14 outubro 2010

Viva os mineiros!

Os mineiros foram libertados, viva os mineiros!

Nos últimos dias os jornais de todo o mundo têm dedicado os principais títulos aos acontecimentos do Chile.

Justo, é justo que assim seja.

Na Grécia continuam as greves e os choques com a Polícia. Os cidadãos não suportam as medidas draconianas impostas pelo Governo de Atenas e pelo Fundo Monetário Internacional

Mas os mineiros, pois é, os mineiros. Coitadinhos, imaginem que obscuridade! E que frio!



Na França continuam os protestos contra a subida da idade da reforma: greves, manifestações.

Ah, eis os mineiros, com a directa televisiva. Olha, olha as esposas como choram!

Na Roménia protestos contra o Governo, cidadãos chegaram a sequestrar o Ministro das Finanças. Também em Bucarest o peso das medidas cai nos ombros das classes mais desfavorecidas.

O Papa, o Papa reza e fala dos mineiros! Que emoção!

Na Islândia, terra de 300.000 almas, os cidadãos em protesto pedem a demissão do Primeiro Ministro e um inquérito para apurar as responsabilidades dum governo que traiu a Nação para favorecer os bancos e as empresas privadas.

Mas meus Senhores, que obra, 700 metros de túnel, um prodígio, nunca tinha sido feito antes!

Protesto também na Irlanda, onde o Governo gastou um quinto do PIB numa só manobra para salvar os bancos privados.

E, finalmente, os mineiros estão livres!
Que dizem os mineiros? Dizem: Estamos salvos graças a Deus!

Como assim? Não tinha sido o túnel?

Foto: Público

2 comentários:

  1. NunoSav14.10.10

    AHAH eu gozei com o mesmo, "Estamos salvos, graças a Deus!" ao que eu respondo "*asneira* e os homens que trabalharam no túnel durante semanas? Sem graças? Não tem graça nenhuma de facto"

    Que dizias sobre protestos? Ah os mineiros foram salvos, ai meu deus!

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  2. Anónimo15.10.10

    Tragédia no Chile vira espetáculo midiático




    Tragédia no Chile vira espetáculo midiático

    Por Altamiro Borges

    Num forte apelo à emoção, visando algo bem mais concreto e palpável –, a audiência que gera lucros –, a mídia promoveu verdadeira overdose na cobertura do resgate dos 33 mineiros que, desde 5 de agosto, estavam enterrados nas profundezas do deserto de Atacama, do Chile. A tragédia humana foi convertida num verdadeiro espetáculo midiático. O show, porém, escondeu os reais motivos deste drama.


    O presidente do Chile, Sebastián Piñera, um dos mais ricos empresários do país, apareceu como herói do resgate, fotografado e filmado por veículos do mundo inteiro. Nada se falou sobre o fato do seu irmão, José Piñera, ex-ministro do Trabalho do ditador Augusto Pinochet, ter imposto as leis de flexibilização trabalhista em vigor no país. A precarizaçao do trabalho é uma das causas principais do desastre dos mineiros, que operam em péssimas condições de segurança.


    Uma história de heroísmo


    Pouco se falou também sobre a cruel exploração dos mineiros. Como descreve o escritor chileno Ariel Dorfman, a história da mineração no Chile é também a história de mortes e tragédias. A vida dos trabalhadores é de eterno heroísmo. “A epopéia dos homens que descem às trevas da montanha, separam minerais em meio à escuridão e sofrem um acidente que os deixa a mercê daquela escuridão, é parte do DNA do Chile, uma parte integral da história do meu país”.


    “O mundo maravilhou-se com a maneira pela qual os trinta e três mineiros confinados debaixo da terra de San José se organizaram em turnos, criaram uma hierarquia de mando e elaboraram um plano de sobrevivência usando os talentos e recursos acumulados ao longo de uma vida de trabalho tenaz. Eu confesso, em troca, não sentir surpresa alguma. É assim que os trabalhadores chilenos sempre resistiram e sobreviveram aos desafios mais formidáveis”, relata, orgulhoso.

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