20 janeiro 2011

As mortes da corrupção

Haiti e Nova Zelândia sofreram um sismo de intensidade semelhante, mas as consequências foram muito diferentes: no Haiti, as pessoas mortas foram centenas de milhares e após um ano do terremoto o sofrimento ainda não acabou; na Nova Zelândia não houve vítimas.

Porquê?

Nicholas Ambraseys, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do Imperial College de Londres (Inglaterra), e Roger Bilham, do Instituto Cooperativo de Investigação em Ciências do Ambiente e do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade do Colorado (Estados Unidos), têm procurado uma resposta.

E a resposta encontrada tem a ver com o índice de corrupção dos Países.



O índice de corrupção dos países é calculado todos os anos desde 1995 e pode ser encontrada aqui.

Os dois estudiosos compararam as vítimas dos principais terremotos que ocorreram entre 1980 e 2010: estes dados foram a seguir comparados com a corrupção e a riqueza dos respectivos Países.

A descoberta duma estreita ligação entre pobreza e número de vítimas não é surpreendente. É óbvio que nos Países pobres os edifícios são construídos de forma aproximada com materiais e técnicas de má qualidade. Além disso, o baixo nível de educação pode ainda afectar a qualidade das construções.

Mas também descobriram que, perante um mesmo nível de desenvolvimento, os Países mais corruptos têm um maior número de vítimas.

Para o período 1995-2010 foi possível comparar os dois parâmetros: a correlação entre a corrupção e o elevado número de mortes por terremoto é extraordinária.

Foi assumido que nos últimos 15 anos o índice de corrupção não alterou-se de maneira significativa, o que é importante porque as vítimas causadas pelo colapso dos edifícios são uma consequência da corrupção que existe no período da construção e não na altura do terremoto.

















(clicar para ampliar!)


Cerca de 83% das vítimas dos terremotos dos últimos 30 anos residiam em Países pobres, com um índice de corrupção mais elevado do que se poderia esperar com base no simples produto interno bruto (PIB) do País.

Portanto é razoável concluir, afirmam os autores, que a maioria das vítimas dos terremotos é, de facto, vítima de corrupção.

O contraste entre Chile e Nova Zelândia, os Países com uma corrupção quase zero e que tiveram poucas ou nenhuma baixa, e Haiti e Irão, onde a corrupção é alta, é muito evidente.

No caso do Japão, que tem um PIB elevado, um nível corrupção mínimo e prospera numa zona de alta instabilidade geológica, as vítimas são provocadas pelo colapso das estruturas antigas, edificadas antes da adopção de medidas anti-sismicas.

Os autores concluem que "a integridade estrutural de um edifício não pode exceder a integridade social do seu construtor, e cada Nação tem a responsabilidade de garantir controles adequados".

Em particular:
os Países com um histórico de terremotos fortes e ao mesmo tempo oprimidos pelos problemas de corrupção, devem estar ciente de que um sistema de construção não regulamentados é um potencial assassino.


Fonte: OggiScienza
Gráfico Índice Corrupção: Transparency

Sem comentários:

Enviar um comentário

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...