18 novembro 2010

Ar pesado

Ar pesado, sem dúvida.

O anuncio da ajuda europeia serviu para acalmar os mercados e os juros das dívidas dos Pigs baixaram.

Mas os problemas não estão resolvidos. Adiados, não resolvidos.

E a União Europeia terá que enfrentar também o descontentamento de alguns dos Países membros.
A Áustria já fez saber que não ajudará a Irlanda, a Finlândia também está farta de ver o próprio dinheiro desperdiçado.

A Armada de Bruxelas começa a perder pedaços.

E a mesma Irlanda afirma que por enquanto não deseja a ajuda. Dublin tem medo de acabar como Atenas: presa na armadilha das ajudas do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. Cila e Charybdis assustariam menos.

Quem compraria os Títulos de Estado dos Pigs agora?




 O cenário possível

Se fosse preciso proceder a uma grande aquisição, o problema poderia ser resolvido entre os vários membros da União: um pouco de Títulos Irlandeses para a França, um pouco para a Alemanha, um pouco, para a Bélgica...

E os Títulos de Portugal? Um pouco para a França, um pouco para a Alemanha...

E os Títulos Gregos e Espanhóis? Um pouco para França...

Afinal não seria assim simples: haveria muitos Títulos para ser vendidos e os Países que podem comprar são sempre os mesmos.

Mas o problema seria ainda outro: vendidos como? Vendidos com as actuais taxas de juro? Teria de ser: vendidos segundo as regras do mercado.
Isso significaria vender com taxas insustentáveis.

É um cenário possível? Mais do que isso: é provável.

Os Títulos de Estado são vendidos com prazos, geralmente 3, 5 ou 10 anos. E os Pigs têm em circulação (isso é, já vendidos) Títulos cujos prazos acabam na maior parte dos casos entre agora e 2015.

Eis os prazos das dívidas dos Pigs:

Irlanda



Portugal



Espanha



 Grécia



Por isso, este Países terão que renegociar (vender outra vez) a maior parte da própria dívida (financiada com os Títulos) entre 2015.

Dito com outras palavras: o cenário logo descrito será realidade nos próximos 5 anos.

Soluções?

Por enquanto é possível ver só uma solução: um default. Em bom Português: uma moratória.

Os Estados, impossibilitados a pagar, assim falam: "Meus senhores, os pagamentos dos Títulos emitidos são suspensos. Não concordam? Paciência".
Pois a alternativa é a bancarrota.

A mesma coisa que fez a Argentina.

 A experiência Argentina

Que aconteceu no País do Sul América?
Exportações no mínimo e deficit crónico e insustentável. Uma receita letal.

A situação piorou a tal ponto que o País foi obrigado a declarar uma moratório para os pagamentos da dívida internacional.
Dito assim até nem parece grave. Afinal trata-se se adiar alguns pagamentos, ora essa.
Em verdade a coisa é bem pior.

Podemos ler Wikipedia para ter uma ideia do que se passou. E que talvez irá passar-se no Velho Continente também:

Houve violentos protestos de rua, que entraram em confronto com policiais e resultaram em várias mortes. O clima cada vez mais caótico, em meio a tumultos acompanhados por gritos de que "todos devem ir", finalmente resultou na renúncia do presidente de la Rúa.

Três presidentes seguiram em rápida sucessão, durante duas semanas, que culminou na nomeação do presidente interino Eduardo Duhalde pela Assembleia Legislativa em 2 de Janeiro de 2002.

A Argentina fez uma moratória de sua dívida internacional, e a ligação do peso argentino com o dólar foi rescindida, causando uma maior depreciação do peso e um aumento da inflação.

Duhalde, um peronista com uma posição de centro-esquerda económica, teve que lidar com uma crise financeira e socioeconómica, com uma taxa de desemprego de 25% no fim de 2002 e com o menor salário real em sessenta anos.

A crise acentuou a desconfiança do povo nos políticos e nas instituições.
Depois de um ano abalado por protestos, a economia começou a se estabilizar no final de 2002, e as restrições sobre as retiradas bancárias foram suspensas em Dezembro.

É este o futuro dos Pigs?
Talvez. As condições estão lá, todas.

Claro, se este sistema mudasse então mudaria também o futuro.


Stress test!!!

Mas o sistema não quer mudar. Aliás, piora, fecha sobra si mesmo.

A Federal Reserve dos Estados Unidos anuncia uma nova ronda de stress test, desta vez só na América.
Mas a situação é grave, e a Fed quer verdadeiramente saber o que se passa com os bancos dos EUA.

Desta vez não são suficientes os stress test bons para o desfile, os parâmetros serão bem mais sérios.

Por isso os resultados...não serão divulgados!

Surpreendidos? 
Não, já estamos habituados...


Ipse dixit.



Fontes: Intermarket&More, Wikipedia

4 comentários:

  1. NunoSav18.11.10

    http://www.youtube.com/watch?v=crjmlC466QI

    ResponderEliminar
  2. Lol, por acaso conhecia mas muito obrigado Nuno!

    São dois humoristas australianos, pena que a peça não esteja traduzida. Pois de forma simpática dizem muitas coisas interessantes.

    Quase quase vou traduzir eu...

    Abraço!

    ResponderEliminar
  3. Max,
    Por aqui, quando uma situação é muito difícil com perspectiva de ficarem mais difíceis ainda,dizemos que "é melhor amarrar as bocas das calças". Deu pra entender, né? É pra não passar o vexame de ver coisas mal cheirosas emporcalhando os sapatos.
    Desafortunadamente é o que os países mais fracos da Europa devem fazer.
    Quando a Argentina deu o murro na mesa, os juros pagos para os investimentos dos velhinhos aposentados da Europa chegava a ...
    pasme!... 500% a.a, com a paridade dólar-peso em 1:1. Coisas do FMI ou, para não perder o costume, da canalha bancária.
    O que quero dizer é que não há bonança depois da passagem do FMI e que estamos no final dos tempos atuais, falta apenas que Zapatero, José Sócrates,Brian Cowen, Cameron, Merkel et all declarem conjuntamente: "Que comam brioches". Esse episódio dos brioches, sabemos como terminou.
    Meu amigo, o que escrevi não é praga, nem desejo, é o mundo real.

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  4. Caro Gilson, escreves: "O que quero dizer [...] estamos no final dos tempos atuais".

    Concordo ao 100%, esta é a minha sensação também.

    Não sei o que vem a seguir, mas com certeza não existem condições para ir em frente assim ao longo de muito tempo ainda.

    Depois da Grécia, a Irlanda também está a ser vendida ao FMI, mesmo nestas horas.
    Depois será Portugal? Provável.
    E a seguir?

    Sabes qual o problema? É que o FMI chega com receitas velhas, desgastadas. A Grécia está pior, apesar das medidas drásticas impostas pelo Fundo.

    "Esse episódio dos brioches, sabemos como terminou."

    Exacto. Na Europa e nos Estados Unidos estamos sentados em cima duma panela de pressão. E ninguém sabe como desligar o fogão.

    Quando a panela começava a apitar, a minha avó costumava abrir a válvula para deixar sair a pressão.

    Hoje a válvula chama-se Irão.

    Abraço!

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