27 setembro 2010

Pedaços de verdade

O Irão é o Reino do Mal, disso já não temos dúvida. 
E a melhor solução seria elimina-lo, por várias razões.
Porque molesta Israel, porque está cheio de petróleo e de gás, porque tem um sistema bancário anómalo e perigoso.

E porque no Irão se lapidam pobres mulheres indefesas. Pelo menos assim dizem.

O caso Sakineh

A versão oficial afirma que há uma pessoa no Irão, tal Sakineh Ashtiani Mohammadi, que foi presa e condenada ao apedrejamento por adultério.

O regime iraniano é claramente uma entidade monstruosa (e também está a dotar-se de armas nucleares), não seria tão errado cobri-lo com bombas.
Yeah.

Mas ao pesquisar um pouco na Internet, é possível descobrir algumas coisas muito interessantes.
Acontece que Sakineh Ashtiani, além de ter cometido adultério, também teria morto o marido, com o fim de passar um bons tempinhos com o amante. O que, como podem realçar os leitores, não justifica a condenação à morte por apedrejamento.

Estamos plenamente de acordo, embora seja importante ressaltar que na versão oficial que circula no Ocidente, a expressão "acusada do assassinato do marido" foi feita desaparecer na maioria dos casos.

É um pouco como dizer: " "Rouba doces, condenado à prisão perpétua"

em vez de:  "Rouba doces, mata o dono do café, condenado à prisão perpétua"

Assim, há uma leve diferença entre as duas frases, e quem efectua um cancelamento obtém uma pesada distorção da verdade. A seu favor, óbvio.

Mesmo assim sobra a barbárie da pena de morte.

Em particular, sobra a barbárie do apedrejamento, que é um pouco mais cruel do que a injecção letal ou o enforcamento.

Pois.

Seria preciso falar um pouco mais desta lapidação.
Sim, porque parece que o apedrejamento no Irão não é mais praticado desde há muito tempo. Até o mesmo Ahmadinejad afirmou que nunca houve uma sentença de lapidação contra Sakineh.


Alguns factos sobre a lapidação no Irão 
que os média curiosamente esquecem de referir

Sakineh Ashtiani Mohammadi
A lapidação no Irão foi introduzida no código penal islâmico em 1983.

O governo declarou uma moratória sobre a lapidação em 2002, embora nunca tenha sido formalmente abolida.

Desde que Ahmadinejad foi eleito, tem havido poucos casos de sentença de apedrejamento por parte dos tribunais: em 2006, 2007 e 2010.

Em Janeiro de 2005, o porta-voz judicial Jamal Karimirad disse que "a lapidação foi retirada do código penal desde muito (embora no Wikipedia versão portuguesa seja ainda possível ler o seguinte: Pela lei iraniana, uma mulher condenada ao apedrejamento deve ser enterrada até a altura do peito e golpeada à morte por pedras nem pequenas nem grandes demais), e na república islâmica, este tipo de sentença não é aplicada."

Acrescentou também que se a sentença de apedrejamento tivesse sido decretada por um processo no tribunal, a decisão teria sido anulada pelos tribunais de grau superior e "nenhuma dessas sentenças teria sido concluída."

Em 2008, o Poder Judiciário retirou a lapidação no projecto de lei apresentado ao parlamento para aprovação.

Em 2009, o parlamento iraniano tem revisto e alterado o código penal para eliminar a lapidação.

Assim, no Irão já ninguém é lapidado, e desde bastante tempo.

E desde 2009 é proibido por lei.

O resto é propaganda.
 


Fontes: Informazione Scorretta, Wikipedia

1 comentário:

  1. Bravo Max, já o tinha divulgado no blog, mas muito resumidamente, quando o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros cá esteve.

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