25 novembro 2010

Resgate da Irlanda. E depois?

Depois da anunciada ajuda do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, na Irlanda começam os cortes.

- Subida do Iva até 23% e redução da despesa em 10 biliões de Euros.

- Despedimentos: serão eliminados 24.750 lugares de trabalho no sector público.

- O salário mínimo nacional será revisto (em baixo, obviamente) e os ordenados dos novos empregados será cortados em 10%.

- Os apoios sociais sofrerão um corte de 2,8 mil milhões de Euros, 3 mil milhões a educação, a saúde e a agricultura, 3 mil milhões o investimento público.

- Todas as taxas irão subir, com uma única excepção: os impostos sobre os lucros das empresas. 

Isso porque, como explica o ministro das finanças Brian Lenihan,
A Irlanda irá acabar as próprias disponibilidades financeiras a partir de meados de 2011.
Dito de forma ainda mais clara: o cofre está vazio.



Até quando?

Já falámos do caso Pigs em mais de uma ocasião, não há novidades neste sentido: a Irlanda não é nada que não tenha sido previsto.
O problema é a atitude da União Europeia, que continua a enfrentar esta crise com situações pontuais e parece não ter um plano de médio ou longo prazo.

A Grécia fica sem dinheiro? A UE corre e deposita biliões nas contas de Atenas.
A Irlanda fica com os cofres vazios? A UE corre e deposita nas contas de Dublin.
Portugal? Temos de esperar um depósito nas contas de Lisboa também?

Pode chamar-se esta uma estratégia? Esta é a estratégia dos bombeiros, que acorrem onde há fogo. Mas das Mentes Pensantes de Bruxelas (e não só) é lícito esperar mais.

Porque a União Europeia não pode ser uma serviço de urgência; porque já alguns dos Países Membros começam a ficar fartos; e porque o jogo pode ter vida breve.

Grécia, Irlanda, até Portugal são Países pequenos, com pequenas economias.
Mas a Espanha?

Madrid tem 955 biliões de dívida em mãos estrangeiras, o que representa 90% do PIB. Em caso de ajuda europeia, estamos a falar de algo na casa dos 300-400 biliões de Euros: e onde pode ser encontrado todo este dinheiro?!?

Esta ideia não é só de Informação Incorrecta, pois a falta duma estratégia é evidente.
Jim O'Neill, presidente de Assets Management de Goldman Sachs: 
O resgate da Irlanda não resolve os problemas da moeda. Até quando não houver uma solução na base, até quando a União Europeia não decidir sentar-se à mesa com os parceiros políticos, como será possível esquecer dos problemas de Portugal e Espanha?
Nesta situação, Bruxelas é refém dos mercados e das grandes empresas; as quais têm bom jogo perante a falta dum projecto abrangente.

Alemanha e França pedem para que os impostos sobre as multinacionais subam? As multinacionais retiram os próprios fundos dos bancos irlandeses como retaliação, como admitido pelo primeiro Ministro irlandês, Cowen.

E o massacre vai em frente.
Uma solução?

Graham Turner, do site independente de pesquisa económica GFC Economics, afirma que a solução para resolver o problema dos Países mais fracos na UE poderia ser a seguinte: Alemanha fora do Euro e com Áustria, Finlândia e Holanda criação dum novo bloco com o Marco como moeda.

Os outros 12 Países poderiam assim desvalorizar o Euro para encontrar um saída para a crise.

Pode ser uma ideia. Talvez não uma excelente ideia.
Sem dúvida melhor do que a falta de ideias de Bruxelas.

Ipse dixit.



Fonte: Jornal de Negócios, GFC Economics

4 comentários:

  1. NunoSav25.11.10

    Nigel Farage sobre o mesmo tópico:

    http://www.youtube.com/watch?v=cNq4hP4eMwg

    e já agora um episódio interessante no parlamento europeu:

    http://www.youtube.com/watch?v=IEOkK42bPrg

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  2. Sim toda a gente fala dos PIGS e da Inglaterra?
    Ninguém fala?
    E dos protestos ocorridos esta semana com os estudantes do ensino superior quando lhes disseram que iam triplicar o valor das propinas?
    E da venda da Floresta de Sherwood?
    Ninguém fala...?
    Caro Max...
    Ninguém fala como andarão as contas dos restantes membros da UE...
    Agora parece-me é uma coisa que essa gente das agências de rating ainda não pensou se nós cairmos Max e disso sei do que falo, a Espanha vai atrás no mesmo dia ou nos dias a seguir tal é a interdependência económica e a seguir vai a América Latina (eles só viram as contas da perspectiva macroeconómica europeia...
    Mas desta vez, parece que não é só os PIGS...
    A Islândia há uns anos atrás também era um país muito sólido depois foi o que se viu.
    Para não falarmos dos EUA.
    Provavelmente só a Alemanha escapará a esta hecatombe e ficará orgulhosamente só quando tudo cair.
    O colapso espreita...
    Para onde foi o dinheiro?
    O dinheiro evaporou?


    Um abraço Max

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  3. Este Nigel Farage está cada vez mais interessante, admito.

    Quanto ao segundo episodio: provoca-me uma certa pena ver esta cambada de idiotas, que não percebem (o fingem não perceber) a real importância deles (que fica perto da casa do zero absoluto), gastar o próprio tempo com assuntos bons para manifestações na rua (Viva a Democracia! Abaixo o fascismo!) taberna, mas que são triviais numa altura em que inteiros Países afundam na crise, no desemprego.
    Uma das coisa interessante deste vídeo é que as palavras de Martin Shulz ficaram para trás: mas Shulz tinha feito uma afirmação extremamente grave, há Países que querem (e que trabalham) para a morte do União!

    Muito obrigado Nuno!

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  4. Boa pergunta Mário: para onde foi o dinheiro?

    De facto, o "ataque aos Pigs" tem também a função de distrair as atenções que, caso contrário, ficariam concentrada na penosa situação do Reino Unido e não só.

    Disto temos que agradecer a União Europeia que, coma a falta de estratégia, deixa os próprios membros nas mãos dos mercados, sem protecção.

    Porque fique claro: a intervenção da BCE e do FMI não é uma protecção, é em primeiro lugar uma declaração de falência e um modo, também, para controlar de forma apertada a economia dos Países.

    Portugal, assim como a Grécia e a Irlanda, tem o azar de não ter feito nada para cuidar da própria situação. Continuou a somar dívida sobre dívida, na esperança que o jogo pudesse ir em frente para sempre ou quase.

    Mas claro, estes Países são apenas a ponta do icebergue, porque na verdade todo o sistema sempre foi baseado neste princípio. Espanha, Italia, até França têm pouco para ficar descansados.

    Basta ver a situação dos EUA para perceber.
    Com uma diferença: se cair Portugal quem paga são os Portugueses, se cair Washington o estrondo vai ser bem maior...

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