17 novembro 2010

Irlanda? Glu glu glu...

A Irlanda tenta a medida extrema: a ajuda da União Europeia.
O que significa abrir as portas para acolher o Fundo Monetário Internacional.

Não há surpresa.
Já no recente passado falámos das graves condições de Dublin e da manobra suicida levada a cabo pelo executivo irlandês: o salvamento dos bancos privados que custou um quinto do inteiro PIB do País.

Sem surpresas e sem novidades.
A elite política prefere investir até os últimos trocos para não deixar afundar as instituições financeiras privadas.

A conta? A conta está a chegar e será paga pelo povo irlandês.

Doutro lado, como não concordar?
Os governos repetem todos as mesmas frases: a falência dos bancos, de qualquer banco, arrastaria toda a economia do País no fundo do poço.

Uma teoria que ainda espera de ser demonstrada.

Entretanto a realidade é outra: os bancos (e os investidores privados) são salvos, o País está no fundo do poço.

Pois, é explicado, sem os bancos o que seria das poupanças depositadas pelos trabalhadores?



O que é verdade. Aqui só desejamos realçar a perversidade do sistema, no qual há três actores, dois com os papeis dos reféns (cidadão e Estado), um com o papel de quem pode ficar descansado, pois nunca pagou, paga ou pagará.

E Portugal?

Na televisão portuguesa é só um coro: Portugal está bem melhor do que a Irlanda.
Ainda não vimos os diários, mas com certeza  a música será a mesma.

Sim, as taxas de juro sobre a dívida são muito elevadas.
Sim, a dívida pública é alta.
Sim, há empresas que já recusam investir neste País.
Sim, temos estes e muitos outros problemas.
Mas não estamos mal como a Irlanda.

Esqueceram de acrescentar: "por enquanto".
Porque se é verdade, e é verdade, que a situação portuguesa é melhor da irlandesa, é verdade também que o "caso Irlanda" arrisca atropelar a frágil situação económico-financeira de Lisboa.
Os sinais neste sentido chegam da Bolsa de New York que ontem fechou com um pouco prometedor -15%.


Áustria: "Nein!"

E problemas surgem também no interior da UE.
O ministro das Finanças austríaco. Josef Pröll afirmou que os desenvolvimentos sobre as metas definidas por Atenas “não nos dão qualquer razão para aprovar a tranche de Dezembro.” Uma afirmação que foi encarada pelos investidores como uma ameaça de poder não participar com os 190 milhões de euros da parte que lhe compete para a tranche de ajuda que Atenas deverá receber em Dezembro.  
 Pânico.
 A Áustria não quer pagar? Uma fenda no dique?

"Mas não, estávamos a brincar", é a resposta de Viena:
Contudo fontes do gabinete do ministro das Finanças da Áustria já rejeitaram esta leitura e afirmaram, segundo o “Guardian” que “a Áustria espera que a Grécia prossiga as suas reformas tal como o acordado” e “sugerir que a Áustria está determinada em bloquear a ajuda é um mal-entendido.”

Meus senhores, temos dias bonitos pela frente.


Ipse dixit.

Fonte: Jornal de Negócios

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