21 janeiro 2011

Deepwater

O caso da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, no Golfo do México, parece nunca ter fim.
Pelo contrário: está a assumir os contornos dum romance.

Segundo um relatório publicado pela prestigiada revista Nature e assinado por alguns pesquisadores independentes, a BP não dispensa há meses amostras do crude,  necessárias para conduzir pesquisas sobre os efeitos do desastre.



750 milhões de litros

Do poço submarino saíram cerca de 750 milhões de litros e tanto a empresa como o governo dos Estados Unidos recolheram várias amostras de ouro negro.
Dessas amostras, algumas acabaram nas mãos de pesquisadores independentes, mas agora a distribuição parece ser completamente bloqueada.

Desde Setembro, de facto, e depois de muitas reticencias, a BP começou a responder aos pedidos com uma carta "standard", explicando que os mesmos pedidos seriam tratados com um atraso considerável, enquanto aguardava-se o desenvolvimento de um protocolo específico para a distribuição do material.

A carta prometia, em teoria, que a empresa teria desenvolvido o tal protocolo dentro de algumas semanas, mas nenhuma data foi estabelecida.

Segundo o porta-voz da companhia, Hejdi Feick, o bloqueio da distribuição é determinado por dois factores.
O primeiro seria uma ordem de um juiz federal destinada a impedir a possível destruição de provas, fundamentais num processo legal. Ordem que, todavia, não fala explicitamente das amostras.
O segundo factor é a necessidade da mesma BP ter petróleo suficiente para realizar os exames em vista do processo..

Também as agências do governo dos EUA, como o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), e as empresas associadas recolheram uma quantidade considerável de petróleo para avaliar os danos ambientais causados pelo desastre.

2.000 litros

Inicialmente, essas agências tinham respondido positivamente à demanda de pequenas quantidades de petróleo para efeitos de investigação, como explica Greg Baker da NOAA.
Também as agências consideraram necessário cessar a distribuição para certificar-se de que houvesse ainda petróleo suficiente para as análises forenses. Segundo Baker:
Nesta altura existem cerca de 2.000 litros de petróleo disponíveis para este fim e a BP detém a mesma quantia, provavelmente muito mais. 

La compagnia, però, si è rifiutata di quantificare precisamente le sue riserve. A empresa, porém, recusa quantificar com precisão as próprias reservas.

Alguns pesquisadores, como Andrew Whitehead, um biólogo da Louisiana State University em Baton Rouge, gostariam de recolher em primeira pessoa as amostras.
A falta de material de estudo poderia impedir a conclusão de investigações importantes
Os cientistas temem todavia que este tipo de acção possa ter algum limite legal e que, consequentemente, os resultados das análises não poderiam ser considerados provas válidas no julgamento.
Se eu encontrasse efeitos tóxicos, a BP poderia afirmar que os resultados não são relevantes, pois o petróleo analisado não é comparável ao que realmente presente nos fundais.
Ira Leifer, da University of California, Santa Barbara, e membro da equipa do governo que estimou a taxa de saída do crude, começou a pedir amostras nos dias imediatamente seguintes ao início da fuga, sem sucesso.

O pesquisador explicou que, para obter amostras da BP, deveria ter assinado um termo de consentimento para a não divulgação dos dados obtidos; o que, naturalmente, teria impedido a utilização adequada dos resultados do estudo.

De acordo com Leifer, a relutância da companhia petrolífera em fornecer as amostras pode ser uma táctica que visa minimizar as informações disponíveis sobre o real impacto do desastre.

Apenas este o medo da BP?


Fonte: Nature

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