22 dezembro 2010

Uma estátua muuuuito grande

Enquanto os diários europeus estão a entreter-se com a vaga de frio (horror, frio em Dezembro, quem poderia ter imaginado!) e os brasileiros publicam sondagens que em nada mudam a realidade (governo de Dilma será melhor ou igual ao de Lula para 83%? Sim, e agora?), algo de muito esquisito está a passar-se.

O Wall Street Journal de ontem publicou a notícia pela qual um único comprador adquiriu 3 biliões de Dólares de cobre. 

Mais ou menos 300.000 toneladas de metal, pouco menos do que todo o cobre "armazenado" na Bolsa de Londres. Isso aconteceu no princípio do mês.

O que podemos fazer com esta quantia de metal? Em verdade pouco: uma estátua muuuuuuito grande, por exemplo. Ou algo de mais pérfido. 
Tipo? Tipo adquirir a matéria prima para depois controlar o preço.



E, de facto, o preço do cobre continua a subir, tendo já ultrapassado os valores máximos de 2008.


Os mesmos. Sempre os mesmos.  

Mas quem pode ter o interesse em manipular o mercado?
O Telegraph revela o nome do comprador: JP Morgan.
O quê??? Sim, ainda uma vez: um dos mesmos. Sempre os mesmos. Parece não poder existir algo de obscuro no planeta sem a presença deles.

Então mudamos de pergunta: o que faz JP Morgan com 3 biliões de cobre? Outra vez: uma estátua muuuuuito grande? Improvável.

Mais prováveis são duas hipóteses:

1. JP Morgan está a preparar um produto derivativo baseado no cobre. 
Atrai os clientes com a promessa de grandes lucros, pois o preço do metal está a subir, e muito. 
Uma vez vendido o derivativo em razoável quantidade, JP Morgan vende o cobre, ganha um dinheirão, o cobre perde valor, quem comprou o derivativo perde boa parte do investimento.

2. A segunda possibilidade é um pouco mais complexa. Neste caso JP Morgan, Goldman Sachs e HSBC (Los Bandidos) estão a "empurrar" o preço do cobre para favorecer a extracção da prata. Pois a prata é um subproduto da extracção do cobre e JP Morgan precisa desesperadamente de prata por causa de acordos com a Federal Reserve.

Seja como for, a história faz lembrar a do cacau, no Maio passado. Passou despercebida pois na altura o tema principal era a Grécia com os seus problemas económico-financeiros. Mas também neste caso houve um misterioso comprador que adquiriu 50% do cacau disponível, para depois vender tudo e fazer ruir o mercado do cacau.

Interessantes os comentários ao artigo do Telegraph: muitos dos leitores pedem para que as autoridades prendam os gestores da JP Morgan (o que, dito entre nós, não seria má ideia), outros pedem a pena de morte reintroduzida só para eles.

Moral da história

Esta história é interessante por duas razões.

Em primeiro lugar mostra como o mercado seja refém das decisões de poucos.
É suficiente que alguém acorde uma manhã com a vontade de comprar uma matéria prima, para que o valor desta dispare. Agora acontece com o cobre, o que não tem grandes repercussões na nossa vida. Mas não existe só o cobre. 

Tudo isso sem controle, sem regras, sem limites.

A seguir: isso pode dar uma ideia de futuros desenvolvimentos para a nossa sociedade. Sabemos que os recursos não são ilimitados: quando uma matéria prima atingir o limite de produção, alguém pode comprar tudo e ter refém o resto do mundo. 

Tudo isso, ainda uma vez, sem controle, sem regras e sem limites.


Ipse dixit.


Fontes: Jornal do Brasil, The Wall Street Journal, The Telegraph,

2 comentários:

  1. Maaaax, isso é muito esquisito!
    A estátua está fora de cogitação com certeza...rs...

    Mas vem bomba por aí, essa quadrilha não dá ponto sem nó! Quando apertarem o botão, descobrimos.

    Ótimo post!

    Grande abraço

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  2. LOLOL,
    obrigado Ravena e um grande abraço!!!!

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