07 dezembro 2010

Só para lembrar

Em Rebelion, Alberto Montero Soler avança com algumas perguntas.
Boas perguntas.

Tem algum sentido o facto do Banco Central Europeu continuar a emprestar dinheiro aos bancos com um interesse de 1, 75%, enquanto o rendimento que os mesmos bancos recebem da especulação com a dívida pública espanhola de 10 anos, por exemplo, já ultrapassa 5%?

E os interesses que os Irlandeses irão pagar, que ultrapassam 6%?

Quem, senão os bancos e os seus fundos de investimento e de pensões são os principais beneficiários da política do Banco Central Europeu?

Até quando Trichet (presidente do BCE) vai continuar a exigir reformas em outras áreas além da monetária, sem tratar dos problemas que derivam deste último sector?



Boas perguntas, tal como afirmado.

Parece quase, e digo "parece", que os Bancos afinal são uma espécie protegida.

Protegida por quem? Talvez pelo Banco Central Europeu.

De facto, continuamos com um equivoco de fundo. Vivemos numa União Europeia, com uma economia gerida pelo Banco Central Europeu. E como todos estes Europeus acaba com o ser normal pensar que União e BCE sejam a mesma coisa. Que uma entidade administre outra, e vice-versa, que operem com as mesmas bases.

Mas é bom lembrar que assim não é.
De vez em quando é bom realçar que União Europeia e Banco Central Europeu são duas entidades separadas e distintas.
E não faz mal sublinhar que enquanto a UE é um organismo eleito (em mínima parte) pelos cidadãos da União, o Banco Central é eleito...pois, quem elege os representantes do BCE?

Mais: quem manda no BCE?
A União Europeia? Imaginem...

Para os mais esquecidos: o Banco Central Europeu é formado pelos representantes dos bancos nacionais dos vários Estados Membros da UE.
Mas os bancos nacionais dos vários Estados Membros da UE (com algumas, bem poucas, excepção) são empresas de "capital aberto", cujas acções estão nas mãos dos bancos privados.

Os mesmos bancos privados que ficam beneficiados com a politica monetária do BCE.

E o círculo se fecha.

Por isso, a última pergunta de Soler torna-se retórica: "qual o peso específico dos cidadãos em tudo isso?"

Pois...


Ipse dixit.


Fonte: Rebelion

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