04 novembro 2010

Um Mundo demasiado pequeno.

Ao ler os jornais ou, pior ainda, ver a televisão, podemos descobrir como o Mundo seja em verdade um lugar bem pequeno.
  • No continente americano existem os Estados Unidos, o México quando qualquer traficante matar 30 ou 40 pessoas, o Brasil, a Venezuela e a Colômbia. Ah, o Chile também quando alguém ficar preso no fundo duma mina.
  • Na Europa existe a União Europeia, a Rússia e a Ucrânia cada vez que cortar o gás.
  • No Médio Oriente Israel, óbvio, a Palestina e o Irão: ganha popularidade o Yemen como novo centro do terror enquanto Iraque está a perder interesse.
  • Na Ásia temos a China, a Coreia do Norte e o Japão, raramente a Índia, enquanto os outros Países ficam famosos só em ocasião dum tsunami.
  • Na África, a Argélia ganhou fama em ocasião dos atentados terroristas, mas já está em pleno declínio; mesma coisa passa-se com o Sul África que depois da Taça do Mundo nada mais pode dizer. Ah, o Egipto também por via das pirâmides, bonitas.
  • Na Oceania não há ninguém, provavelmente nem é habitada..  

Este é o mundo dos media e, de reflexo, o nosso mundo.

Acontece, pelo contrário, que o mundo seja bem maior do que isso: só que não estamos interessados.




No Sudão, guerra civil ou referendo
 
A provável secessão do sul. Os ventos de Guerra. O longo caminho (tudo a ser feito) do censo eleitoral. 

Tudo isso parece pertencer à uma galáxia longínqua: mas, apesar da falta de notícias, acontece aqui, mesmo ao lado, num País da África do Norte. 
Nada menos do que o maior País africano.

Poucos meses separam  o Sudão dos dois referendos que podem levar à secessão do País O Sul está novamente à beira duma guerra civil por causa alegado adiantamento da votação, devido ao grande atraso no recenseamento eleitoral.

Embora o desinteresse dos media, a atenção da comunidade internacional sobre  estas importantes eleições, que poderiam levar à divisão do maior País da África e em qualquer caso, perturbar a actual ordem geopolítica, é total. 

Também por isso  a Comissão Europeia decidiu recentemente atribuir um pacote adicional de ajuda humanitária, no valor total de 17 milhões de Euros pata o Darfur e o Sudão meridional.

Fundos que, pouco antes do referendo sobre a autodeterminação da região, serão utilizados para fazer face aos eventuais distúrbios e crises que podem surgir antes e depois da votação. Isto eleva a contribuição da União Europeia até 131 milhões de Euros, em apoio de Karthoum, a capital do Estado.

Todos os líderes mundiais estão muito interessados que a votação possa ter lugar na maior regularidade e transparência, principalmente o presidente dos EUA Barack Obama que definiu a questão do Sudão como uma prioridade da política externa.
 
Durante a assembleia geral da ONU, em Setembro passado, foi longamente debatido o "caso" Sudão. A esperança é de conseguir aplicar o acrdo de paz (o Comprehensive Peace Agreement  – CPA) que em 2005 sancionou o direito da autodeterminação do Sul do Sudão e terminou uma guerra de 20 anos que tinha provocado mais de dois milhões de mortos e quatro milhões de refugiados.


Os dois referendos

O temor de que a votação possa ser adiada ou contestada e reactivar assim o conflito, preocupa os principais actores da região.remonta sobre os principais actores da região. 

Ainda tem que começar o censo dos seis milhões de eleitores no sul, que em principio votarão maciçamente em favor da independência.
 
Além disso, a comissão eleitoral  para o referendo de Abyei, que irá determinar se a região de fronteira com o estatuto de autonomia ficará junta ao sul ou ao norte, ainda não foi estabelecida. As votações deveriam acontecer perto do 09 de Janeiro de 2011. 

Estas e outras questões levaram a um duro confronto entre o Partido do Congresso Nacional do Norte (NCP), do presidente Omar Hassan al Bashir, e o Exército Popular para a Libertação do Sudão (Spla), do sul, que tem declarado o fracasso das negociações sobre as regras para a votação no passao do dia 12 de Outubro. 

Para o PCN, os dois referendos deveriam ser adiados de três a quatro meses, ou mesmo deveria ser preciso encontrar uma alternativa ao voto. Totalmente contrário o Spla, que não aceitaria um adiantamento por causa do risco duma explosão de violência no País. 

Por isso, o Sul do Sudão não exclui a possibilidade de organizar o referendo, mesmo sem o Norte, o referendo, sob a supervisão da comunidade internacional. 

Não por acaso, são cada vez mais persistentes os rumores de que alguns Países ocidentais já terem acordado com o Governo de Juba o reconhecimento dos resultados dum referendo unilateral. Este é apenas o último dos elementos que poderias desencadear um novo inferno no Sudão..


Fonte: Limes
Tradução e adaptação: Informação Incorrecta.

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