24 janeiro 2011

Já pensaram en extinguir-se?



Nada melhor do que começar a semana com a previsão dum cenário apocalíptico.

Seria mais fácil dizer coisas do tipo "Tá bom, é Segunda-feira, mas em breve chegará outro fim de semana, depois será a vez das férias da Pascoa...".

Mas não: somos muitos, aliás, somos demais. Não há recursos para todos.
Por isso o futuro será negativo. Muito negativo.
Catastrófico.

O autor desta alegre previsão é Peter Goodchild, pessoa cujo lema provavelmente é "porque ser felizes se podemos ser tristes?" e que, na dúvida, já escreveu um livro sobre as técnicas de sobrevivência dos nativos americanos.

A propósito: boa semana.




Pico do petróleo, tempo e população
Há uma estreita relação entre o pico de produção de petróleo e a população.
No início dos anos 50 houve várias estimativas sobre o crescimento e o declínio da produção mundial de petróleo, e foi provavelmente inevitável ao longo do tempo passar desde o optimismo para o realismo.

Começamos com dois fatos básicos.

O primeiro é que o consumo mundial de petróleo é cerca de 30.000 milhões de barris por ano.  
O segundo é que a população mundial tem agora cerca de 7.000 milhões de pessoas. A partir dessas duas premissas, podemos fazer algumas avaliações razoáveis acerca do pico da produção de petróleo e o declínio na população.

O pico da produção mundial de petróleo foi atingido em 2010 e a taxa de declínio mais provável após o pico é de 6%. Isto significa que, após o pico da produção, a população irá diminuir 50% dentro de 11 anos, ou seja, até 2021.

A dimensão da população é directamente ligada às reservas de petróleo. Nas sociedades industriais, o petróleo tem sido sempre a fonte de energia primária. Na verdade, graças à abundância de petróleo foi possível uma grande população global, sendo também o petróleo a razão da população ter crescido de forma tão rápida.

Portanto, se nos próximos 11 anos a produção de petróleo atingir a metade, a população também irá diminuir para, ou seja, 3.500 milhões. Uma diminuição de 7.000 para 3.500 milhões de pessoas significa que, tal como a produção de petróleo, também a população irá diminuir em 6% ao ano.
 
Mas como será possível reduzir a população de 3.500 milhões de pessoas em apenas 11 anos?
Seria possível uma tal redução com um programa de controle voluntário dos nascimentos, mas sem qualquer outra mudança drástica no comportamento humano?
Uma política de zero nascimento?

Infelizmente, é improvável que tal programa possa funcionar.
Em primeiro lugar, para obter efeitos significativos, o programa deveria ser global e imediato.
Além disso, a maioria das pessoas já é pouco receptiva em relação à política do filho único, como na China, e por isso é ainda menos provável que uma política de nascimentos zero pudesse ser tolerada.

Em todos os casos, os números não seriam afectados por um declínio da taxa de natalidade sem aumento da taxa de mortalidade.
Como a maioria das pessoas que vivem agora ainda estará viva em 2021, a população não diminuirá o suficiente.
Portanto, é evidente que não há nenhuma estratégia política para reduzir a população de 6% em cada ano.

A única solução será a fome, mas essa escolha não pertence aos homens: será uma escolha da Mãe Natureza, como no caso de outras espécies.

O processo será iniciado com a diminuição global e simétrica dos recursos e com o declínio da produção industrial.
Sem os combustíveis fósseis, os campos da agricultura diminuirão em 30%. Se pensarmos na diminuição global dos recursos alimentares, a fome já começou.
O mesmo processo de redução afectará tudo: mineração, energia eléctrica, fábricas, transportes, comunicações.
Deveria ter já começado a preparação para um tal cenário. No entanto, embora tarde, temos agora de aceitar os factos e tornar as coisas mais fáceis para os poucos que representarão o futuro da humanidade.Pelo menos em pequena escala, tal programa vai funcionar.


Simpático este Goodchild, falta apenas um convite ao suicídio colectivo.
Demasiado pessimista? Eh, talvez... 
Ainda não foi demonstrado o pico do petróleo, por exemplo.

Mesmo assim, um bom ponto de partida para reflectir: sobretudo porque estamos perante um tema que raramente é tratado.
E que, no entanto, constitui um problema real: vocês são demais.

"Vocês"?
Ah, pois. Os demais são sempre os outros.


Ipse dixit.


Fonte: Countercurrents
Tradução: Informação Incorrecta 

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