25 outubro 2010

A retoma, pois, a retoma...

Estados Unidos numa guerra civil?

Não seria a primeira vez. Mas por enquanto a perspectiva não parece iminente.
Todavia é sintomático o facto duma revista conceituada como Time dedicar espaço ao assunto.

Vamos ler um artigo de Prison Planet:



O Time e a guerra civil
Enquanto os manifestantes em França entram no sétimo dia de greve e manifestações contra as medidas de austeridade draconianas, muitos observadores políticos nos Estados Unidos perguntam quanto tempo falta antes que tais cenas ocorram nas ruas da América, e até o Time Magazine admite que a perspectiva duma guerra civil nos EUA "não parece tão absurda ".

Para ser claros, o artigo de Stephen Gandel intitulado "A Reserva Federal irá causar uma guerra civil? " exclui a possibilidade de que a próxima reunião da Federal Reserve de Novembro, no dia 3, na qual Ben Bernanke deve anunciar uma nova rodada de dinheiro "fácil", possa desencadear tumultos internos; mas não redimensiona a hipótese dum "deslocamento social" de longo prazo como resultado da economia em ruína, como muitos esperam.

Parece apenas uma questão de tempo antes dos Americanos serem afectados por medidas de austeridade quase idênticas às que levaram os Franceses a bloquear o fornecimento de combustível, aos choques com a polícia, a bloquear o transporte aéreo e ferroviário e paralisar boa parte do País.

A pergunta que fica é a seguinte: como os Americanos vão reagir se o governo Obama ir em frente com o plano para "tomar posse" das pensões privadas de todos, pensões que serão engolidas pela Social Security Administration no âmbito do programa dos Guaranteed Retirement Account (GRA) obrigatórios?



Como os Americanos irão reagir ao anúncio iminente de que a Federal Reserve pode enfraquece ainda mais o Dólar com a compra de activos de alto risco (a preços inflacionados), actualmente nas mãos dos gigantes bancários, com dinheiro impresso a partir do nada?

A revista Time, como bom guardião do establishment, não deveria diminuir o potencial da desobediência civil em massa? Pelo contrário:destaca o conceito (avançado num artigo de Zero Hedge) segundo o qual o plano do Fed para um novo Quantitative Easing "coloca a sociedade norte-americana à beira da guerra civil, se não pior."

O artigo também contém uma citação dum artigo do Washington Blog que adverte, com as palavras do economista  que as políticas da Fed poderiam levar à destruição da própria república:
[potência dos blogs! Acabo esta artigo e logo vou escrever para o Governo de Portugal...NDT]
Num sentido muito real, Bernanke está a empurrar as avós e avôs abaixo das escadas, e de propósito. E, literalmente, ameaça os membros das classes económicas mais baixas, também quem é aposentado, com a pobreza extrema e a morte; e numa nação justa, onde a justiça controlasse os abusos dos cleptocratas, seria acusado de conspiração sediciosa, consideradas as suas políticas que inevitavelmente levam à destruição da nossa república.

Sustentando esta noção, Gandel escreve que "com o aumento dos seguidores do Tea Party, a ideia duma guerra civil por motivos económicos, não parece tão absurda nos dias de hoje."

Sim, não é um engano: agora mesmo a revista Time admite que a tendência da actual conjuntura económica do País poderia levar direito para a guerra civil e revolução.

Gandel conclui o artigo deixando a perspectiva duma desordem civil generalizada como uma questão em aberto:
Assim, parece claro o que a Fed poderia fazer. A forma como a economia, o exército eo resto de nós vai reagir será explodir. A contagem regressiva já começou. Faltam 15 dias para o Fedarmageddon.

É claro, muitas pessoas já fizeram previsões acerca de desordem civil, distúrbios para os alimentos e rebeliões fiscais ao longo dos últimos dois anos, mas o facto do Time Magazine levar a sério a noção de guerra civil nos Estados Unidos lembra que a distancia entre nós e o precipício é muito reduzida.

O relatório do U.S. Army War College

Muitos especialistas em previsões, governos, agências de inteligência e organismos internacionais estão à espera de motins em massa e distúrbios em resposta ao agravamento do quadro económico.

Em Novembro de 2008, mesmo na altura em que estava a desenrolar-se a implosão económica, o U. S. Army War College publicou um relatório oficial  intitulado Known Unknowns: Unconventional 'Strategic Shocks' in Defence Strategy Development.

O relatório advertia que o exército tinha que estar pronto para uma "violenta deslocação estratégica dentro dos Estados Unidos, que poderia ter sido causada por um colapso económico inesperado, por uma forte resistência nacional, as emergências generalizada na saúde pública ou perda de ordem legal e político.
A violência civil generalizada forçaria a defesa a reorientar as prioridades in extremis para defender a ordem nacional basilar e segurança humana
Um relatório do Ministério da Defesa britânico chegou perto disso ao prever que dentro de 30 anos, o fosso crescente entre ricos e classe média, junto com uma subclasse urbana que ameaça a ordem social, implica que:
as classes médias de todo o mundo poderiam unir-se, utilizando o acesso aos conhecimentos, competências e recursos para modelar processos transnacionais no interesse da própria classe, e que as classes médias poderiam tornar-se uma classe revolucionária.
A maneira em que os Americanos irão reagir ao que muitos vêem como o ponto de viragem da economia americana, o anúncio do Fed do dia 3 de Novembro, depende em grande medida da forma como eles compreenderem que o seu futuro financeiro e o dos seus filhos está no fio da navalha, como nunca tinha acontecido antes.

Como indicado no Economic Collapse Blog , o Quantitative Easing 2 (QE2) é o maior roubo da história, e nada mais é que uma outra enorme transferência de riqueza dos contribuintes norte-americanos para os grandes bancos. O dinheiro que Bernanke imprime do nada, além de desvalorizar a moeda, cada Dólar ganho ou poupado pelos cidadãos norte-americanos, será usado para comprar grandes quantidades de "activos tóxicos" dos bancos dos EUA a um preço bem acima do preço de mercado.  
Os bancos pequenos serão deixados morrer, enquanto os enormes monólitos poderão recolher montanhas de dinheiro à custa dos trabalhadores americanos.

O impacto a longo prazo da compra destes activos-lixo será um holocausto inflacionário que não fará nada para salvar a economia americana e, em vez disso, provocará a desvalorização dos imóveis dos contribuintes americanos.

Os Estados Unidos já estão na direcção da inflação e a Reserva Federal ainda não tem imprimido um Dólar:o que irá acontecer depois de ter injectado triliões de Dólares na desastrada economia dos EUA?

Mas, infelizmente, os eleitores americanos não podem expressar uma opinião contrária a isso. A nossa política monetária nacional está nas mãos dum banco central não eleito, que pode fazer tudo o que ele desejar. [faz lembrar outro continente...NDT]

Se mais Americanos estivessem cientes do que a Reserva Federal está para fazer com o nosso futuro financeiro, então a "guerra civil", que mesmo a revista Time já justifica como uma resposta à crise, seria uma muito plausível.

Não sabem o que é um Quantitative Easing? Maus!
Então podem ler este artigo, "Quantitative quê?" publicado no passado dia 6 de Outubro.
E que tal ler "Quem cria o dinheiro"? Não seria má ideia.

Para complementar, algumas considerações adicionais.


10 Euros de poupança e uma maçã


Imaginem de ter fome, muita fome: e, em cima da mesa, uma maçã.
Como esta maçã é a única, ela tem grande importância. Se a maçã caísse, seria uma desgraça, não seria possível comer nada.

Imaginem agora ter sempre fome mas ter em cima da mesa 10 maçãs. Quanto vale cada maçã? Vale menos: cai uma maçã? Paciência, temos outras nove! O valor intrínseco de cada maçã depende assim da nossa fome e do número de maçãs que temos a disposição.

O mesmo acontece com o dinheiro. No mercado há muito dinheiro? Então cada nota tem um valor menor.
Esta é a inflação.

Dúvida: mas o valor imprimido nas notas é sempre o mesmo: antes valiam 10 Euros, agora continuam a valer 10 Euros.

Sim, verdade: mas antes com 10 Euros era possível comprar 10 pacotes de bolachas, agora com os mesmos 10 Euros posso comprar só 5 pacotes (o que é bom pois as bolachas engordam).

Se os nossos 10 Euros perdem valor e o nosso ordenado aumenta, então não temos problema. Mas se o nosso ordenado fica na mesma começam os problemas.

Agora, imaginem de viver nos Estados Unidos. O leitor tem guardados no banco uma nota de 10 Euros, e está todo feliz porque esta nota tem grande valor. É o fruto duma vida de trabalho e vale muito, vale bem 10 pacotes de bolachas! (mas que raio de trabalho fazia o leitor?)

No dia 3 de Novembro a Federal Reserve diz: meus amigos, a nossa economia está mal e para melhorar temos que imprimir dinheiro e inundar o País com triliões de notas.

Assim como acontece com as maçãs, cada nota perde valor. Também os 10 Euros guardados no banco valem menos. O fruto duma vida de trabalho reduzido, de repente.

O leitor não fica enervado? Claro que fica.

E mais: com estes triliões de dinheiro que faz a Federal Reserve? Compra títulos sem valor que os bancos detêm e com os quais não sabem o que fazer. Estes títulos são verdadeiro lixo, nunca poderão permitir recuperar o investimento.

E quem são estes bancos? São os mesmos com os quais o leitor contraiu um mútuo que já agora paga com esforço. Mas, após a inflação, o dinheiro do leitor terá um valor mais baixo, assim como o seu ordenado: pagar o mútuo será ainda mais difícil, pois tudo será mais caro!

O leitor fica muito enervado.

Mas estes bancos não são os mesmos que provocaram a crise? Não foram eles que em 2008 despoletaram a crise por causa dos subprimes e dos produtos financeiros sem valor, tudo pelo desejo de ganhar ainda mais?

O leitor fica extremamente enervado.
Agora, juntem alguns milhões de leitores extremamente enervados e podemos ter algumas consequências desagradáveis.

Moral da história: nunca guardar só 10 Euros na conta :)


Ipse dixit


Fonte: Prison Planet

6 comentários:

  1. Anónimo25.10.10

    Entendo a crise econômica
    O problema de entender a economia e sua crise esta numa palavra que é “Vender”. Quando pensamos que “vender” não existe, entendemos melhor as coisas. Um país produz grãos ou petróleo ou ferro e etc. Esta produção, não é vendida por tal valor, se “compra” o dinheiro com tal produção e se compra produção com o dinheiro. Logo o dinheiro é um produto. Em grande parte do globo se produz para compra o dinheiro que são basicamente os produtos “dólar, euro, ouro” e estruturam suas economias, pois podem desta maneira digitalizar nos banco (silos de grãos) o produto dinheiro não podendo fazer o mesmo com produção. O EUA produz pouco em relação a outros países e se comprassem dinheiro com o que produzem, seriam um país pobre. Pensando nisto, após o desligamento com império inglês, o governo americano que é uma instituição financiada pelo publico e privado tiveram a brilhante idéia de comprar dinheiro com papéis. Estes que nada mais são que suas empresas parcialmente divididas em ações. O mundo caiu na armadinha de achar que papeis valem tanto quanto produção daí a existência e importância do Wall street. O Wall street é um campo fértil de papeis. Mas com o crescimento populacional, o mundo de hoje entendeu as duras penas que não se come papel, muito menos abastece o carro. As dívidas internacionais sempre existiram por diversos motivos, manter tropas no exterior, reestruturas países devastados por guerras conforme tratados internacionais, empréstimos gigantescos de bancos internacionais e etc, desde a criação do capitalismo que significa, captar, ter, obter. A divida atual do EUA é igual e tende a superar o PIB americano. Um país é igual a uma pessoa, se estamos com dívidas, caminhamos cortando de um lado para não faltar do outro. Mas se sua dívida mensal for igual ou superior ao seu salário? Ou você da o calote e come, ou paga a dívida e passa fome, ou rouba o vizinho, ou imprime dinheiro se puder. Note que o EUA praticam com freqüência as duas últimas opções. Tiveram a brilhante idéia de imprimir dinheiro sem produção ou até mesmo papéis(ações) já que roubar vizinho(guerra) não está resolvendo. Como qualquer produto, quando a produção supera a procura, o preço tende a cair, logo o dólar cai e continuara a cair enquanto a mentida dos papéis e falta de produção americana continuar. E onde esta a crise no final desta história? Quando temos muitas batatas e não vendemos por falta de procura, ela zera o valor e perde sua validade. O dinheiro não tem validade prevista, mais tem valor e se o dólar ficar abaixo do valor impresso = 1, temos batatas podres sem valor para jogar fora. E onde esta está a real complicação? O mundo inteiro vincula seu produto “dinheiro” e seu valor ao dólar. O mundo é um avião em pleno vôo e o dólar é seu pesado tanque de combustível, se tiver uma turbulência (crise) e parte do combustível não for descartado, não adiantará um bom piloto ou controles computadorizados, ele vai cair. Em outras palavras, dólar demais no mercado, batatas de mais nas prateleiras e combustível demais no avião em turbulência, já sabem.
    Luís Fernando.

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  2. NunoSav25.10.10

    E daí o pessoal comprar ouro, prata.

    Para quem quiser saber um pouco mais de economia(ou não, o Max já deve ter dito tudo!) misturado com história dos EUA que veja os documentários de Bill Still.

    Vou comer bolachas, Abraço.

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  3. Recebi via correio electrónico um comentário que, não sei porque, mas não ficou publicado (raio dum Blogger); por isso faço copy/paste:

    Entendo a crise econômica
    O problema de entender a economia e sua crise esta numa palavra que é “Vender”. Quando pensamos que “vender” não existe, entendemos melhor as coisas. Um país produz grãos ou petróleo ou ferro e etc. Esta produção, não é vendida por tal valor, se “compra” o dinheiro com tal produção e se compra produção com o dinheiro. Logo o dinheiro é um produto. Em grande parte do globo se produz para compra o dinheiro que são basicamente os produtos “dólar, euro, ouro” e estruturam suas economias, pois podem desta maneira digitalizar nos banco (silos de grãos) o produto dinheiro não podendo fazer o mesmo com produção. O EUA produz pouco em relação a outros países e se comprassem dinheiro com o que produzem, seriam um país pobre. Pensando nisto, após o desligamento com império inglês, o governo americano que é uma instituição financiada pelo publico e privado tiveram a brilhante idéia de comprar dinheiro com papéis. Estes que nada mais são que suas empresas parcialmente divididas em ações. O mundo caiu na armadinha de achar que papeis valem tanto quanto produção daí a existência e importância do Wall street. O Wall street é um campo fértil de papeis. Mas com o crescimento populacional, o mundo de hoje entendeu as duras penas que não se come papel, muito menos abastece o carro. As dívidas internacionais sempre existiram por diversos motivos, manter tropas no exterior, reestruturas países devastados por guerras conforme tratados internacionais, empréstimos gigantescos de bancos internacionais e etc, desde a criação do capitalismo que significa, captar, ter, obter. A divida atual do EUA é igual e tende a superar o PIB americano. Um país é igual a uma pessoa, se estamos com dívidas, caminhamos cortando de um lado para não faltar do outro. Mas se sua dívida mensal for igual ou superior ao seu salário? Ou você da o calote e come, ou paga a dívida e passa fome, ou rouba o vizinho, ou imprime dinheiro se puder. Note que o EUA praticam com freqüência as duas últimas opções. Tiveram a brilhante idéia de imprimir dinheiro sem produção ou até mesmo papéis(ações) já que roubar vizinho(guerra) não está resolvendo. Como qualquer produto, quando a produção supera a procura, o preço tende a cair, logo o dólar cai e continuara a cair enquanto a mentida dos papéis e falta de produção americana continuar. E onde esta a crise no final desta história? Quando temos muitas batatas e não vendemos por falta de procura, ela zera o valor e perde sua validade. O dinheiro não tem validade prevista, mais tem valor e se o dólar ficar abaixo do valor impresso = 1, temos batatas podres sem valor para jogar fora. E onde esta está a real complicação? O mundo inteiro vincula seu produto “dinheiro” e seu valor ao dólar. O mundo é um avião em pleno vôo e o dólar é seu pesado tanque de combustível, se tiver uma turbulência (crise) e parte do combustível não for descartado, não adiantará um bom piloto ou controles computadorizados, ele vai cair. Em outras palavras, dólar demais no mercado, batatas de mais nas prateleiras e combustível demais no avião em turbulência, já sabem.
    Luís Fernando.

    Caro Luis, nem mais nem menos.

    É o problema dos Estados Unidos e da Europa em geral. Nada já se produz, e o que é produzido é pouco exportado pois Dólares e ainda mais Euros custam muito.
    Por isso, viver significa só contrair dívidas.

    Obrigado!

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  4. Em Portugal já começaram a arrecadar as pensões doutros fundos: PT, Bancos, GNR, PSP, Serviços Sociais do Ministério da Justiça e ADSE.
    É caso para perguntar para onde foram os descontos de anos a fio dos contribuintes e beneficiários, o estado tudo comeu.
    Agora estou para ver com tanta gente a reformar-se quem vai pagar as reformas?
    Estou para ver o que isto vai dar.
    Creio que as coisas vão arrebentar cá e já no dia 24 de Novembro.

    A ADSE não tem dinheiro. Para onde foi o desconto das pessoas anos a fio, aumentaram agora as contribuições dos beneficiários. Se durante décadas a fio dava porque é que não dá agora?
    Alguém andou a comer o dinheiro.

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  5. Caro Mário,
    eu acho que em breve as preocupações de quem mora em Portugal irão desaparecer.

    Fase 1: PSI e PSD acabam de encontrar um acordo acerca do orçamento.
    Fase 2: O orçamento não é suficiente, reciprocas acusações entre os dois partidos.
    Fase 3: Conclusão da venda de Portugal ao FMI que entra e começa ordenar cortes.

    A partir desta altura as nossas preocupações desaparecem. De facto, quando ficas com nada, de que de preocupas?

    Abraço!

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  6. NunoSav26.10.10

    AHAH! Confirmo Max, eles até já falam duma data na televisão para quando tal irá acontecer, por volta de Março estimam que Portugal precise d'outro PEC ^^

    Alguém tem um bom livro de agricultura biológica que aconselhe? Começar a fazer pela vida (sem brincadeiras).

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