31 dezembro 2010

Profecias para 2011

31 de Dezembro: é altura dum artigo épico.

Um daqueles artigos que deverão guardar religiosamente, para mostrar aos netos. E, com as lágrimas nos olhos, dizer "Eu, netinho meu, eu li estas palavras no dia em que foram publicadas".

Prontos? Vamos.

Epicamente podemos dizer que o nosso sistema politico-económico atingiu um ponto delicado: um ponto de viragem.
Começou com a queda do Muro de Berlim, continuou com a expansão militar dos Estados Unidos no Médio Oriente, a crise de 2008, a erosão da Zona Euro, e a subida duma nova potência na cena mundial: a China.
Sem esquecer outras realidades quais Índia, Brasil e Rússia, que no futuro poderão ter um papel cada vez mais importante e até decisivo.

Mas voltamos aos Países Ocidentais: após quatro séculos de liderança, Estados Unidos e Europa "sentem" que chegou uma altura em que é preciso avançar com escolhas. A crise começada em 2008 demonstrou não ser uma das tantas crises típicas do sistema capitalista, mas algo de mais profundo.

O fim do capitalismo? Não. Por duas razões, pelo menos.

A primeira é que não há uma alternativa ao capitalismo.
Não podemos acordar um dia e dizer "Tudo bem, basta com o capitalismo, vamos com um novo sistema". Para acabar com um sistema é preciso optar por um outro: e qual? Este é o problema.
China e Rússia, como já referimos no passado, podem ser o berço dum novo tipo de sociedade.
"Podem", mas por enquanto não são.

Marcha Lenta nas ruínas



Recebo do amigo Mário Nunes (Kafe Kultura) e publico:

Caro/a Amigo/a

Entre Serpins e Coimbra existia um sistema de transporte ferroviário a funcionar há mais de um século que garantia o transporte da população dos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, de e para o centro de Coimbra.

Este sistema ferroviário foi uma das alavancas do desenvolvimento do concelho de Miranda do Corvo. A par da Lousã, Miranda é dos poucos concelhos do interior que tem tido crescimento populacional.

30 dezembro 2010

Cui prodest?



No passado dia 27, Informação Incorrecta publicou um artigo (O dinheiro do povo) com o qual era referida a nova normativa que abrange o pagamento das coimas aplicadas aos partidos políticos.

Segundo um artigo do diário Público (O Chefe prevarica, o partido paga, o Estado devolve), do jornalista Nuno Sá Lourenço, as multas dos partidos podem ser inscritas na voz "Despesas" dos partidos políticos e subvencionadas pelo Estado.

Resultados: críticas, mail de protestos, até a "honra" do nome do blog aparecer no já citado diário. Que se passa?

Passa-se o seguinte: os partidos políticos negam de maneira firme a citada interpretação da lei, enquanto o Público e outros insistem.

29 dezembro 2010

Populista e popular. E brutos.

Um termo que sempre me irritou profundamente: populista.

O governo de David Cameron, Primeiro Ministro do Reino Unido, tem uma ideia: lançar petições na internet, de modo que os cidadãos possam escolher alguns temas a ser tratados no Parlamento.

Uma primeira tentativa de democracia directa. Só uma tentativa, mas mesmo assim um começo.
A proposta do governo britânico já provocou grande controvérsia porque, dizem os críticos, petições populistas, como a reintrodução da pena de morte ou a saída da Inglaterra da União Europeia, poderiam obter um grande apoio e causar problemas ao governo liderado por David Cameron. Diz uma fonte anónima entrevistada pelo Guardian:
Nós apreciamos o velho princípio do website da Downing Street, mas esta técnica de consenso é pouco edificante. Devemos encontrar uma forma mais eficiente e madura para envolver o público em geral a interagir com o Governo e o Parlamento.
Portanto, utilizar internet para que os cidadãos possam escolher temas que o Parlamento deve tratar não é uma forma suficientemente "madura".

28 dezembro 2010

Não pensem, votem!

Imaginem ter um software instalado no vosso computador.

Este software vigia internet, sem parar. Quando aparece uma votação inerente a um assunto de vosso interesse, o software alerta e direcciona o vosso navegador directamente para o site ou blog da votação, de forma que seja possível exprimir a opinião logo a favor das vossas ideias.

Vocês nem conhecem o site, blog ou fórum em questão, simplesmente entram, votam e saem.
Desta forma nem uma votação escapa.

Grande seca, não é?
Mas quem pode ser assim estúpido de inventar ou até instalar um software destes?

Resposta: os israelitas. E o software existe: chama-se Megaphone.

Mors tua vida mea

É Natal, todos somos bons. Todos ou quase.

Os Estados Unidos, por exemplo, decidiram ser maus. Embora, para ser honestos, mais do que uma escolha é uma questão de sobrevivência.
Nestas últimas semanas as agências de rating voltaram ao ataque. As agências de rating, é bom lembrar, têm sede nos Estados Unidos.

27 dezembro 2010

A nossa passividade

Farto-me de falar mal da política portuguesa e europeia no geral.
Mas, pelos vistos, "fora" não é que as coisas estejam muito diferentes: embora seja preciso apontar as diversidades, que são importantes.

Fernanda (e Demosthenes também?) realça a seguinte notícia, trata da Folha:

Estudantes sobem rampa do Planalto em protesto a reajuste no Legislativo e Executivo
Cerca de 80 estudantes subiram a rampa do Palácio do Planalto para protestar contra o aumento salarial de mais de 60% concedido a deputados e senadores e que gerou efeito cascata em todo o país.
Eh? 60%? Mas não será demais?
O Congresso aprovou no último dia 15 o projecto que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil.
De acordo com o texto, deputados e senadores terão um reajuste de 61,8%, uma vez que recebem actualmente R$ 16,5 mil, além dos benefícios.
Ah, 61,8%, agora sim faz sentido...
No caso do presidente da República e do vice, que recebem atualmente R$ 11,4 mil, o reajuste será de 133,9%. O aumento dos ministros será maior ainda, já que eles recebem R$ 10,7 mil.
...mas 133,9% é ainda melhor.
Os parlamentares, o presidente, o vice e os ministros estão sem reajuste desde 2007. A inflação no período, porém, foi inferior a 20%. O PSOL foi o único partido a manifestar posição contrária.

O dinheiro do povo

Oh, jingle bells, jingle bells, jingle all the way.

O período natalício é perigoso. A História é cheia de exemplos: as pessoas estão distraídas e os governos aproveitam a ocasião para fazer passar os piores medidas.

Um nome aleatório: Portugal.
Os cidadãos estão ocupados: há que arrumar as prendas recebidas e pensar no réveillon do dia 31.  
Assim a gasolina pode atingir níveis que no ano passado, mas longe do Natal, desencadearam fortes protestos. Com a diferença que agora nada acontece.

E hoje outra noticia simpática, boa sobretudo para todos aqueles ainda convencidos de que "o meu partido é que é, os outros são todos ladrões".

O Partido Socialista (PS, no governo), com o apoio do Partidos Social-Democrata (PSD, oposição), estabeleceram que as multas dum partido político podem ser inscritas nas "despesas". O Presidente da República (Cavaco Silva, PSD) obviamente promulgo a lei, e o Partido Comunista Português (PCP, oposição) será o primeiro que poderá usufruir da nova normativa: uma multa de 30.000 Euros (irregularidade nas contas) será agora inscrita na categoria "despesas" do partido.

23 dezembro 2010

Boas Festas!!!

Tem que ser: Informação Incorrecta entra numa "espécie" de pausa. 

Não desaparece totalmente, mas os artigos aparecem com um ritmo muito mais calmo. É o Natal. 

 

Para todos os Leitores, 

para todos os colegas blogueiros:


O desespero

Adrian Sobaru, um electricista da televisão estatal romena, subiu ao topo duma varanda do Parlamento romeno, em Bucareste, durante uma sessão que acerca do voto de confiança para o primeiro-ministro Emil Boc.

20 pontos de reflexão

É quase Natal, um ano está perto de acabar e outro de começar.
Tempo de resumos.

Fiquem descansados: nada de reflexões pseudo-filosóficas.

O Banco Mundial - Parte I



Bretton Woods não existe. No sentido que não há nada: é só o nome duma localidade do New Hampshire, no Norte dos Estados Unidos.
Circundada pela floresta do White Mountain, pode contar apenas com duas construções: a Mount Washington Cog Railway, uma ferrovia de montanha, e o Mount Washington Hotel. Nada mais do que isso.

No entanto, Bretton Woods é lembrada nos livros de História por causa duma conferência: entre os dias 1 e 22 de Julho de 1944, 730 delegados de 44 Países reuniram-se no hotel para decidir o futuro económico do mundo. E conseguiram.

22 dezembro 2010

Viver para sempre

Sinto-me confuso hoje, 
parece que as regras mudaram de novo. 
Porque na minha vida tento com fadiga 
fazer tudo para ficar saudável. 
E viverei para sempre, 
cada vez uma nova manhã, 
viver para sempre, 
mais outra manhã.

É Natal: tempo de prendas, de passar o nosso tempo com a família, no calor das nossas casas.
É tempo de ser melhores e generosos.
Vamos falar de morte.

A morte enriquece

O vosso avô é velho? E tem um seguro de vida?
Ora bem, chegou a altura de pôr o velhote a render.

Peguem no seguro (se o avô oferecer resistência podem ameaça-lo), liguem para a empresa Life Partners, vendam o seguro e fiquem com o dinheiro. Com o qual podem sempre comprar uma prenda (não muito cara) para o velhote, que afinal merece uma parte (pequena) do dinheiro.

Esta é a ideia dum novo business que está a florescer nos Estados Unidos. Empresas como Life Partners apostam na morte do beneficiário do seguro. Como é que ninguém ainda tinha pensado nisso?

De facto faz sentido: qual a graça em receber o dinheiro uma vez mortos? Fica mais simpático antes, não depois de ter deixado este mundo.

E porque não investir na morte? Pois é disso que estamos a falar.

Uma estátua muuuuito grande

Enquanto os diários europeus estão a entreter-se com a vaga de frio (horror, frio em Dezembro, quem poderia ter imaginado!) e os brasileiros publicam sondagens que em nada mudam a realidade (governo de Dilma será melhor ou igual ao de Lula para 83%? Sim, e agora?), algo de muito esquisito está a passar-se.

O Wall Street Journal de ontem publicou a notícia pela qual um único comprador adquiriu 3 biliões de Dólares de cobre. 

Mais ou menos 300.000 toneladas de metal, pouco menos do que todo o cobre "armazenado" na Bolsa de Londres. Isso aconteceu no princípio do mês.

O que podemos fazer com esta quantia de metal? Em verdade pouco: uma estátua muuuuuuito grande, por exemplo. Ou algo de mais pérfido. 
Tipo? Tipo adquirir a matéria prima para depois controlar o preço.

Natal, tempo de lixo

E após o Natal histórico, eis o Natal pragmático.

Todos os anos deitamos no lixo 25 milhões de toneladas de alimentos comestíveis.

Um total que corresponde à metade das importações de alimentos da África. Cerca de 18 milhões de toneladas são deitadas a partir de casas particulares, lojas, restaurantes, hotéis e empresas de alimentos.

O restante é destruído no caminho entre o produtor e as lojas. E isso tem um custo: cerca de 37 biliões de Euros, para não mencionar o desperdício dos recursos e dos danos ambientais.

Um verdadeiro murro na cara da miséria, e que ao longo dos 15 dias de festividades irá tocar o seu pico.
Em Italia, por exemplo, entre almoços de Natal e de Ano Novo, sem esquecer o Dia de Reis, vão acabar no lixo mais de 500.000 toneladas de alimentos, cerca de 25 por cento da despesa total em alimentos na altura natalícia.
Na prática, por cada 4 pizzas, uma acaba no lixo.

21 dezembro 2010

Bom 2017!

Eu duvido.
De quê? De tudo.
Por exemplo: em que ano estamos? 2010, quase 2011?
Será? E porque não 2018, quase 2019?

"Coitado", pensará nesta altura o leitor, "deve ser o cansaço".

Esperem, pois a eventual resposta não é secundária: por exemplo, pensem em tudo o que foi escrito acerca de 2012. Os Mayas, a profecia, o Fim da Era. E se o 2012 fosse já história?

Fora de controle



O que é um derivativo?

É um contrato definido entre duas partes no qual definem-se pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços dum activo de mercado. Em resumo, podemos dizer que um derivativo é um contrato cujo o valor deriva dum outro activo.

Por isso é definido como "derivativo", pois o valor "deriva" de outro bem.

Parece simples. Mas não é.

Divertidos

Notícia curiosa hoje: a agência de rating Moody's ameaça cortar a avaliação de Portugal.
Numa nota divulgada hoje, a Moody’s, que cortou recentemente o rating da Irlanda em cinco níveis e que ameaçou baixar a notação da Grécia e de Espanha, coloca a dívida portuguesa sob revisão para possível corte, alertando que poderá chegar a dois níveis.

A decisão da agência de notação financeira prende-se com três factores identificados no documento, de entre os quais as “incertezas quanto à vitalidade da economia portuguesa no longo prazo, que podem ser aumentadas por causa da austeridade orçamental”.

Além disso, a Moody’s mostra-se ainda preocupada com as dificuldades de Portugal em aceder ao mercado de capitais a um preço “sustentável” em 2011, prevendo que o país tenha de continuar a pagar um preço elevado para se financiar.
Paramos e pensamos.

20 dezembro 2010

Aonde? E explodiu.

A notícia não é nova, mas não deixa de ser curiosa.

Após mais de três anos de combate e quase 2.400 mortes militares dos EUA no Iraque, quase dois terços dos americanos entre 18 e 24 ainda não conseguem localizar o Iraque numa mapa.

Não é brincadeira: são os dados duma pesquisa conduzida em 2006 pelo National Geographic, o Roper Public Affairs 2006 Geographic Literacy Study. 

Decepcionante, pois a falta de conhecimentos não limita-se ao mundo "exterior", mas abrange o próprio País: o estudo constatou que menos de seis meses após o furacão Katrina ter devastado Nova Orleans e da costa do Golfo, 33 por cento não poderia apontar a Louisiana num mapa dos EUA.

O quadro do conhecimento geográfico dos diplomados no sistema de ensino dos EUA é sem duvida sombrio.

Jin (ouro)

Porque os Chineses estão a comprar tanto ouro?

Em 2010, foi a procura anormal da China um dos factores importantes no aumento dramático do preço do ouro. O ouro subiu cerca de 26 por cento este ano e a maioria dos analistas espera que aumente ainda mais em 2011.

Assim, a China está a comprar ouro em alta velocidade, pois é visto como um bom investimento ou existem outros factores em jogo?

Os Chineses consideram o ouro como um refúgio contra a inflação?

O ouro acaba de se tornar muito mais atraente do que as moedas de papel, como o Euro e o Dólar?
Ou a China está a preparar-se perante o iminente colapso financeiro, que muitos economistas prevêem?

Testes à vontade


Sabem os milhares e milhares de ensaios clínicos que são realizados ao longo de décadas, os que comparam novos medicamentos com com os placebos?

Bem, os resultados desses testes não podem ser considerados válidos, pois os estudos não podem ser considerados científicos.

E por quê? Porque os placebos utilizados nos testes não eram indiscutivelmente "placebo", tornando assim os estudos cientificamente inválidos.

Esta foi a conclusão a qual chegaram os pesquisadores da Universidade da Califórnia, que publicaram as descobertas no número de Outubro de 2010 de Annals of Internal Medicine.

Examinaram 167 testes de placebo com base em nos placebo, publicados nas revistas médicas entre 2008 e 2009, concluindo que 92% deles nunca descreveram os ingredientes do placebo utilizados.

E porque isso é importante?

Porque nós assumimos que os placebos são substâncias inertes. Mas assim parece não ser.

19 dezembro 2010

A bonança

Os jornais do Velho Continente continuam a falar da vaga de gelo.
Devem ser os efeitos do aquecimento global, é por isso que temos tanta neve.

Pena que não encontrem um pouco de espaço para uma outra notícia interessante.
Olhem para o seguinte gráfico, mostra a velocidade média dos navios comerciais:


Que acontece? Perigo icebergues?
Nada disso, pois a realidade é muito mais prosaica.

18 dezembro 2010

A destruição dum Estado

As notícias acerca da Grécia desapareceram das primeiras páginas dos diários.

Os títulos são para o frio, o grande frio, o excepcional frio. O frio normal, pois afinal estamos perto do Natal e não lembro dalguma vez ter ido à praia para abrir as prendas.
Talvez isso seja normal para os leitores do Brasil e de Angola. Mas acreditem: no hemisfério Norte isso nunca aconteceu.

Times, Guardian, Telegraph, até os caseiros Público ou Diário de Notícias: todos falam do frio.
Óbvio, depois há notícias locais.
Na Inglaterra o pensamento é para o filho de Lady D, que afirma pensar sempre na mãe.
Em Portugal o perigo é para uma erupção nos Açores.
Mas acerca da Grécia nada.

É justo que assim seja.
Atenas nesta altura é um laboratório. E como em qualquer laboratório que se preze, a curiosidade fica fora.
A entrada é só para o pessoal especializado.

A Federal Reserve - Parte IV



Quarta e última parte do artigo dedicado à Federal Reserve.
Boa leitura!

O verdadeiro rosto da Federal Reserve

Até aqui história e estrutura da Federal Reserve, o mais importante banco central do mundo.

Mas pode surgir uma dúvida: estamos em 2010, quase 2011, os tempos mudaram, não será precisa hoje uma organização de super-controle e regulação? Uma organização como a Fed?
Afinal o mercado demonstrou de não ser capaz de se auto-regular. Se nos Estados Unidos fosse implementada uma estrutura de controle, cedo ou tarde os outros Países também acabariam por adequar-se: afinal os EUA ainda é o mercado de referência.

Esta pergunta é legitima e implica muitas reflexões.
Vamos tratar só de duas.

17 dezembro 2010

Estamos a perder tempo

Vladimir Bukovsky, um ex dissidente da antiga União Soviética de 63 anos, tem  um medo: será que a União Europeia está a tornar-se uma nova URSS? Não comunista, claro: mas totalitarista.

Num discurso em Bruxelas na semana passada, Bukovsky definiu União Europeia como um "monstro" que deve ser destruído o mais depressa possível, antes que se transforme num verdadeiro estado totalitário.

Bukovsky é um dos heróis do século XX. Quando jovem, tinha denunciado o uso do internamento psiquiátrico forçado dos presos políticos na antiga URSS e foi por 12 anos (1964-1976), nomeadamente desde os 22 anos de idade até os 34, nas prisões soviéticas, campos de trabalho e hospitais psiquiátricos.

Em 1976 foi expulso do País e encontrou refugio no Ocidente. Em 1992 foi convidado pelo governo russo como perito para depor no julgamento realizado em Moscovo, para determinar se o Partido Comunista soviético tinha sido uma instituição criminal.

Para dar-lhe a oportunidade de preparar o processo, Bukovsky obteve o acesso a um grande número de documentos nos arquivos secretos soviéticos.

Ele é, portanto, um dos poucos que foram capazes de ver estes documentos, que ainda são segredo. Usando um pequeno scanner e um computador portátil, conseguiu copiar muitos documentos (alguns top secret), incluindo os relatórios do KGB para o governo soviético.

Ketchup global

Paramos com as más notícias e vamos falar de comida. Comida que faz mal, óbvio.

Não este ketchup..
O ketchup. Quem não gosta do ketchup?
Bom, eu na verdade não sou um grande apreciador, mas é um dos condimentos mais vendidos em todo o mundo.

Afinal um pacote de ketchup é uma coisa banal. Nos fast-food até é dado de graça.

O ketchup é o exemplo perfeito de quanto doentia possa ser a nossa economia.

Em 1989, o Instituto Sueco da Alimentação e Biotecnologia fez um estudo acerca do impacto do condimento no meio ambiente e na saúde humana. E os resultados foram surpreendentes.

O estudo tinha como alvo a marca de ketchup mais vendida no País.

Os tomates, ingredientes base da preparação, eram cultivados em Italia: normal, deve ser bem difícil fazer crescer um tomate em Estocolmo. Eram depois transformados num molho espesso para serem transportados.

E aqui começam as surpresas.
Os sacos assépticos para o transporte do molho eram fabricados na Holanda. O que é esquisito: não havia sacos na Italia ou na Suécia?

Hell(as)



Pergunta Bruno: como anda a Grécia?

Justa observação. Afinal foi o primeiro Pais a ser vendido ajudado pela Dupla Maravilha, FMI e UE.
Isso aconteceu em Maio, há quase 7 meses, nesta altura deveria ser possível observar os primeiros resultados da cura.

E de facto é possível.
Aquilo que parecia um País à beira do abismo, graças ao tratamento milagroso, tornou-se um pequeno paraíso. Deve ser por isso que nunca chegam notícias: é para evitar vagas de ciumes. Se os Europeus estivessem informados acerca da situação grega, todos queriam ser socorridos.
E, claro, não há espaço para todos.  

A Federal Reserve - Parte III



Terceira parte do artigo acerca da Federal reserve.
Boa leitura!

3. Como funciona
Basicamente, não há poder nos Estados Unidos e em todo o mundo ocidental que não seja influenciado pela Fed.

É da Fed que saíram, entre outros, os projectos e a criação de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Grupo dos Sete Países mais industrializados (G7), o Grupo dos 20 (G20) e uma série de organismos de tipo cultural, científico e educativo, especialmente nas universidades dos ricos (todas pagas) onde educamos jovens para ser depois utilizados como directores de empresas multinacionais.

Acerca destes opinou recentemente o Presidente do Brasil Lula da Silva:
Estou cansado de viajar para ouvir homens de 30 anos que explicam o que devemos fazer no Brasil, quando nem sequer sabem onde fica.

16 dezembro 2010

A panela de pressão



A pressão sobe.

Foi Roma, mas antes tinha sido Londres, e Barcelona, e Madrid, e Paris.
Por enquanto são manifestações isoladas, nada que a policia não possa controlar.

Quando a  panela de pressão começava a apitar, a minha avó costumava levantar-se para baixar a chama do fogão. Era o simples remédio para evitar que a pressão subisse até valores indesejados. E a cozedura continuava com chama lenta.

Porque agora a chama não pode ser baixada? Porque não é possível voltar ao nosso mundo onde poucas pessoas enriquecem de forma absurda enquanto todos somos obrigados a consumir cada vez mais e até agradecemos por isso?

A Federal Reserve - Parte II



Segunda parte do artigo acerca da Federal Reserve. 
Aprimeira parte pode ser encontrada neste link.
Boa leitura.

2. Quem é a Federal Reserve?

Mas quem realmente é o dono da Federal Reserve, o banco central dos EUA?

A resposta parece óbvia: deveria ser uma instituição pública, independente do governo.
Mas não: é privada e os seus accionistas são os grandes bancos dos EUA.

Sim, os mesmos bancos que a Fed salvou um ano e meio atrás, de acordo com o Tesouro, após ter imprimido vagões de dólares e Títulos de Estado, arrastando os governos e as instituições centrais do mundo ocidental na mesma direcção, com consequências que hoje conhecemos bem: a explosão da dívida pública nos Países mais avançados.

É como se a controlar a Federação dos árbitros fossem as equipas de futebol.

15 dezembro 2010

Exposição e abismos

Uma interessante tabela do BIS, Bank for International Settlements: mostra a exposição dos bancos em relação aos Pigs, os Países da União Europeia em risco.

 (clicar na imagem para aumentar)

Com dados assim não é difícil perceber porque os Pigs DEVEM ser salvos, em qualquer caso.

Nem todos os manifestantes são iguais



Dia de confrontos ontem em Roma. Graves confrontos.

As razões? As mesmas das outras manifestações no resto da Europa.
Nada de especial: criam-se as condições para que haja um forte descontentamento entre a população e depois, surpresa!, a população fica descontente.

Ontem houve feridos, cerca de 90, entre os demonstrantes e as forças policiais. Nenhum morto, mas foi um milagre.

E hoje é polémica.
Entre as muitas fotografias publicadas, algumas demonstram que entre os manifestantes havia agentes infiltrados. Provocadores?

FMI em Portugal: provavelmente sim e não

Notícia importante hoje: o FMI em Portugal, pela segunda vez!

Vamos ler o que diz o diário Público, tem que ser:
Uma delegação do FMI, proveniente de Washington, chegou na semana passada a Portugal, para uma visita que envolveu reuniões com várias entidades.[...]
Na semana passada? E a notícia sai apenas hoje?
Sempre em cima dos acontecimentos...
Uma das reuniões foi com o presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, confirmou o próprio ao PÚBLICO, e envolveu dois representantes do FMI. No entanto, Silva Peneda remeteu eventuais explicações sobre o assunto para o Banco de Portugal. O Banco de Portugal não participou na reunião com Silva Peneda, mas poderá ter participado noutras.

A Federal Reserve - Parte I



A Federal Reserve, também conhecida como Fed: o maior banco central do mundo. 
Por enquanto, claro.

Como nasceu? Qual a sua história?
O artigo que segue não quer ser exaustivo: só relata os acontecimentos essenciais duma instituição que, afinal, influencia de forma determinante a economia do nosso mundo.

1. A história

Antes da Federal Reserve existiram outros dois bancos centrais nos Estados Unidos.

First Bank Of United States
A primeira tentativa foi a First Bank Of United States, fundada após uma reunião do Congresso com não pouca resistência em 1791.
Funcionou tão bem que em 1811 a licença não foi renovada.

A segunda tentativa aconteceu em 1816, com a Second Bank of United States.
Também esta foi um sucesso, ao ponto de Andrew Jackson ter ganho as eleições presidenciais com a promessa de fecha-la. Coisa que efectivamente fez.em 1836.

Poucos anos antes, Thomas Jefferson tinha afirmado:
Se o povo americano alguma vez permitir que os bancos privados controlem a emissão de moeda, primeiro pela inflação e depois pela deflação, os bancos e as empresas que surgem tirarão ás pessoas a prosperidade até que filhos acordem sem casa no continente que os seus pais conquistaram.

14 dezembro 2010

A escolha da Índia - Parte II



Segunda e última parte do artigo acerca da Índia.
A primeira parte pode ser encontrada aqui.

Reposicionamento estratégico? 

No entanto, a posição da Índia está a tornar-se mais complicada e exigem uma análise muito complexa.
 
Os acontecimentos do Afeganistão nas últimas três décadas tiveram um grande impacto na política externa da Índia e continuam a produzir efeitos.
 
A ascensão do Talebães em meados dos anos 90 teve como resultado uma aproximação de Nova Deli com Teheran e Moscovo, Países muito activos no apoio à chamada Aliança do Norte, facão não pashtun contra o regime Taliban.
 
Após a ocupação do Afeganistão pelos EUA e os seus aliados em Outubro de 2001, a Índia foi um dos Países mais activos na reconstrução do Afeganistão e é actualmente um dos maiores doadores do governo de Cabul.
 
As boas relações com o governo liderado por Karzai, que acabou os seus estudos na Índia e mantém laços pessoais com esse País, e a implementação de projectos de infraestrutura têm como objectivo fundamental forjar uma aliança capaz de conter a influência exercida pelo Paquistão.
 

Wēijī (Tradução: Crise)

Breves notas de economia.

Bélgica

Standard & Poor's acabou de baixar o rating, que agora é AA+.

Mas quais os problemas do pequeno País?

Oh, nada de grave: não conseguem governar-se por causa do choque entre Flandres e Valónia. Para saber mais acerca destes aspecto podem ler o artigo Puff! E a Bélgica já não é , que demonstram as dotes proféticas deste blog, melhor do que as Centúrias de Nostradamus.

Ah, verdade:  e a dívida pública já ultrapassou o 100% do Pib.
Acontece.

A escolha da Índia - Parte I



A índia, um País enorme, com mais de 1.000.000.000 de habitantes.
Tão grande que muitas vezes é referido como Sub-Continente Indiano.

Nesta altura de deslocação geopolítica, é normal falar da China qual novo pólo das decisões políticas e económicas mundiais.
Mas na mesma região existe outro País que tem algo para dizer: a Índia, de facto, não pode ser esquecida.

Neste artigo de Daniele Grassi, especialista em relacionamentos internacionais e actual pesquisador no Strategic Studies Institute de Islamabad, um panorama da actual situação e as perspectivas futuras.

Boa leitura.

13 dezembro 2010

O regresso do Armageddon

É alarme gripe.
Sempre a mesma: H1N1. Também conhecida como Gripe A.

A terrível pandemia que matou milhões, talvez centenas de milhares, se calhar dezenas de milhares, que em qualquer caso fez menos mortos do que uma gripe normal, está de volta.

Diário Público de ontem:
Pelo menos dez pessoas morreram ao longo das últimas seis semanas no Reino Unido, devido a um novo surto do vírus gripal H1N1 que causou um alerta global e milhares de mortos em todo o mundo no ano passado.
A Agência britânica de Protecção da Saúde (HPA) confirmou, ainda no sábado, que os dez mortos eram todos adultos com menos de 65 anos, a maioria já com problemas clínicos anteriores, mas alguns “estavam saudáveis” antes de contraírem a doença.[...]
A agência recomendou que os cidadãos britânicos se vacinem contra a gripe, depois de as primeiras notícias sobre as recentes mortes terem sido avançadas pelo jornal britânico “The Independent”.[...]
O responsável da HPA avançou que o Reino Unido parece estar na “linha da frente” deste novo surto, alertando que podem começar em breve a surgir casos em outros países europeus.

Italia: -1

Consultem os jornais da semana passada: conseguem encontrar alguma coisa acerca dos bancos italianos?
Nada?

Pois, normal.
É que faliu o primeiro banco.

Como é possível? Sempre pronta a contar os bancos americanos, irlandeses e espanhóis, a imprensa não deu conta disso?
Exacto.

Doutro lado faz sentido: ver falir um banco espanhol não surpreende; mas ver fechar um banco italiano significa que outros Países além dos Pigs estão com graves problemas. E isso pode criar pensamentos esquisitos.
Não nos investidores, que conhecem estes factos, mas nos cidadãos.

1921: uma visão do futuro

T. Edison (Esq.) e H. Ford (Dir.)
Em 1921, Henry Ford e Thomas Edison, os dois génios da época nos campos da tecnologia industrial e das invenções técnicas de todos os tipos, publicaram dois relatórios no New York Times, nos dias 4 e 6 de Dezembro, para contrastar a ideia do governo federal acerca da emissão dos Títulos de Estado, ou seja, contra o facto de que o Estado contraísse dívidas.

Ford e Edison ao longo de toda a vida explicaram que é um erro de conceito permitir que o Estado possa contrair dívida com a emissão de Título de 3, 5 ou 10 anos com interesses de 4 ou 5%, e que estes Títulos sejam adquiridos por bancos nacionais e estrangeiros.

Desta forma, de facto, os contribuintes acabam, após algum tempo, com o pagar os impostos apenas para pagar os interesses acumulados da dívida; interesses que acabam nos bolsos dos banqueiros e dos investidores internacionais.

E as contas são simples: com um interesse de 5%, após 20 anos a soma devolvida é o dobro do original, após 40 anos o triplo.

Criação de dívida ou de dinheiro?

O artigo original do NYT
Edison e Ford, pelo contrário, avançar com outra proposta: emitir não Títulos mas Dólares, isso é, notas. Pois as notas não pagam interesses.

Um exemplo.
Se o Estado precisar de 100€, actualmente emite Títulos de Estado por um valor total de 100€.
Os bancos e os investidores adquirem os Títulos, isso é, entregam o dinheiro em troca dum certificado com o qual o Estado empenha-se a reembolsar o montante num determinado prazo, obviamente com os relativos interesses.
Desta forma, o Estado obtém os 100€ desejados e banco e investidores ganham os juros.

Esta, só para lembrar, é a origem das nossas actuais desgraças, a conhecida questão da dívida pública (pois, de facto,o Estado contrai uma dívida).

Na visão de Edison e Ford, as coisas funcionam de forma diferente.
O Estado precisa de 100€?
Então imprime 100€. E ponto final.

Dito assim até parece simples. Em verdade a coisa é um pouco mais complicada: quanto mais dinheiro houver em circulação, mais baixo será o valor do dinheiro. Esta é chamada de inflação.

Mas se as notas são emitidas numa percentagem razoável e são gastas para trabalhos de utilidade pública ou infraestruturas, não criam inflação e evitam que o Estado (isso é, todos nós) fique mergulhado numa espiral de dívidas.
Verdade, desta forma bancos e investidores não ficam muitos satisfeitos, pois não ganham nada.
Mas afinal o Estado serve para quê? Para o bem estar dos contribuintes ou para os lucros de poucos?

Assim, Henry Ford e Thomas Edison percebiam um problema que dúzias de economistas, que nunca inventaram algo e que nunca criaram tecnologia, parecem não entender.

Afirmava Edison:
Ford acha estúpido, e o mesmo penso eu, que para obter um financiamento de 30.000.000 Dólares (dinheiro deles), o povo dos Estados Unidos seja obrigado a pagar 66.000.000 Dólares no fim, total que será pago após 20 anos com os juros dos Títulos de Estado.
Com o nosso sistema, pessoas que nunca na vida trabalharam ganham lucros enormes, muito mais dinheiro daqueles que efectuam os trabalhos. Esta é a coisa terrível acerca dos juros.
Em todas as emissões de Títulos de Estado, o total dos interesses finais é sempre maior do que o montante original.
E isso significa que todas as obras públicas acabam com o custar o dobro do que realmente é preciso, pois com o nosso sistema acrescentamos sempre 120 ou 150% ao custo original.


O controle da moeda

O problema atrás desta questão? O controle da moeda.
Um assunto acerca do qual voltaremos a falar.


Por enquanto deixo uma reflexão.
Porque o governo pode emitir Títulos de Estado mas não pode imprimir notas?

Quando um governo emite Títulos, este têm valor porque o Estado garante por eles. E o Estado garante porque existem os contribuintes.

O lucro dos bancos e dos investidores é criado porque os contribuintes garantem a validade dos Títulos. Pedaços de papel que depois são vendidos, negociados, utilizados para compras, trocas: valem só e exclusivamente porque há contribuintes que pagam por isso.

Porque, então, os contribuintes não podem ter o direito de imprimir notas, que não pagam interesses, para subvencionar obras públicas ou infraestruturas?

Porque é obrigatório que bancos e investidores possam ganhar até quando os contribuintes empregam o próprio dinheiro para financiar obras úteis à comunidade?


Nota

Para aprofundamentos:
Inflação ou deflação?
Quem cria o dinheiro?

Outros chacais



Uma taxa de juro de 10% é um crueldade.
E uma taxa de 24%?
Pode ser um homicídio?
Pode.

Devinder Sharma é indiano: é jornalista e escritor. E segue os problemas do próprio País.
Na Índia há pobreza: o milagre e económico nasceu há pouco, ultrapassou a fase embrionária mas o caminho é ainda comprido. E, ao lado das empresas que actuam nos mercados internacionais, há um nível de pobreza aterrador.

Enquanto o bengalês Mauhmmad Yunus, Prémio Nobel da Paz e inventor o sistema do micro-credito, enfrenta graves acusações de desvio de fundos, as empresas indianas de micro-credito são culpadas de levar os pobres até o desespero e o suicídio.

Eis o relato de Devinder.
Eu também tenho um sonho. 
E eu sei que podemos juntos mudar esse esquema. 
Uma longa viagem começa sempre com o primeiro passo. 
Venha, junte-se a mim.
Devinder Sharma
 

11 dezembro 2010

Tim Jackson: será possível crescer e ser felizes?

Prometi?
Pois prometi.

Por isso eis a entrevista com Tim Jackson, o autor do livro Prosperity without growing. Economis for a finite planet.
O leitor não sabe do que estou a falar? Mau leitor, mas tenho que fazer tudo neste raio de blog? Aqui vai o link.

A entrevista original foi publicada pelo site Tierramérica. Jackson fala da economia, do ambiente, do cimeira de Copenhaga, do futuro.

Crescimento Vs. Felicidade

Em seu livro, você afirma que o crescimento económico nos países industrializados está deixando as pessoas menos felizes e destruindo a terra.

A contínua busca pelo crescimento coloca em risco os ecossistemas dos quais dependemos para uma sobrevivência de longo prazo. Também há ampla evidência de que uma riqueza material maior nos países industrializados não faz seus habitantes felizes, muito pelo contrário.

Além de determinado nível de renda, não existe uma correlação de que isso seja directamente proporcional à felicidade.

Hoje doi-me o chip

Bip, bip, bip...é o futuro que avança.

Para implementar uma medida importante mas não bem-vinda, existem várias maneiras.

Uma, por exemplo, consiste em criar uma lei que obriga ao respeito da nova medida. Só que desta forma a medida é vista como uma imposição, haverá sempre quem tente fugir à regra, além dos óbvios protestos.

Um método mais subtil, e com maiores possibilidades de sucesso, é começar com o mostrar o lado positivo da medida, convencer um especifico grupo de pessoas de que a nova medida é um importante factor de avanço, uma mais valia.
Em breve, serão estas mesmas pessoas a falar bem da medida em questão; e, nesta altura, o trabalho estará feito.
O ideal é focalizar a atenção naquelas áreas de maior sensibilidade para a maioria dos cidadãos.

Que tal filhos e saúde?

Os limites

Se há uma coisa da qual não se pode duvidar é o crescimento económico.
Podemos duvidar de tudo: dos bancos, dos governos, dos investidores. Mas do dogma do cresceminto não, nunca. As economias dos nosso Países têm obrigatoriamente que crescer, sempre.

E quando não crescem? Tragédia, estagnação ou até recessão.
Pois toda a nossa economia, sem excepções, é construida sobre a ideia dum constante e infinito crescimento.

Há todavia um problema: nós vivemos num mundo finito.
A Terra é redonda, não é um plano sem limites. Os limites existem, e não só geograficamente.
Há, por exemplo, os limites dos recursos, que não são infinitos.

10 dezembro 2010

Aviso aos navegantes

Hoje poucas novidades: lamento, mas estou a trabalhar para algo de novo.

Em primeiro lugar: Poortugal fecha. Porquê? Porque sim.
Explico: a minha ideia era criar um espaço dedicado exclusivamente aos problemas de Portugal.
Mas afinal isso foi um erro. Gostaria de ter outro blog, verdade, mas com outros assuntos, de forma a não ficar sempre preso com assuntos político-económicos.
Além disso, há já outros blogs que tratam, e bem, de assuntos lusitanos (Kafe Kultura, por exemplo).

Então?
Então em breve irá nascer outro blog.
Um blog que não terá nada a ver com geopolitica, dinheiro, mercados...
Um blog útil.

Útil?
Isso mesmo. Útil. Para o qual preciso de uma pessoa que seja perita. E que já contactei.

O que muda para Informação Incorrecta?
Nada, ora essa.

Stay tuned (Permaneçam em linha!)

Ipse dixit.

Homens e perús

Uma vez, o filosofo Karl Popper inventou uma história acerca dum peru, para demonstrar que o raciocínio indutivo poder levar a conclusões erradas.

Vamos reinterpretar esta história, adaptada à nossa realidade.  

Havia numa criação um jovem peru particularmente inquieto.

Todos os dias prontamente recebia a comida, mas nos olhos do criador não conseguia ver qualquer simpatia.
Observou que a mesma pessoa que lhe fornecia os alimentos, muitas vezes manipulava instrumentos afiados, e uma vez viu até usa-los contra uma pobre galinha perto do seu refúgio.

Esta história tornava-o suspeitoso, então decidiu falar com os seus companheiros.

- Amigos, aqui está algo de errado. É verdade, temos bastante alimento a cada dia, ninguém é abusado, mas eu sinto que há algo por trás disso. Ontem vi uma galinha assassinada pelo criador, talvez isso possa acontecer connosco um dia.

Caim e Abel. Ainda uma vez.

Pausa: nada de economia, nada Pigs, nada de Wikileaks.
História? Mais ou menos.
Um artigo não novo mas que descobri só agora.

E se Hebreus e Palestinianos não fossem assim distantes? Em termos de raça, por exemplo. Se fossem mais do que parecidos. Se fossem até a mesma coisa?

Isso mudaria a actual situação no Médio Oriente? Não, não mudaria, pois as questões vão muito além do aspecto racial. Mas poderia falar-se de fratricídio.

09 dezembro 2010

Wikileaks: toc toc, está alguém?



Ainda com Wikileaks.
Um pesadelo.

O mártir

Não param as notícias nos média: Assange preso, a Suécia quer a extradição, há uma acusação de estupro.
Nos blogues e sites independentes é ainda pior: Wikileaks é a última esperança de quem luta contra o Império do Mal, Assange um mártir.

Poucos são os que param e reflectem.

Reflectem acerca de quê? Acerca dum simples pormenor: Julian Assange está vivo.

Talvez para a maioria dos leitores isso possa parecer como um facto normal, mas não é: se Assange fosse verdadeiramente um perigo para os Estados Unidos e, sobretudo, para Israel, estaria debaixo de dois metros de terra. E não desde agora.

Pelo contrário, Assange é vivo e saudável.
Por enquanto no Reino Unido, onde Scotland Yard teve a cortesia de esperar antes de prende-lo, depois veremos.

Se os militares ingleses tivessem o mesmo respeito quando for altura de capturar os alegados terroristas inimigos do Ocidente, Guantanamo estaria meia vazia.

Mas como é possível duvidar de Wikileaks?
Ao ver Wikileaks e os média em geral que juntam as forças para expor a verdade nua e crua acerca da invasão dos EUA no Iraque, no Afeganistão e, mais recentemente, o que o Departamento de Estado dos EUA pensa acerca dos líderes mundiais? Podemos ter ainda reservas?
Quer dizer, isso é o que está a acontecer, certo?
Uma série de revelações históricas, não é?

Pois não é.

 Velhices

O que acontece é que os média estão a difundir notícias já velhas e incompletas. Só que agora têm uma camada de credibilidade graças ao bom Julian Assange, alto, louro, olhos azuis, um perfeito proto-mártir.

O que verdadeiramente consegue surpreender-me é o facto de sites de notícias alegadamente alternativas estarem a funcionar como um poderos eco para estas mentiras.
Difundem a história de Wikileaks sem algum espírito crítico.

Não vamos fazer nomes, não é simpático: mas falamos de sites que a cada dia podem contar com dezenas de milhares de visitantes. Um movimento impressionante para defender o mártir australiano. Tudo sem parar, sem pensar, sem duvidar, sem perguntar.

Toc toc: está ainda alguém por ai?

O leitor tem dúvidas acerca de quanto afirmado?
Então o leitor faça um favor: abra YouTube e procure alguma coisa acerca das atrocidades dos Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão.
E, uma vez encontrado, olhem para a data de publicação do vídeo. Velhinho, não é?

Pois é.

Os Estados Unidos utilizam esquadras de killer? Olha só a novidade: a notícia tem 7 anos e pode ser encontrada neste link do diário britânico Guardian.
Aliás, na notícia original é presente a informação segundo a qual estes killer são treinados pelos Israelitas.

Washington paga os média do Iraque e do Afeganistão para obter notícias mais favoráveis?
Wow! Quem poderia ter imaginado uma coisa destas?
Talvez o Lincoln Group, que em 2005 ganhou em exclusivo a possibilidade de controlar todos os média do Iraque. Esta revelação é tão perturbadora que está no Wikipedia desde 2005.

Quantos civis foram mortos no Iraque? Milhares? Ohhhhhh...esta sim que é uma revelação aterradora.
Querem uma ainda pior? Visitem Just Foreing Policy, que ainda faz as contas: já ultrapassou 1 milhão e 400 mil vítimas. Na verdade, Wikileaks apoia uma estimativa muito baixa que fica mais próxima das avaliações oficiais.

Mas se Assange ficasse por aqui até não seria mal.
Afinal é bom lembrar o mal da guerra, os sofrimentos envolvidos, o papel longe de estar limpo das "Forças do Bem", Estados Unidos in primis.

O problema nasce quando Wikileaks avança com outro tipo de "revelações".


A CIA agradece. Israel também.

Wikileaks, por exemplo, fornece as "provas"de que o Paquistão está ajudar os Talibãs. O Paquistão e não a CIA, como muitos suspeitam.

Resultado? O seguinte: o New York Times publica um artigo cujo título é
O serviço de inteligência paquistanês ajuda os revoltosos.
E a CIA agradece.

Avança o Guardian:
Wikileaks revela que Irão e Paquistão vendem mísseis aos Talibãs.
E a CIA agradece, outra vez. Menos o Irão que vê confirmado o seu papel de mau da fita no Médio Oriente. Tal como Israel predica.

Doutro lado, que Teheran seja um dos principais objectivos destas "revelações" parece evidente.

Telegraph:
Wikileaks, como o Irão concebeu um novo colete-suicida para Al-Qaeda no Iraque. 
O quê? Mas nem nas fantasias mais selvagens de Tel Avive haveria espaço para notícias como estas.

Ainda o Telegraph: 
WikiLeaks, o Irão obtém da Coreia do Norte mísseis com os quais atingir Europa.
Com certeza. Também Saddam Hussein tinha mísseis assim, lembram? Guardian:
O especialista da Defesa Adam Holloway afirma que o MI6 [o serviço de intelligence britânico, NDT] obteve a informação directamente dum taxista que tinha ouvido falar dois comandantes militares do Iraque acerca das armas.
E não é o caso de sorrir, o nível é o mesmo.
Mesmo na altura em que os Estado Unidos estão empenhados na demonização do Irão e têm um porta-aviões no Mar da China, eis que surge Wikileaks com estas estrondosas "revelações". Maravilhoso.

E Israel? Ah, pois, Israel...

Eis o pensamento da terra de Rei David:
Em Israel, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que reivindicava as revelações de [Wikileaks, NDT] sobre a extensão das preocupações internacionais e árabes sobre o Irão e o seu programa nuclear.
"Israel não foi danificado de alguma forma pelas publicações de Wikileaks", disse Netanyahu.

"Os documentos mostram muitas fontes que apoiam as avaliações de Israel, particularmente acerca do Irão. A nossa região tem sido refém duma narrativa que é o resultado de 60 anos de propaganda que pinta Israel como a maior ameaça. Na verdade, os líderes entendem que esta visão é falsa. Pela primeira vez na história, há um consenso de que o Irão é uma ameaça."
Netanyahu só não disse "Obrigado Julian".
Talvez tinha pressa, esqueceu do pormenor. Mas o sentido é o mesmo.

Pergunto: mas é preciso dizer mais?
E percebem agora porque Julian Assange está vivo e em boa saúde?


Parabéns

Conclusão: Wikileaks foi uma operação bem pouco sofisticada, mas resultou. E afinal é isso que conta.
Por isso é preciso dar os parabéns aos autores. Cujos nomes podem ser intuídos sem grandes esforços cerebrais.

Em breve a poeira irá assentar-se. Os dados acerca dos civis mortos no Iraque serão esquecidos ("é normal, é uma guerra"). E quando alguém afirmar que o Irão é o Reino do Terror, poderá sempre acrescentar "Também Wikileaks disse isso!".
E o circulo será fechado.

Sinceramente, pensava que fosse preciso algo mais.
Esperava que o 11 de Setembro tivesse ensinado alguma coisa, tivesse difundido o habito de não parar perante as aparências mas de ir um pouco além.
No mundo de internet há pessoas que põe em causa tudo ou quase, chegando a imaginar conspirações que envolvem alienígenas, mundos perdidos, Jesús Cristo, os Kennedys e a gripe das aves.

Depois é suficiente um australiano com recortes de jornais para que todos fiquem aniquilados.

Tal como disse: esperava que fosse preciso algo mais.

Culpa minha, peço desculpa.

Nota
Desejo realçar uma das outras poucas vozes que, tal como eu, pararam e tentaram reflectir: Prova Final. Caso tenha esquecido alguém, façam o favor de indicar! Obrigado!!!


Ipse dixit.


Fontes: Nexus, GuardianWikipedia, Just Foreing Policy, New York Times, Telegraph

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