22 dezembro 2010

A morte enriquece

O vosso avô é velho? E tem um seguro de vida?
Ora bem, chegou a altura de pôr o velhote a render.

Peguem no seguro (se o avô oferecer resistência podem ameaça-lo), liguem para a empresa Life Partners, vendam o seguro e fiquem com o dinheiro. Com o qual podem sempre comprar uma prenda (não muito cara) para o velhote, que afinal merece uma parte (pequena) do dinheiro.

Esta é a ideia dum novo business que está a florescer nos Estados Unidos. Empresas como Life Partners apostam na morte do beneficiário do seguro. Como é que ninguém ainda tinha pensado nisso?

De facto faz sentido: qual a graça em receber o dinheiro uma vez mortos? Fica mais simpático antes, não depois de ter deixado este mundo.

E porque não investir na morte? Pois é disso que estamos a falar.



O aspecto ainda mais mórbido é que Life Partners não compra o seguro de vida da pessoa idosa: convence investidores a compra-lo. E quando o velhote morrer, o investidor fica com o valor do seguro. Entretanto, claro, o idoso recebe logo o dinheiro, sem ter de morrer por isso.

Desta forma, o investidor que adquire o seguro torce para a morte do velhote. Quanto mais depressa este morrer, de facto, tanto maior será o lucro, pois os valores reembolsados descem com o passar dos anos.

E se o velhote não morrer? Pode ser um idoso teimoso. E malcriado também, pois desta forma o investidor perde dinheiro. Mas não muito, pois cedo ou tarde o velhote morre. Por isso é só esperar que a Natureza faça o trabalho dela..

Mas quem é Life Partners?
É uma empresa sediada no Texas e avaliada na Bolsa de Wall Street, fundada por Brian Pardo. Que, com esta ideia, ganha 1.061.637 Dólares por ano. Nada mal para um coveiro.

As acções da Life Partners começaram com um valor de 2-3 Dólares, mas nos últimos dois anos ganharam bastante e agora alcançaram os 18 Dólares. Em 2010 o útil líquido será de 29 milhões de Dólares.

Agora é só esperar para ver qual será a próxima fronteira da decência que a Bolsa conseguirá atropelar.
 
Fonte: Life Partner, Forbes.

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