18 novembro 2010

Especial Nato: um décimo para salvar o SIED

Quanto custa a Cimeira da Nato? 10 milhões de Euros?
Não, 9 milhões e 640 mil, ao descontar os 5 meios blindados atrasados.

9.640.000 Euros. Tomem nota, s.f.f.

Agora falamos do SIED.
O que é isso?

Breve procura no Google e eis a página do site: em primeiro plano uma coruja com ar zangado.

Uma associação de ornitólogos revoltados? Não: o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa.
Nada mais, nada menos.



O SIED tem como objectivo
produzir informações visando a salvaguarda da independência nacional, dos interesses nacionais e da segurança externa do Estado Português.
e
coopera com os serviços de informações dos Estados membros da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Além disso, o SIED coopera com os serviços dos países da CPLP. Mas os laços de cooperação também se estendem, pela via bilateral e multilateral, ao Magrebe, Médio Oriente, Ásia, África Sub-Sahariana, América Latina e Oceânia.
Não é um serviço secreto, é um organismo do Estado responsável pela produção de informações que contribuam para a tomada de decisões por parte do poder político. Para tal, pesquisa, analisa e processa informações nas áreas económicas, sociais, políticas, securitárias, energéticas e militares de regiões e Países considerados prioritários na defesa dos interesses nacionais.

Tudo bem: mas que temos nós a ver com isso?

O facto é que, na mesma altura em que Portugal organiza a Cimeira da Nato, o director do Sied abandona o cargo. Zangado como um ornitólogo.

Porquê?
Por duas razões: uma logística-operativa e outra económica.

À primeira pertencem visões diferentes do serviço de informações. Há confusão na gestão da intelligence portuguesa: há pouco mais de um mês, um agente dos serviços de informação militar foi enviado para o Afeganistão, sem saber que no terreno já havia outro operacional do Sied.

O director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, Jorge Silva Carvalho, já tinha pedido uma revisão do sistema, para que os serviços de informação militar e civil operassem em conjunto. Mas da mesma opinião não era o governo.

Depois há o lado económico.
Os recentes cortes orçamentais obrigam o SIED a fechar 11 "estações" no estrangeiro. O que, para um serviço que opera maioritariamente fora dos confins de Portugal, é uma mutilação não indiferente.

De quanto foram cortadas as verbas do SIED? De 1 milhão de Euros.

Assim, enquanto o Estado gasta quase 10 milhões para organizar a Cimeira da Nato, perde o serviço de informações de defesa por 1.000.000 €

Dito de outra forma: um décimo do que foi investido nos dois dias da Cimeira teria sido suficiente para salvar boa parte da estrutura do SIED.

Excelente negócio.


Ipse dixit.

Fontes: Público, Antena 1, SIED

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