17 novembro 2010

O Dólar de amanhã

A questão quente é ainda a dos Pigs, que estamos a tratar nestes dias.

Mas o mundo vai em frente, com ou sem Pigs.
E enquanto no nosso cantinho olhamos com desespero aos problemas caseiros que parecem os maiores do planeta, "fora" a vida continua e o futuro está a preparar-se.

Esta semana o Economist apresenta na capa um retrato de Mao, que com as mãos cheias de dólares prepara-se a comprar, um pedaço de cada vez, todo o Ocidente. Exagero? Nem por isso. Aliás, a capa é um claro convite à reflexão, embora o tema está longe de ser novo.

Sabemos que no Oriente as estratégias, por razões diversas, não são de curto prazo e existe a capacidade de gerir o tempo e não de sofre-lo.

Um breve resumo:
  • Em 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong para a China
  • desde 2004 é dado o direito de realizar depósitos em Yuan em Hong Kong
  • em 2009, são lançadas as primeiras emissões de obrigações denominadas em Yuans
  • em Março 2010, o premier Wen Jiabao manifesta publicamente a preocupação com os activos denominados em Dólares dos EUA
  • hoje, Novembro de 2010, nasce a proposta para abrir a negociação de acções denominados em Yuans, na praça em Hong Kong
O caminho parece prosseguir numa percurso sólido, provavelmente estabelecido há muito.



Enquanto hoje o mercado (além de preocupação para Pigs) sente o peso do possível maior rigor da política monetária na China, devido ao aumento da inflação que terá que descer mesmo à custa do crescimento, o governo chinês parece estar a preparar o terreno pouco a pouco para um Yuan mais "autoritário" nos mercados internacionais: até muito recentemente, o Yuan era rigidamente fechados dentro das fronteiras nacionais, era proibida a sua exportação e isso limitava a capacidade de obtenção de um IPO (Initial Public Offer, o início da participação duma sociedade na Bolsa).  

Fora dos tecnismos: a abertura é muito significativa, pois uma vez que estará operacional, cerca da metade das trocas comerciais entre a China e os Países emergentes deixarão de ser feitas em Dólares. A "nova" moeda será o Yuan, e China exportará não apenas mercadorias mas também acções.

Tudo isso ajuda a criar um mercado de negociação cada vez maior para o Yuan, afastando-o lentamente do controle do governo e da correlação com o Dólar, do qual o mesmo Yuan entende ocupar o lugar como moeda de referência internacional.

A valorização do Yuan será cada vez mais inevitável e cada vez mais interessante para a própria China: se realmente após a fase de angariação de fundos começará uma fase de compras no Ocidente, um Yuan mais forte tornará as aquisições ainda mais rentáveis.

Fonte: Bimbo Alieno

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