23 setembro 2010

IOR 23 milhões apreendidos, perplexidade e admiração dos Banqueiros de Deus

Pouco, bem pouco o espaço nos jornais dedicado à IOR, a piedosa instituição religiosa, cofre no Vaticano.
E as notícias, quando referidas, são sempre acompanhada pelas duas palavras do Vaticano:: perplexidade e espanto.


Perplexidade e admiração.


Pois.



Acontece que não é a primeira vez que o IOR fica envolvido em grandes escândalos.


Pia Instituição Obras Religiosas

O único banco no mundo que não emite recibos (o Espírito Santo nunca erra nas contas), foi envolvido no caso Calvi, com pio Marcinkus que perdeu o lugar. Quem estiver interessado em aprender mais pode procurar obter o filme muito interessante "O Banqueiro de Deus" (mas é difícil encontra-lo fora da Italia), que reconstitui os acontecimentos do Banco Ambrosiano e da IOR e os obscuros enredos.

Desta vez, o problema nasce com uma pequena operação de mais de 20 milhões de Euros que tinham que funcionar como bonificação.

No detalhe, falamos de 23 milhões de Euros (!) apreendidos numa conta aberta na agência de Roma do Credito Artigiano. O  mesmo Credito Artigiano descobriu as cartas: depois de ter ordenado a suspensão das operações no passado 15 de Setembro, informou o Procurador geral de Roma.

Resumindo, a conta do IOR de 28 milhões (!) estava para ser rapidamente drenada com uma transferência de 20 milhões de Euros para banco JP Morgan de Frankfurt, mais outra transferência de 3 milhões de Euros para o banco local do Fucino.

Tudo isso a despeito das novas disposições anti-branqueamento de capitais, em vigor desde 9 de Setembro.  Em particular, essas foram operações concebidas sem indicar o nome de quem ordenou ou as finalidades das transferências..

Bonificações no valor de 4 bilhões de velhos Escudos portugueses sem sujeito nem causal.

Mas já sabemos, o Espírito Santo não precisa de bilhetes de identidade, nem de razões.

Perplexidade e admiração.

O Procurador não pára por aí: estão a espera para serem melhor analisados também os movimentos de uma conta anônima na qual são depositados milhões de Euros de propriedade do Vaticano, conta aberta na agência romana do banco Unicredit. Em violação de múltiplas leis e códigos (válidos pelo menos no Estado italiano, do qual faz parte o Unicredit), os titulares de conta Unicredit seriam desconhecidos até mesmo para o próprio banco, o que torna o inquérito mais complicado .

Por outro lado, os caminhos de Deus são infinitos.

Perplexidade e admiração.
Os bons rapazes

Os 23 milhões de Euros depositados na sede romana do Credito Artigiano SpA (Gruppo Credito Valtellinese) ficam agora apreendidos e estão sob investigação o presidente do IOR Ettore Gotti Tedeschi  e o director geral Paolo Cipriani.

Mas quem é Ettore Gotti Tedeschi, presidente do IOR, o banco do Vaticano?

O ex-McKinsey como muitos banqueiros italianos, o seu primeiro grande papel foi no SIGE, a financiaria do Imi que tratava de gestão das poupanças. Aqui conheceu Roveraro, com o qual abriu a Akros (até 1992) até assumir a liderança do Santander, o mais importante banco no mundo hispânico.

Foi membro do Banco Sanpaolo Imi e da Caixa de Depósitos e Empréstimos, e tem ensinado Finanças na Universidade Católica de Milão. Diz-se ser a inspiração da encíclica económica do Papa Ratzinger.

Não admira que seja também um dos principais colunistas do Osservatore Romano, o diário do Vaticano.

É desde sempre considerado próximos do secretário de Estado Tarcisio Bertone e da Opus Dei, conhecida como a "máfia branca" pelos detratores, a potente seita fundamentalista que vive dentro da Igreja Católica.



A Opera

Sobre a Opus Dei, o seu proprietário, Escrivá de Balaguer, foi santificado em tempo recorde pelo Papa João Paulo II.
Santo já, ele, ainda antes da sentença sobre o papa polaco ser pronunciada.

Quem desejasse saber mais acerca daquele espécie de demónio que é Santo Escrivá e da sua seita gângster-integralista Opus Dei, pode  procurar o interessante livro "Oltre la soglia: una vita nell'Opus Dei" ("Do Lado de Dentro - uma vida na Opus Dei", Maria del Carmen Tapia, Publicações Europa-América, 1993), de Maria Del Carmen Tapia, ex-secretária do demónio santo, sempre que consigam encontra-lo nas livrarias.

Alguns excertos do Wikipedia versão italiana, pois na versão portuguesa isso não aparece

Segundo a teóloga Adriana Zarri, Escrivá era "um personagem muito indecente." Para apoiar esta afirmação, a teóloga cita o testemunho de um ex-adepto no livro "Para além do limiar" de Maria del Carmen Tapia.

Neste livro é descrita a casa de Roma como "uma espécie de fortaleza medieval (...) a partir da porta da frente, que é blindada e não tem nenhuma fechadura externa, abrindo apenas a partir de dentro".

Em outras palavras, parece que desta casa é impossível sair sem permissão.

Na mesma casa "Monsenhor Escrivá tinha feito colocar microfones (...) todos ligados à sua sala". Também fala-se de armas, transporte de dinheiro, documentos secretos mantidos juntos com garrafas de gasolina, etc.

Segundo o relato de Maria del Carmen Tapia, ela escapou apenas por acaso: conseguiu ligar para fora numa altura em que não estava monitorada.

O medo real era de ser internada por insanidade, como tinha acontecido com outros dissidentes. A partida, no entanto, não foi fácil, porque "Monsenhor Escrivá começou a caminhar pra cima e para baixo, vermelho, furioso, dizendo:" Não fale com ninguém, nem da Opus Dei ou de Roma (...) porque se ouvir que falas mal da Opus, eu José Maria Escrivá de Balaguer, eu que tenho na minha mão a imprensa mundial, vou desonrar-te publicamente. "

E, olhando nos meus olhos com uma fúria terrível, agitando os braços como se quisesse bater-me, gritou: "(...) puta vadia! ".

Zarri conclui que Escrivá era "colérico e ambicioso", "tinha comprado um título de nobreza do amigo o ditador Franco: nos governos do qual alguns membros do Opus Dei desempenharam cargos de ministros".

Santo já .

Gotti Tedeschi, na corrida para o topo da IOR, conseguiu bater Tietmeyer, ex-presidente do Bundesbank. Porque não é preciso um presidente qualquer para o banco do Vaticano. É preciso o ex-presidente do banco central do mais importante País europeu, ou mesmo melhor.

Gotti sempre afirmou estar convencido que será possível sair da crise apostando na ética e na família.

A Família.

Pois.

Fonte: Informazione Scorretta
Tradução: Informação Incorrecta

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