20 outubro 2010

Saudável? Não: ainda não doente

O leitor questiona a autoridade? Não consegue aceitar a sabedoria convencional? Fica irritado ao ouvir um político fazer uma promessa que não pode manter?

Em caso afirmativo, de acordo com a última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM), o leitor pode ser doente mental. Lamento ter que dar esta triste notícia, mas alguém tem que faze-lo.  

Estamos doentes. E muito.

Com esta nova revisão do Manual, os psiquiatras esperamos acrescentar dezenas de novos transtornos mentais.
Infelizmente, muitas das assim chamadas doenças têm como alvo pessoas que apenas pensam ou que têm uma atitude diferente da maioria da população.
 
Um caso exemplar é o "transtorno desafiador opositivo". O DSM define este transtorno como "um padrão persistente de comportamento desobediente, hostil e desafiador para as figuras da autoridade." Os sintomas incluem estar irritado, irritar as pessoas e ser susceptível. Outras "doenças" incluem o comportamento anti-social, arrogância, cinismo e narcisismo.  

Afinal parece que uma boa percentagem dos que frequentam este blog, autor incluído, é um doente mental. Como foi possível para nós ir em frente até hoje sem ajuda é um mistério.
 
Embora o diagnóstico das "vítimas" do "transtorno desafiador opositivo" é focalizado maioritariamente nas crianças, não há razão para que este não possa existir nos adultos. 
De facto, descobrimos que o "transtorno desafiador opositivo" pode evoluir até tornar-se "transtorno de conduta", que o Manual revisto define como "aquele em que os direitos dos outros ou as normas sociais são violados."  
Oooohhh...assim, também a violação das "normas sociais" é agora uma doença mental.
 
Interessante...vamos resumir.



Há uma longa e sórdida história de governos que usaram a psiquiatria para a  repressão social. Na União Soviética, centenas de prisioneiros políticos foram detidos em hospitais psiquiátricos. Lá, eram isolados das família e dos amigos e, em muitos casos, medicados à força.
 
A Alemanha nazista chegou a matar mais de 180.000 pacientes psiquiátricos.
 
As leis em muitos estados permitem que instituições de caridade em defesas das crianças possam cuidar dos filhos dos outros: na verdade, se os país não subministrarem medicamentos prescritos por um médico ou não sujeitarem os filhos à vacinação, podem perder as crianças, logo inseridas numa instituição.
 
Como observa o Washington Post: "Se um Mozart de 7 anos tentasse compor os próprios concertos hoje em dia, ficaria com um diagnostico de transtorno de hiperatividade e seria tratado até a estéril normalidade."
 
A conversão das diferenças da personalidade em transtornos e o tratamento psiquiátrico forçado das crianças é uma tendência perigosa. É só um pequeno passo até alargar o alcance destas leis para incluir os adultos que têm uma série de "comportamentos negativos, desobedientes, desafiadores e hostis com figuras da autoridade."


Novos pacientes procuram-se 
 
Além deste aspecto, há outro que não pode ser esquecido: a necessidade de novos pacientes.

Em Março de 2004, as maiores empresas farmacêuticas reduziram os limites das três doenças mais comuns no mundo ocidental: pressão arterial alta, colesterol e diabetes, criando, dum dia para outro, algumas centenas de milhões de "doente" novos.
Pessoas que estavam lindamente ao deitar-se, na manhã seguinte eram pouco mais que cadáveres ambulantes.
Hoje ser saudável significa não saber ainda de estar doente. E onde está a doença está o medicamento também.


Claro, de vez em quando surgem problemas antipáticos.

Vioxx,da Sharp e Dohme, foi retirado em Setembro de 2004, tinha um volume de negócios de 2,5 biliões de Dólares por ano.Estima-se que entre 1999 e 2004 causou 160.000 mortes por derrame cerebral e ataque cardíaco.Foi readmitido nos EUA por um comité de 30 médicos, 12 dos quais pagos pela mesma empresa farmacêutica.

Celebrex, da Pfizer, usado por 25 milhões de pessoas, com um volume de negócios de 3,3 biliões de Dólares.Já um estudo em Janeiro de 2005 mostrou uma quase duplicação das mortes por ataques cardíacos e derrames.Ainda está em circulação.

Bextra e Prexige: estudos recentes mostram um aumento do risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral para as pessoas que usam estes fármacos relativamente recentes..
 
Worst Pills
Dúvidas? Visite o site Worst Pills onde é presente a lista dos medicamentos que devem ser evitados. O site é em Inglês, por isso é preciso conhecer o idioma ou ter por perto uma pessoa que possa traduzir. Mas vale a pena, pois aparecem notícias que raramente ou nunca são divulgadas pelos media.
A propósito, há Ministérios da Saúde que deveriam fazer este trabalho...
Ipse dixit 
Nota: aconselho, sempre em tema de medicamentos e crianças, a ler o artigo publicado no passado 11 de Outubro: Drogar os filhos

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