05 novembro 2010

Gripe & vacinas. Outra vez.

Outra vez?
Pois.

Um deja-vú?
Quase.

Retoma a discussão: aproxima-se o Natal e, entre as prendas indesejadas, aparece a gripe.
E qual a pior entre as gripes? A Gripe A, óbvio: um vírus, o H1N1, misterioso e que muda com extrema facilidade, como confirmam os operadores sanitários.

Por isso utilizamos uma vacina velha de um ano (!!!).

Neste artigo do Dr. Eugenio Serravalle, especialista em Pediatria Preventiva, Puericultura e Patologia Neonatale, o ponto da situação.


Vacinação: volta a discussão

O debate sobre a vacinação contra a gripe sazonal (que deve conter, além do H3N2 A/Perth e B/Brisbane, o famoso H1N1) parte outra vez, após o fracasso da campanha de vacinação do ano passado contra a influencia pandêmica, rejeitada pelos pacientes e médicos, as dúvidas e polémicas sobre a eficácia e a segurança da vacinação.
Nas últimas semanas, aprendemos que a Finlândia bloqueou a administração da vacina H1N1 com o medo duma relação entre a vacina e o aumento da incidência de narcolepsia (300% nos últimos seis meses entre crianças e jovens).
Também na Suécia, a Agência Nacional dos Medicamentos, após ter recebido inúmeras denúncias de casos de narcolepsia suspeitos de ser relacionadas com a vacina, informou a Agência Europeia da Medicina (EMA).


Uma Comissão de vigilância irá investigar acerca da relação causal, depois relatos similares de outros Países europeus como a Noruega, a França e a Alemanha.
A pandemia tem certamente conseguido uma vítima: a credibilidade da Organização Mundial da Saúde sofreu um sério revés, após a publicação do Relatório aprovado pela Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.
As acusações são de ter provocado um alarme excessivo sob a pressão das indústrias farmacêuticas, o que levou os governos a enfrentar uma pandemia, que não era perigosas, com a compra de grandes doses de vacinas e anti-virais, e a existência de conflitos de interesse dos membros do Comité de Peritos sobre a pandemia.
No entanto, nestes dias, como as lojas fazem estoques de mercadorias para a venda durante o Natal, da mesma forma as farmácias e os distritos de saúde estão a armazenar vacinas contra a gripe sazonal.  Juntamente com estes, inevitavelmente, chega a propaganda.
É tudo tão previsível: antes é o anúncio de que "todos devem ser vacinados".
Depois a notícia de quanto "é ruim" o vírus da gripe este ano.
Aparecem alguns números acerca dos doentes (quantas pessoas na cama com a gripe?) e algumas previsões catastróficas sobre as vítimas.
Inevitavelmente, teremos qualquer comunicação oficial das autoridades de saúde ou das diferentes associações de médicos e especialistas para encorajar todos a vacinar-se.
A publicidade comercial, directa ou oculta, diminuirá somente quando o estoque das vacinas começar a declinar.
Mas, enquanto as vacinas ainda estarem nos armazéns, a propaganda será agressiva e o marketing cada vez mais difundido.
Mas até a que ponto a vacina da gripe, para a qual a cada ano vemos que esta mobilização, protege contra a ameaça de acabar na cama com a febre?
A primeira coisa a lembrar é que a influência é impossível de distinguir de outras formas virais com base nos sintomas clínicos. É usado o termo de síndrome gripal (Influenza-Like Illness) para definir doenças semelhantes à gripe, entre as quais a verdadeira influência, para a qual existe uma vacina, representa aproximadamente 10% do total; e segundo alguns estudos apenas 6%.
Esta confusão é uma causa de distorção na avaliação do impacto social e da letalidade da gripe, que pode ser diagnosticada com certeza somente através de exames laboratoriais.
É esse equívoco que gera muita da propaganda: não é mencionado que a vacina só pode conferir imunidade contra o vírus para o qual é criada, mas não tem nenhuma acção contra qualquer um dos milhares de agentes infecciosos (cerca de 500 entre tipos e subtipos) responsáveis pelas doenças semelhantes à gripe, que são constituem a maior parte das patologias do Outono e Inverno.
Ao incentivar uma falsa esperança (com a vacina, neste Inverno nada de doenças) a indústria é capaz de aumentar o consumo do fármaco.
Sem a preocupação de investigar as características dessas doenças: porque se espalham no inverno?
Talvez porque esses vírus são mais activos com o frio e morrem com o sol?
Ou porque no Inverno as possibilidades de infecção são maiores, já que passamos mais tempo em lugares fechados?
Ou porque nessas épocas há menos exposição à luz do sol e é reduzida a síntese da vitamina D?
Outro aspecto crítico é a escolha dos tipos de vírus contidos na vacina. O vírus da influencia tem grande variabilidade antigénica e está sujeito a constante mutação.
Cada ano é uma versão diferente da anterior.
É por isso que cada ano a Organização Mundial de Saúde e os Centros de Controle de Doenças e Prevenção americanos fazem previsões sobre os tipos de gripe que circulam e decidem quais estirpes incluir na vacinação contra a gripe sazonal.
Só se houver uma correspondência exacta entre o vírus que circula e o vírus presente na vacina pode existir uma acção, caso contrário o efeito será zero. Ao seleccionar determinadas estirpes é formulada uma previsão, uma aposta que nem sempre é bem-sucedida: é suficiente uma mutação inesperada e a vacina é fora de jogo.
Além da propaganda dos produtores, os estudos realizados até agora foram reunidos em sete revisões sistemáticas que sintetizam as provas disponíveis para a qualidade metodológica. As evidências científicas mostram que:
  • As vacinas em crianças menores de 2 anos são tão eficazes quanto o placebo, isso é, nada;
  • Não há evidências de que as vacinas reduzam a mortalidade entre crianças e adultos;
  • A ausência do trabalho dos adultos é reduzida em cerca de duas horas apenas;
  • Não há correlação entre a incidência da gripe e redução da mortalidade e cobertura vacinal nos idosos institucionalizados.

E demonstrado que, durante duas epidemias (1968 e 1997), a vacina utilizada continha um vírus diferente do que realmente circulou e, portanto, era ineficaz para a gripe sazonal. No entanto, naqueles anos, a mortalidade atribuída à influência não aumentou. 
Em 2004, a produção de vacinas nos Estados Unidos foi insuficiente e a taxa de cobertura foi de apenas 40%, mas também neste caso o dado da mortalidade não aumentou.
A taxa de mortalidade entre os idosos na época invernal não muda desde 1989, quando apenas 15% dos norte-americanos e canadenses com mais de 65 anos era vacinados, enquanto hoje a cobertura desta "fatia" de população é de mais de 65%.
Estes são os dados concretos que refutam o dogma da eficácia das vacinas contra a gripe, um paradigma que ter de ser acreditado sem possibilidade de crítica.
De fato, as evidências de eficácia são fracas e as expectativas acerca dos benefícios não são realistas. A história da medicina está cheia de tratamentos inseridos na prática e na doutrina embora sem certeza de segurança e eficácia.
A vacina contra a gripe é um excelente exemplo da comunicação imperfeita entre a investigação científica e a prática médica.  A campanha de vacinação não é baseada em evidências científicas, mas no entrelaçamento da indústria que produz vacinas, as instituições que tomam decisões e comportamentos muitas vezes na sombra do conflito de interesses.

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  15. Bruzzone M.Grazia,Ricominciano le polemiche sui vaccini anti influenza.Lastampa.it
  16. Brownlee S. Lenzes J. Internazionale 2009 nov;36-44 

Fonte: Nexus
Tradução: Informação Incorrecta

1 comentário:

  1. NunoSav5.11.10

    O seguinte blog contém muito boa informação em relação a vacinas:

    http://octopedia.blogspot.com/

    E o já conhecido documentário sobre vacinação:

    http://www.youtube.com/watch?v=H4bhwgXsbzA

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