15 janeiro 2011

Mamíferos

Desde o aparecimento do Homem, os bebés foram amamentados com o leite materno.

Alguns podem pensar que esta era apenas a tentativa de poupar os cêntimos do leite confeccionado, mas a verdade é outra: a amamentação é uma prática natural.
Curiosamente, a mesma praticada por outras espécies de mamíferos. E, facto verdadeiramente inexplicável, a coisa parecia funcionar.

O Homem, por exemplo, ao seguir este hábito pré-histórico, conseguiu reproduzir-se e multiplicar-se ao longo de, pelo menos, os últimos 200.000 anos.

Mistérios da Natureza.



Até que enfim!

Mas hoje as coisas mudaram. E, falamos de forma clara: já era tempo.
Vamos ler a notícia do jornal Público:
Investigadores do Reino Unido, conduzidos por Mary Fewtrell, do Instituto de Saúde Infantil da University College London, fizeram uma revisão da evidência científica que suporta as actuais orientações sobre aleitamento e consideraram que é altura de ponderar os pressupostos.
Justo. É o que eu também defendo. Esta Mary Fewtrell deveria ganhar um prémio.
De acordo com as conclusões do grupo, apesar dos benefícios da amamentação, o facto de o bebé só mamar durante seis meses pode não ser do seu pleno interesse no que diz respeito, por exemplo, a introduzir outro tipo de alimentos ou a desenvolver algumas patologias e alergias.
Acima: leite até os 6 meses. Abaixo: até 4
Isso mesmo: só leite materno não pode ser no interesse do bebé. Têm que existir mais.
Em 2002, a OMS estabeleceu recomendações mundiais no sentido de os bebés serem exclusivamente alimentados com leite materno durante os seis primeiros meses de vida, podendo a amamentação prolongar-se como complemento até aos dois anos.
Dois anos? E na tropa não? Já é demais seis meses, imaginem dois anos!
Muitos países ocidentais não seguiram estas recomendações mas, em 2003, o Reino Unido, de onde são os autores do estudo, adoptou as guidelines da OMS, à semelhança de Portugal.
Pois os velhos hábitos são duros a morrer...
Contudo, Fewtrell e os colegas defendem que a amamentação exclusiva deve ser sim recomendada nos países menos desenvolvidos, onde o acesso a água potável e a alimentos seguros é limitado, representando um risco superior para o bebé de morte ou doença.
Justo, não podemos esquecer quem deixamos morrer de fome.
De acordo com os cientistas, a documentação que suporta a decisão da OMS é anterior a 2000 e diz que os bebés que durante os primeiros seis meses só mamaram tiveram menos infecções e problemas associados ao crescimento. Conclusões que Fewtrell coloca em causa, dizendo que quando o bebé só recebe leite materno apresenta mais riscos de anemia, de doença celíaca, e de alguns tipos de alergia, nomeadamente alimentar.
O bebé é evidentemente a maior vítima do aleitamento materno: querem ter uma filho anémico? Com doença celíaca? Alérgico? Mas que raio de pais existem hoje em dia?


O triste caso da Suécia
Efeitos do leite materno
Na Suécia, por exemplo, o adiar da introdução de alimentos sólidos, como glúten, coincidiu com o aumento de casos de doença celíaca e baixou quando a amamentação exclusiva passou a ser recomendada só até aos quatro meses, dizem os cientistas.
Verdade: é só consultar qualquer enciclopédia para saber que na Suécia, quando a amamentação era até aos seis meses, quase ninguém consumia cerveja, que contém glúten.
Foi só a partir do séc. XV, quando foi proibida a amamentação após o quarto mês (os Suecos estão sempre à frente), que a cerveja começou a ser bebida.
Os investigadores temem, ainda, que o uso prolongado do aleitamento exclusivo reduza a janela de oportunidade de introdução de novos sabores da dieta da criança, nomeadamente a adaptação a vegetais, o que pode aumentar o risco de uma dieta desadequada que conduza à obesidade.
Verdade: até o séc. XV, sempre na Suécia, poucos por exemplo comiam moamba de galinha. Normal, pois no quinto e sexto mês ainda estavam a chupar leite e, uma vez crescidos, recusavam experimentar qualquer outro alimento.

Faltava a janela de oportunidade. 
Só a partir do séc. XVI é que a moamba se difundiu até tornar-se prato nacional.

 Mas quem será?

Mas qual tipo de comida podemos subministrar a um bebé de 5 ou 6 meses?

Eh, difícil escolher, pois o bebé pode não digerir alguns produtos.

Seria preciso um alimento especial, preparado mesmo para o caso.

Um alimento feito em atmosfera controlada (os micróbios!), com ingredientes seleccionados (pureza!), supervisionado por especialistas (segurança!).

Se calhar um alimento com alguns integradores, que nunca se sabe o que pode fazer falta.

E talvez preparado por quem já tem uma longa experiência neste género de coisas.

Mas quem pode ser?
Sei lá, agora, assim, de repente, lembro da Nestlé, por exemplo...
Três dos investigadores fazem mesmo uma declaração de interesses no estudo onde dizem que nos últimos três anos fizeram trabalhos de consultoria ou receberam fundos para trabalhos de empresas ligadas a suplementos alimentares e alimentos para crianças

Isso mesmo. Agora sim que tudo fica claro.


Ipse dixit.


Fonte: Público

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