, peguei num papel onde costuma ter umas receitas culinárias interessantes mas a diferença do tamanho do papel, o título e as primeiras linhas que li, chamaram-me de tal maneira a atenção que fui lendo enquanto levava as compras ao carro e recolhia o carrinho - constato que nunca tenho todos aqueles víveres em casa e, obedientemente, começo a pensar "pois é, tenho de ter isto, se houver uma emergência como me safo?"... Mas, começo a indagar-me, " mas que emergência?!" "Olha um terramoto como o do Haiti por exemplo, ou... Mas, aqui, no Norte quais serão as probabilidades?...Se não for terramoto, poderia ser... O quê? Mas, será que, corremos outro tipo de risco qualquer? !Desde quando ? Porquê agora? Mas... será?! ..."
    "O quê? uma guerra química? Mas que estranho, afinal a que propósito vem isto?! "
    Foram estas as conjecturas com que fiquei prometendo a mim mesma chegar a casa e ler com mais atenção o folheto. Chegada a casa, abro a internet e dou de caras com este artigo - esparguetes e Nato - "ah mas afinal não fui só eu que fiquei, digamos admirada, desconfiada?" A ver vamos. Vou ler com mais atenção.

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  3. Bom, eu até pensei em encomendar pela internet umas quantas caixas de rações militares "Ready to eat meals".

    No que toca a rações de emergência, os americanos (como em tudo) fazem questão que sejam saborosas e incluam sobremesa. Muito importante a sobremesa.

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  4. Flávio, descobri só hoje o blog Milhafre!
    Parabéns. Eu lusofono não sou, mas aprecio quem tenciona defender a própria identidade e estabelecer pontes culturais com outros povos. Afinal falamos de 240 milhões de pessoas...

    Abraço!

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  5. Cara Anónima,
    é bom que em Portugal haja quem faça prevenção. Mas teria de ser clara, não "terrorista" como esta.

    Óbvio que depois surgiam dúvidas como as tuas: "Mas, será que, corremos outro tipo de risco qualquer?! Desde quando ? Porquê agora? Mas... será?! ..."

    Aqui a prevenção veste-se de exagero e falha redondamente, tornando-se inútil. E deixa aberta as portas para especulações de todo o tipo.

    Abraço!

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  6. Bom, a Lusofonia, inserida no eurasismo, é uma opção geopolítica perfeitamente viável para Portugal, bem como a colaboração económica com potências regionais como a Venezuela e o Irão.

    O único senão parece ser o incómodo facto de que todos os governos, sejam asiáticos, sul-americanos ou africanos, são tão corruptos quanto os europeus...

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