29 setembro 2010

Manobras globais

Começamos com o anómalo comportamento do PIB Inglês. 

GB: PIB + 1,2% em três meses, 
nunca tão forte em nove anos

No segundo trimestre, o produto interno bruto da Grã-Bretanha marcou um aumento de 1, 2%: um crescimento, em linha com as expectativas, que é o mais forte em nove anos.

É a noticia da agência Bloomberg, pela qual a empurrar o crescimento contribuíram os fortes gastos do governo e um boom no sector da construção.

Ah, pois, um forte investimento público. Nos EUA, onde o dinheiro do Estado acabou há muito, não pára a falência de bancos.
EUA, 279 bancos faliram 
("não há luz no fundo do túnel")

A vaga de falências dos bancos nos EUA não mostra sinais de parar: desde 25 de Setembro de 2008, isso é, a partir do fracasso da Washington Mutual, o número dos bancos vítimas da Grande Depressão subiu para 279.

E o massacre parece ainda não ter chegado ao fim. Com base nos dados relatados pelo Wall Street Journal, o sistema financeiro americano continua a sofrer de falhas e entre fusões e falências parece prestes a diminuir drasticamente, com uma contratação que desde as actuais 7.932 unidades terá que ficar em 5.000.

"Parece não haver uma luz no fundo do túnel", diz o Wall Street Journal.

  Manobras globais em curso / 1: 
inspecção obrigatória do FMI em 25 Países

15 Países membros do G20, mais outros, para um total de 25, que somam 90% da finança mundial e 80% da economia do planeta, receberão em breve os inspectores do Fundo Monetário Internacional.

A visita da alegre brigada é obrigatória e envolve todas as economias de todos os Países "de importância sistémica".

Tudo isto com o fim de "evitar uma crise maior".

Sem dúvida.

Em particular, o FMI afirma ser este:
um passo importante na melhoria da monitorização económica realizado pelo FMI que tem em conta a recente crise, a qual nasceu dos desequilíbrios financeiros nos grandes Países com interligações em todo o mundo.
Ah, sim.

Ainda de acordo com o FMI:
as fraquezas potenciais de cada País serão analisadas, bem como a estabilidade política e a capacidade de enfrentar e superar uma crise financeira.
O facto é que o FMI envia inspecções obrigatórias nos primeiros 25 Países do mundo.
Estarão vestidos de azul? Andam aos pares?

Mas o mais importante, o que irão fazer uma vez chegados a um País como Portugal?

Finalmente, Durão Barroso piora as coisas (afinal, de alguma forma temos de pagar estes novos inspectores do FMI)
 
Manobras globais em curso / 2: 
Durão Barroso, novo imposto europeu

Diz o bom Durão:
Chegou a altura dos bancos devolverem o dinheiro que tinham recebido.
Oh, até que enfim, alguém que defenda os nossos direitos!

E continua com afirmações do tipo "A era dos bónus excessivos acabou" (mas os problemas do mundo não estão nos bónus, estão no facto de ter feito dívidas após dívidas após dívidas...), "Os serviço financeiros têm de voltar à economia real [...] e garantir aos cidadãos e às empresas o acesso aos serviços fundamentais" (com um oceano de dinheiro criado a partir do nada, mas disso o bom Durão não fala)..

Em seguida, a realidade: Durão Barroso está a  trabalhar num novo imposto.

E quem irá paga-lo? Alguém tem uma ideia?

Nos últimos 10/15 anos disseram que para chegar à Europa e ali ficar (realmente, uma grande ocasião...) era necessário que a inflação ficasse abaixo dum certo limite anual. Por esta razão, os governos repetiram que era essencial controlar a inflação.

De que maneira?

Simples, através da "contenção salarial", ou seja, mantendo os salários baixos.

Porque ao aumentar os salários há muito dinheiro em circulação e este perde valor, desencadeando assim o aumento dos preços.

A terrível inflação.

Ao ter mais 300 Euros por mês, naqueles anos, teríamos comprado mais bens ou teríamos poupado mais, fazendo felizes as indústrias que vendem bens e serviços, os bancos que ficam com o nosso dinheiro e, em última análise, nós.

Ou alguém teria tido dúvidas do tipo "E agora que faço com este dinheiro todo?", ficando a ver os preços aumentar e nada mais?

Provavelmente, a inflação causada pela "moderação" era apenas uma forma socialmente aceitável para dizer "Serve manter baixos os salários, para que as empresas possam pagar menos aos funcionários e ganhar mais à custa de quem trabalha".

Temos de admitir: dito assim faz um outro efeito.

Mas de qualquer forma, na altura aceitámos assim como vamos aceitar agora.

Talvez com um imposto europeu (e porque não global?) as coisas irão ficar ainda melhores.

Ipse dixit.


Fonte: Informazione Scorretta

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