16 novembro 2010

Ou Euro ou Morte

Prossegue a linha do terror escolhida pela União Europeia: ou Euro ou morte.

A UE já existia antes do Euro.

Aliás, parecia funcionar bem melhor antes da escolha duma moeda única: cada País tinha a própria economia, cujas escolhas eram harmonizadas com as dos restantes Países.
Sempre na óptica do respeito da soberania nacional.
Mas já não é assim. 

Porquê?
Isso não fica explicado. O que interessa é o cenário apocalíptico para assustar os cidadãos: pois as medidas "curativas" (isso é, os cortes) devem ser aceites por todos. De preferência com um sorriso nos lábios. 


Então eis as declarações do presidente da União, Herman van Rompuy.

Estamos confrontados com a crise pela nossa sobrevivência. [...] Temos que trabalhar todos em conjunto para permitir que a zona euro sobreviva. Porque se a zona euro não sobreviver, a União Europeia também não sobreviverá.
E mais: os Estados não irão sobreviver, nem as vossas casas. A Europa será transformada num deserto institucional, onde bandas de ogros poderão vaguear livremente, destruindo, raptando, violando.
Nas palavras de van Rompuy é possível vislumbrar a verdade absoluta: não há alternativa. Ou a Zona Euro sobrevive assim como é, ou a União simplesmente deixa de ser viável.

Tudo está perdido?
Não, para boa sorte há sempre uma esperança. Hollywood ensina.
Mas estou confiante de que iremos ultrapassar
Ah, que alivio...

Seria bom que van Rompuy explicasse o que a União e os seus chefes do Banco Central Europeu fizeram ao longo dos anos para evitar uma situação como esta.
Seria bom que van Rompuy explicasse como anos de "olhos fechados" nas práticas orçamentais permitiram que Países da União ficassem com dívidas públicas assustadoras.
Seria bom que van Rompuy explicasse também o papel das várias Goldman & Sachs, que incentivaram e lucraram com estas dívidas sem que de Bruxelas houvesse vozes contrárias.
Seria bom que van Rompuy explicasse quais as medidas tomadas pela União ao longo das décadas contra um sistema económico-financeiro que, afinal, é a verdadeira causa da actual crise.

Mas van Rompuy estava com pressa e não tinha tempo para os pormenores.
Fica para a próxima vez, de certeza.

Ipse dixit.

Fonte: Público

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