02 novembro 2010

Um, Cem, Mil Terroristas

O que está a acontecer nestas horas é bastante curioso.
E não deixa de ser preocupante.

Enquanto no Yemen o parlamentar Abdel Nehary sugere que os pacotes-bombas escondam uma manobra para influenciar os eleitores americanos e penalizar o presidente Obama, eis que de repente quase o mesmo esquema aparece no Velho Continente.

Pacotes explosivos numa companhia de entregas, com vários destinos: o presidente francês Sarkozy, algumas embaixadas estrangeiras na Grécia.




Um dos pacotes, entregue por dois homens vestidos com colete à prova de bala (sempre o mesmo estilo: nunca dar nas vistas...), explode no escritório da companhia e os dois homens são capturados.

E se o leitor já suspeita do Quase Génio do Mal, o americano Anwar al-Alwaki, desta vez não está certo: a policia de Atenas afirma estarmos perante atentados de matriz comunista e anárquica.
Mas sim, afinal estrema esquerda e anárquicos não são a mesma coisa?

As bombas foram encontradas também nas embaixadas da Suíça, da Bulgária e do Chile (outras fontes falam da Rússia). O dispositivo da embaixada suíça chegou mesmo a explodir, sem causar danos.

Não é difícil perceber o porque do atentado contra a Suíça (bancos, capitais, etc.): mas o Chile? A Bulgária?
As outras bombas encontradas desta vez num posto dos correios, tinham como destinos as embaixadas da Holanda, da Bélgica e do México.

Algumas observações, enquanto ficamos à espera de novos pormenores:
  • O esquema, como já referido, é o mesmo utilizado por Al-Qaeda nos últimos dias. Curioso.
  • Os alegados terroristas de certeza não são profissionais do crime.
  • A intenção não era matar: mesmo ao explodir, os dispositivos causam bem poucos danos.

Talvez estamos perante um simples acto demonstrativo e nada mais.

Talvez não seria mal observar que tudo isso acontece num País controlado pelo Fundo Monetário Internacional: a tensão social atinge picos preocupantes após as medidas económicas draconianas introduzidas.
E cedo ou tarde aparece alguém que, exasperado, decide passar de simples observador para protagonista. Com efeitos devastadores.

Mesmo assim, uma história esquisita.

Actualização

Afinal as bombas nas embaixadas eram mesmo cinco: Suíça, Holanda, Bulgária, Chile e Russia.

Entretanto um pacote suspeito, partido da Grécia, foi entregue no gabinete da Chanceler alemã, Angela Merkel. A qual, entretanto, encontra-se na Bélgica em visita oficial.

Segundo o diário Die Zeit, o pacote continha mesmo explosivo.  

Ipse dixit.


Fontes: Público, Diário de Notícias, Die Zeit

3 comentários:

  1. NunoSav2.11.10

    Todos estes últimos eventos foram definitivamente jogadas politicas de pequena dimensão, "fiquem em casa, as ruas são muito perigosas.", "se for para a rua protestar tenha cuidado com os gandulos que andam a partir as montras". Medo medo medo...

    O que a mim me deixa nervoso é o facto de que temos um império (Americano) na ruína, tem duas guerras activas e continua a gastar mais no sector da "defesa" que todo o mundo junto. É de esperar que um império com o poderio militar (mais tecnológico que outra coisa) mais vasto no planeta se deixe cair sem lhe dar uso? Muita gente fala das previsões do WebBot, eu não vou por aí, os factos são bastante claros e não é preciso ser-se bruxo para ver que algo irá acontecer. Cada vez há mais pessoas despertas à corrupção e começam a ver a conspiração que existe. Portanto a máquina militar está a ficar sem fans e os governos não escapam, as pessoas começam a falar contra e isso aperta o cinto de quem controla acelerando as possibilidades a que estamos sujeitos.

    Não quero incitar medo mas têm de concordar que tudo isto traz uma certa ansiedade. Isto leva a pensar que tudo está para acontecer nos próximos tempos o que me parece um erro porque, se olharmos para trás vemos que tudo foi feito com paciência e não à pressa pondo em risco um eventual despertar do povo ao que se passa (embora eles tenham acelerado bastante na UE após o tratado de Lisboa).

    Portanto e concluindo acho que para já vamos ter a economia como meio de destruição principal e talvez para o ano quando a pressão nos governos por parte dos povos for bem maior talvez eles criem o evento que lhes sirva de desculpa para unir o povo e mandar o pessoal para a guerra.

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  2. O WebBot irrita-me.

    E quanto ao resto, sim, acho que para já a jogada é no plano económico: de facto temos três guerras em curso: as de tipo "convencional" e a económica.

    Esta última é terrivelmente complicada.

    Eua e China estão ao rubro, apesar dos sorrisos de fachada. O suposto Quantitative Easing 2 tem, entre os vários objectivos, também o de perturbar as exportações chinesas.

    A União Europeia está num ponto de viragem e as próximas escolhas (ou, mais do que isso, os próximos acontecimentos) serão decisivos para perceber qual o futuro do Velho Continente.
    Aqui a situação é muito confusa.

    De facto, os Países ocidentais têm que sair duma situação de grave impasse.

    Acho um conflito inevitável, Israel não perdoa.

    Mas concordo, não será imediato. Uma guerra agora seria um risco muito elevado: risco económico e interno, pois numa situação tão deprimida não é possível estar certos das reacções dos cidadãos.

    E os cidadãos estão muito zangados e desiludidos, na Europa e nos EUA também.
    Somar uma guerra ofensiva aos graves problemas económicos poderia ser a "palha que quebra o camelo" (encontrei isso no Google!).

    Esperamos: a Primavera traz as andorinhas, pode trazer os bombardeiros também.

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  3. NunoSav2.11.10

    Algo para substanciar o acelerar de algo que levara ao inevitável, até o contido Ron Paul o diz..

    http://www.youtube.com/watch?v=gFazD7taEgI

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