21 setembro 2010

A herança de Macondo

E a fuga de petróleo no Golfo do México?

Diz o Almirante Allen:
Após meses de grandes operações planeadas e executadas sob a direcção e autoridade da equipa de cientistas e engenheiros do governo dos EUA, a BP concluiu com êxito o poço de contenção, interceptou e cimentou o poço 18.000 pés abaixo do nível do mar. Com estes desenvolvimentos, os quais foram confirmados pelo Departemente of the Interior's Bureau of Ocean Energy Management, finalmente podemos anunciar que o poço Macondo 252 está morto.
Assim, quase cinco meses após o desastre, acabou.

Acabou?
Nem por isso: o petróleo não foi embora, foi enterrado no fundo do mar, bem como suspenso em "plumas" submarinas. É quanto afirma o site do National Geographic, uma pesquisadora do qual acaba de voltar duma expedição na região.

Diz Samantha Joye Universidade da Geórgia:
A ideia de que três quartos do petróleo simplesmente desapareceu, como indicado pelas autoridades, é um conto de fadas: seria bom, mas seria absolutamente sem sentido. Eu entendo porque as pessoas querem que desapareça, mas quem em consciência iria acreditar nisso? Não faz absolutamente nenhum sentido. 

A pesquisadora com alguns colegas sondou as águas do Golfo a bordo do navio Oceanus ao longo de todo o mês passado e encontraram pelo menos em dez pontos camadas de 5 cm de petróleo depositado no fundo do mar, a uma profundidade de 1600 metros e uma distância de até 126 km do local da explosão
Em pelo menos uma amostra o petróleo cobria alguns camarões e outros animais - explica a pesquisadora - e, também, encontrámos algumas "plumas" em outras posições do que as anteriormente relatadas. O petróleo ainda está lá, basta procurar no lugar certo.    

6 milhões de barris

Outro problema que a pesquisadora realça é a real quantidade de crude que saiu do poço. As estimativas oficiais apontam para pouco mais de 4 milhões de barris de petróleo, mas Samantha Joey e o colega Ian McDonald não concordam, pois nas contas falta o metano:
Todos os relatórios da carga poluente descarregada a partir do poço têm sido emitidos em barris, uma unidade de um volume de líquidos, e têm ignorado o gás. Na verdade, se calculados em unidades equivalentes de peso [massa] ou energia [barris de petróleo equivalentes], a magnitude do óleo com o gás é igual a 1,5 vezes o petróleo sozinho.

Em outras palavras, se 4,1 milhões de barris de petróleo escaparam no Golfo, a fuga de total de petróleo líquido e gás seria equivalente a mais de 6 milhões de barris de petróleo

Samantha Joey
Enquanto o metano é menos tóxico do que o petróleo e decompõe-se de forma mais rápida, as bactérias precisam de oxigénio para sintetiza-lo, criando assim mais falta de oxigénio no ecossistema.

E quando os níveis de oxigénio são baixos, leva muito mais tempo para que os micróbios quebram o óleo. É um circulo vicioso.

Por exemplo, os pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution ainda encontram camadas de petróleo em sedimentos com baixo nível de oxigénio provocados por um derrame em 1969 em Buzzards Bay, Massachusetts.


Um recente estudo do Departement of Energy do Lawrence Berkeley National Laboratory sugere que a maior parte das "plumas" submarinas já foram dispersas, mas estas não são as conclusões de outros pesquisadores. Bem pelo contrário.

O oceanógrafo David Hollander, da Universidade do Sul da Florida, em meados de Agosto encontrou petróleo nos sedimentos e nas colunas de água até 50 milhas (80 km) a nordeste do poço, incluindo o canyon DeSoto, uma área crítica de desenvolvimento para peixes normalmente pescados e vendidos nos mercados da Florida.
Onde quer que fôssemos a leste do poço, foi possível encontra-lo. Não é como um cobertor, mas um conjunto de micro-gotas tão pequenas que você não pode vê-las. Sob a luz UV parece uma constelação de estrelas no céu do sul.

As consequências? Ninguém pode prevê-las nesta altura.
Mas o poço está fechado.

Ipse dixit.


Fontes: Petrolio, Informazione Scorretta, National Geographic

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