15 outubro 2010

A resposta do Ocidente

O semanal português Auto Hoje publica um artigo que bem reflecte a realidade económica europeia.

Mais componentes automóveis virão da Ásia

Dentro de cinco anos quase quatro em cada dez componentes automóveis terão como origem uma qualquer nação da região da Ásia Pacífico. O centro do globo está cada vez mais no Oriente.

De acordo com uma previsão da Frost & Sullivan, em 2015, a região da Ásia Pacífico fornecerá 38.6% dos componentes automóveis mundiais, o que constitui um reforço da quota que esta região do globo valia em 2005. [...]
Este reforço de posição será feito à conta da Europa (que perderá 2.4% em relação a 2005) e à América do Norte (que perderá 2% face a 2005).



Não admira.
Podemos culpar a crise, podemos culpar a queda das vendas. Podemos também culpar os Chineses por ter uma moeda fraca. Mas a verdade é outra.

O que se passa no sector dos componentes para automóvel, passa-se também em outras áreas e a responsabilidade não é dos Chineses ou dos Orientais mais em geral: a responsabilidade é das Mentes Pensantes, de Bruxelas e de Washington.

Há anos que as indústrias europeias e americanas migram. Deixam o próprio País, onde a tributação fiscal reduz a margem de lucro, e instalam-se no Oriente.

Os sindicatos insurgem: patrões gananciosos, abandonam os trabalhadores europeus e exploram os orientais, aumentando os ganhos.

Mas não é bem assim. Ou melhor: este é só um lado da verdade, e nem o mais importante.

O que significam as constantes peregrinações das delegações político-económicas ocidentais em Pequim? Acham que vão beber um chá?
Lembram do actual Presidente da República português falar aos microfones da televisão e sorrir perante a "boa penetração" das empresas portuguesas no mercado chinês?

"Penetração" no mercado chinês?
Traduzimos, por favor: "deslocação", não "penetração".
E acontece com Portugal assim como com qualquer outro País do Velho Continente e da América do Norte.

A União Europeia? Silêncio.
E que poderia dizer? Como tentou travar a hemorragia das empresas?
Os Estados Unidos? Queixam-se da moeda chinesa desvalorizada. Agora? Tarde demais.

Qual o desenho?
Porque as hipóteses são duas: ou as Mentes Pensantes deixaram que isso acontecesse conscientemente, ou então somos governados por incapazes.

A segunda opção não pode ser excluída, mas vamos focalizar a nossa atenção na primeira: deixar fugir as empresas do próprio território tem pesadas implicações e tem que subentender um projecto. Qual?

Transformar o mundo ocidental num enorme sector terciário? Mas por favor...
Então qual a ideia?

Infelizmente não há respostas.

Aliás, há uma, encontrada na versão on-line da citada revista:
Google testa carro que anda sozinho 
A Google está a testar um automóvel que anda sozinho, dispensando a intervenção humana, anunciou a empresa no seu blogue oficial.

O automóvel já percorreu mais de 225 mil quilómetros em testes, os quais foram feitos apenas com um passageiro, um condutor muito experiente, que apenas pegava no volante caso houvesse alguma falha.

A tecnologia está a ser testada num Toyota Prius, que conta com câmaras no tejadilho, sensores por radar nos pára-choques dianteiros e traseiros e dispositivos laser que permitem «ver» o trânsito.

Isso mesmo, o automóvel que conduz sozinho.
Os Orientais vão ficar boquiabertos.

Ipse dixit.


Fonte: Auto Hoje nº 1092, pág. 14, Versão on-line

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