03 novembro 2010

O Partido do Chá

Tea Party: o partido do Chá.

Um fenómeno da Direita americana, em crescimento, que desenvolveu um papel de relevo nas eleições intercalares de ontem e que pode tornar-se ainda mais importante no futuro.

Para conhece-lo, nada melhor do que as palavras dum Americano: Stephen Lendman vive em Chicago e no seu blog é possível ouvir as gravações de Progressive Radio News Hour, programa no qual, com os seus convidados, discute da situação do País.

Eis o ponto de vista de Stephen acerca do Tea Party.



Tea Party

O Tea Party é, para utilizar a própria definição, um movimento  
de pessoas comuns que querem tornar os Americanos cientes de todos os problemas que ameaçam a soberania, a segurança ou a tranquilidade doméstica da nossa amada Nação, os Estados Unidos de América. Desde a nossa fundação, o Tea Party é a voz do verdadeiro proprietário dos Estados Unidos, o Povo.
Outro site tem o título de "Patriotas do Tea Party", residência oficial do Movimento dos Americanos Tea Party, uma comunidade que tem
o compromisso de ficar juntos, de cabeça erguida, ombro com ombro, para proteger o nosso País e a Constituição em que se baseia!
A missão tem como alvo "a despesa e a tributação excessiva do governo", salientando os "três valores essenciais da responsabilidade fiscal, do governo limitado constitucionalmente e dos mercados livres", termos que contém tudo o que é preconizado pelos seus partidários, incluindo a errada conexão com a Revolução do Chá, do século XVIII..


As Origens

Promovido como activismo das massas, o partido alcançou o reconhecimento nacional nos protestos no Palácio do Congresso em meados de 2009, e recebeu grande atenção dos media, contra o Obama-care (a reforma do sistema de saúde), os banqueiros e acusações de excessos fiscais.

Depois, no passado Fevereiro, a Convenção Nacional do Tennessee aumentou o alcance, destacando um programa para levar a América para a Direita, sob o pretexto da oposição popular à grande irresponsabilidade fiscal do governo. 

Como resultado, os extremistas recrutaram maioritariamente Norte-Americanos de renda média, que haviam perdido os seus empregos, a habitação e a segurança económica numa altura em que deveriam ter-se movido para a Esquerda, não para Direita: ao invés de culpar o governo, seria lógico exigir uma iniciativa para atender às necessidades do povo.

Isso não aconteceu.
Os demagogos aproveitaram de milhões de pessoas, com a ajuda do apoio diário da Fox News e dos seus condutores. Entre estes, Glenn Beck, Bill O'Reilly e outros falam contra o governo, promovendo uma agenda extremista, espalhando o medo e aumentando as próprias fileiras de acólitos, que na maioria dos casos não sabem que os próprios interesses são assim comprometidos e não ajudados.


Quem financia?

Os irmãos Kochs
Sourcewatch.org encontrou os fundadores do Tea Party, citando um artigo de Jane Mayer, do New Yorker do 30 de Agosto de 2010, que menciona David e Charles Koch, os proprietários bilionários da Koch Industries, um conglomerado privado da energia com interesses na agricultura, finanças e outras iniciativas empresariais.

Em 2008, Forbes definiu-a a segunda empresa privada americana após a Cargill, com uma receita anual de cerca de 100 biliões de Dólares.

De acordo com Mayer: "O fervos anti-governativo que permeou as eleições de 2010 representam um triunfo político para os Kochs. Ao dar dinheiro para "educar", financiar e organizar os manifestantes do Tea Party, ajudaram a transformar o próprio programa privado num movimento de massas. "

Os Kochs aproveitaram as massas, moldando, controlando e canalizando a revolta popular em favor da própria politica.
 
A força do partido deriva também dos milhões de Dólares das fundações conservadoras, financiadas pelas ricas famílias americanas e pelos seus interesses comerciais.

As mais importantes neste sentido são a Americans for Prosperity (AP) e Freedom Works (FW, presidida pelo ex-líder da maioria republicana, Dick Armey), que promovem a mesma linha dura de direita dos outros apoiantes, dos Kochs e dos líderes do Tea Party.

Em Abril de 2009, ThinkProgress.org disse que AP e FW eram os principais organizadores do Tea Party, descrevendo-os como "grupos de peritos financiados generosamente pelos lobistas", e que forneciam a logística e os esforços a nível nacional. Media Matters, David Koch fundou Citizens fos a Sound Economy (CSE), antecessor de FreedomWorks.

Por seu turno, a Koch Industries nega qualquer ligação entre FW e Tea Party, afirmando apenas que "aprecia a liberdade de expressão, e acredita que é bom ter mais Norte-Americanos envolvidos em questões-chave". No entanto, Koch admitiu financiar a AFP.


O efeito da Fox

O poder dos medis é tudo, e até o compromisso mais forte acaba desperdiçado sem esta fundamental ajuda. 

Fox fornece ajuda em abundância, apoiada desde o início pelos seu fieis extremistas, que incluem "trechos exibidos com frequência nos quais imploramos o público para se envolver com os protestos do Tea Party em todo o País", como afirma Karl Frisch de Media Matters.

Ainda pior, a Fox hospeda Glenn Beck, Neil Cavuto, Greta Van Susteren, Sean Hannity, e outras pessoas que participaram activamente nos protestos.

A Fox serve literalmente como porta-voz do movimento, promovendo cortes de impostos para os ricos que passam como benefícios universais. Além disso, os grupos envolvidos querem militância espontânea para o sucesso, mas de acordo com Chris Good de The Atlantic:

O seu panorama organizativo inclui três grupos conservadores de nível nacional, com programas ligeiramente diferentes.

Enfatizam uma situação "de baixo para cima", e que o sucesso deles é verdadeiro. Os blogueiros conservadores, os talk shows, e outros meios de comunicação uniram-se ao movimento com papéis marginais.
 
Mesmo os grandes jornais têm falado disso. Por exemplo, o New York Times definiu o Tea Party como "um grupo de massa difundido em toda a América, delineado com sentimentos anti-governativos", escrevendo que "desceu nas ruas um ano atrás ", escondendo assim a verdadeira hierarquia de controle.
 

Em 10 de Outubro, os repórteres do Washington Post Dan Balz e Jon Cohen intitularam "Atrás do Tea Party: o que os Americanos realmente pensam do governo", escrevendo: "o tema dominante das eleições de 2010 é quanto o governo deve ser grande, e quanto tem que entrar nas vidas das pessoas. Numa votação nacional Washington alcança uma suficiência escassa"

"Eu acredito que menos o governo nos governa, melhor é para nós.", e os números sugerem que muitas pessoas pensam como esta mãe dona de casa: está convencida de que a América está a tornar-se socialista, quando, na verdade, está fortemente inclinada para a direita, Obama é melhor do que Bush neste aspecto, mas disfarçando tudo com o populismo ou uma variante do mesmo. 

No entanto, a cobrança dos créditos, a situação económica difícil, o medo do público, a credulidade, o forte apoio financeiro, os media e propaganda comparticipam no sucesso do Tea Party.

Num ensaio fotográfico, intitulado "Símbolos dos protestos do Tea Party", a revista Time evidenciou isso, mostrando multidões que agitam cartazes e escrevendo: 
Alguns dos manifestantes chegaram por si só, mas muitos eram filiados do Tea Party Express, um tour que atravesso o País passou por mais de 30 cidades, organizou manifestações para protestar contra os custos fora de controle, os resgates de empresas em falência, o escasso crescimento e o poder do governo 

O Tour de Balão de ar quente dos Norte-Americanos para a Prosperidade, o Primeiro Tour de Autocarro, o American Energy Express da American Energy Aliliance, bem como eventos nacionais antes das eleições de Novembro...  

Os apoiantes do Tea Party esperam que as manifestações e as vitórias-chave possam servir para solidificar uma força política poderosa, dirigidas por e para a hierarquia de elite, e não defensores do povo, iludido e enganado novamente, como no passado.



Fonte: SteveLendmanBlog
Tradução e adaptação: Informação Incorrecta

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