26 janeiro 2011

O sangue de Moscovo


Mais sangue em Moscovo.

Um novo ataque suicida, no importante aeroporto de Domodedovo, com a clara ideia de matar. Mais de 30 mortos os mortos.

Ainda uma vez uma mulher kamikaze, ainda uma vez ligada aos grupos terroristas do Cáucaso. Como no atentado no metropolitano, quase há um ano atrás.

E o Cáucaso, de facto, parece ser a pista mais provável para explicar o ataque. Mais provável, mas não única.

Vamos com ordem.




O inferno da Chechênia 

O Cáucaso tem um objectivo de longo prazo: sair da esfera russa para tornar-se, um dia, parte do futuro Grande Califado. Antes, claro, é precisa a independência. Que O Kremlin não entende conceder, de forma nenhuma.

É por isso que os Rublos não faltam nesta região: a ideia é criar uma situação de bem estar que possa fazer "esquecer" os sentimentos autonomistas. Mas até agora não funcionou.

Pelo contrário: num território governado por bandas criminais, polícias corruptos, grupos independentistas, e onde o desemprego é uma constante, a ideia de abandonar a Rússia é vista como a solução para os grandes males da região.

Assim, o Cáucaso é uma zona russa que Rússia não é, ficando fora de controle.
Regiões com nomes exóticos, como o Daguestão, a Inguchétia o a mais conhecida Chechênia, continuam a lutar para a secessão.

Esta, tal como afirmado, a primeira pista. Depois há outra.


 Para não regressar

Apenas alguns dias atrás, o Presidente afegão, Karzai, foi convidado Medvedev na primeira visita oficial entre os Chefe de Estados dois Países desde o fim da guerra Rússia - Afeganistão.

Uma reunião anunciada como um grande sucesso, e que prepara a entrada de capitais russos no País asiático: ao longo ma sobretudo depois da retirada das tropas da Nato.
Os dois leaders decidiram incrementar a cooperação económica, a militar e a luta contra a droga, a primeira fonte de rendimento dos Talebãs.

A Rússia pode voltar no Afeganistão, já não como invasor mas como principal partner comercial e militar do governo Karzai.

Pode ter sido a bomba de Domodedovo também uma mensagem para o Kremlin? Um aviso para abandonar a ideia de voltar num País que Moscovo conhece bem e que já no passado fez parte das miras da Rússia?

Em ambos os casos, estamos perante um atentado com matriz ou forte componente islâmica.
O que obriga a pensar.


Bin Laden e as mensagens sem sentido 

Numa mensagem de poucos dias atrás, um alegado Bin Laden tinha ameaçado a França.

Admitindo que a mensagem pudesse ser original (hipótese sem fundamentos, como já tivemos modo de observar), então como enquadrar o atentado em Moscovo com as ameaça do alegado chefe de Al-Qaeda?

Ameaça-se a França para depois atingir a Rússia?

Mais uma vez, na minha opinião, a demonstração que as mensagens de Bin Laden têm uma origem que nada tem a ver com os Países islámicos.


Ipse dixit

2 comentários:

  1. Xenofonte26.1.11

    Ha quem diga que Alqeada era o nome dado para a base de dados americana sobre os mujahideen. Pessoas com cargos importantes nas agencias de inteligencia britanica e francesa dizem que qualquer agencia de inteligencia credivel sabe que a Alqeada nao existe. Se tal for verdade, as implicacoes sao mais que muitas. Mas concordo contigo quando dizes que a "mensagem de alerta a Paris" e totalmente descabida de senso.
    Relativamente a situacao dos paises do Caucaso, muito ja se passou e de acordo com o livro do Litvinenko, o proprio governo russo, nos anos 90 e inicios de 2000, fez atentados contra o povo russo de grande proporcao para incriminar os tchetchenos e assim ter o aval do povo para os invadir. Tambem nao convem esquecer das cenas mais horriveis que ja vi: o Massacre de Beslan na Ossetia do Norte.

    Cumprimentos

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  2. Olá Xenofonte!

    Não sabia dos atentados russos contra os Russos. Mas faz sentido. Para o Kremlin a zona do Cáucaso é fundamental do ponto de vista estratégico, não é admitida uma derrota.

    Al Qaeda: a maior parte das notícias (vídeos, áudio) chegam atravesso da agência Site Intelligence Group, de Rita Katz.
    Rita Katz é um israelita que mora nos EUA, com óptimos conhecimentos na Casa Branca (aconselho ler o post: http://informacaoincorrecta.blogspot.com/2010/10/terrorista-made-in-usa.html).

    E não podemos esquecer o facto de Bin Laden ter sido agente da CIA, como as afirmações de Donald Rumsfield, segundo qual havia verdadeiras cidades cheias de terroristas escondidas nas montanhas do Afeganistão, com um potencial fora da imaginação.

    Não posso dizer que Al-Qaeda não exista; aliás, é provável que hoje seja realmente um ponto de referência para os muçulmanos mais belicistas.

    Mas uma coisa é segura: apareceu na altura certa.

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