25 janeiro 2011

Irlanda: o patriotismo e o cálculo

Brian Cowen, com língua
O leitor acha que a política do seu País é complicado e bizantina?

Então pode ler isso para tentar consolar-se...


Cowen, Ex Primeiro Ministro

O Primeiro-Ministro, Brian Cowen, cabeça duma curiosa coligação Direita-Vedes, perdeu a confiança do próprio partido e da coligação.

O resultado serão as eleições, previstas para os próximo 35 de Fevereiro em vez de 11 de Março.

Segundo os banqueiros de meia Europa e não só, a ideia era esta: o Governo aprova o odiado orçamento feito de cortes e  impostos, depois demissões e eleições, em Março.

Ao orçamento, de facto, está ligada a concessão das "ajudas" do Fundo Monetário Internacional e União Europeia para salvar os bancos irlandeses: isso com a brilhante taxa de juro de 5,8%. Juros, óbvio, que ficam nas contas dos cidadão, ora essa.



Mas a realidade correu de maneira diversa. Contra a vontade do Primeiro Ministro, bom amigo dos bancos (em primeiro lugar do Anglo Irish Bank), os outros ministros e os membros da coligação não aceitaram o jogo.

"Que patrióticos!", podemos pensar.
Mais ou menos. É bom não esquecer que estas pessoas serão candidatas nas próximas eleições...

Resultado: 11 ministros apresentaram as demissões no último fim de semana e o Green Party (os Verdes) escolheram retirar a confiança ao Primeiro Ministro e relativa coligação. Isso antes da aprovação do orçamento.


A oposição não festeja

E quem protestou? A oposição.
Mas como? Não deveria estar satisfeita?

Em teoria sim, na prática não: pois a oposição percebeu muito que a aprovação do orçamento agora ficará como assunto principal do próximo governo.

E com os níveis de popularidade dos actuais partidos da maioria, os mais baixos dos tempos dos Druidas, claro que o próximo governo terá de ser formado pela actual oposição.

Assim: pouco patriotismo e muito cálculo político.

Que, afinal, satisfaz todos. Porque a verdade é esta: a oposição grita e agita-se contra a "ignóbil atitude" do governo; mas em verdade é bem feliz de ir para a mesa das negociações com os bancos.
Sabem como é: dá sempre jeito fazer um favor aos bancos.

Agora esperamos para ver que tipo de campanha eleitoral será feita até o 25 de Fevereiro, quando os Irlandeses terão a oportunidade de realmente escolher se quer continuar com esta via crucis dos bancos.

É provável que algum dos partidos possa avançar com o projecto de rasgar os acordos com FMI e UE: o Sinn Féin, por exemplo, quer como solução o repúdio total das dívidas.


Ipse dixit.

Fonte: Rischio Calcolato

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