21 janeiro 2011

Os Magníficos Seis

Se não estou enganado, hoje é o último dia da campanha eleitoral em vista das eleições presidenciais em Portugal.

Estou feliz, por duas razões.

A primeira razão é que, finalmente, vão acabar os programas televisivos nos quais cada candidato tenta convencer os eleitores, assim como acabam os comícios, as jantaradas políticas, os cartazes nas ruas, a propaganda na caixa do correio.

Estes seis candidatos actuam como se a própria eleição pudesse realmente mudar o futuro do País.

Nenhum candidato falou de forma simples, clara e sobretudo honesta.



Teria apreciado muito ouvir um discurso deste tipo:
Queridos Portugueses, não é o Presidente da República que escolhe a política do País, pois esta é a função do Parlamento e, em breve, será do Fundo Monetário Internacional. No máximo, o Presidente pode demitir o Primeiro Ministro, mas apenas em circunstâncias excepcionais, ou recusar assinar uma lei: mas se o Parlamento insistir, terá que assinar na mesma.
Isso sem citar o facto de Portugal atravessar um delicado momento económico, ao longo do qual as escolhas são poucas e muitas vezes obrigatórias.
Portanto, a única coisa inteligente que podemos fazer é trabalhar para evitar a chegada do Fundo Monetário Internacional (que chegará na mesma) e tentar não perder o pouco de soberania que ainda temos.

Estas, na minha opinião, as únicas coisas inteligentes que um qualquer candidato poderia ter dito. Mas ninguém falou desta forma. Pelo contrário, parece que estas eleições sejam decisivas para o futuro do País. Assim não é.

E isso leva directamente até a segunda razão da minha felicidade.

A segunda razão é que não voto.
Não é uma forma voluntária de abstenção: simplesmente, como cidadão estrangeiro, não posso participar nas eleições do Presidente. É uma sorte, porque teria grandes problemas numa eventual escolha. Nada que pudesse tirar o sono, mas enfim...

Para os não-Portugueses, ou para os Portugueses mais distraídos, lembramos quem são os seis candidatos.


 Os Magníficos Seis

Aníbal António Cavaco Silva

É o actual Presidente e, quase de certeza, será o próximo também.

Ex candidato à Pide (Polícia Política durante o Salazarismo), é economista e nunca explicou aos Portugueses como realmente funciona a economia.

Já corrido pelos Portugueses enquanto Primeiro Ministro (ahi, povo de memória curta...), gosta de ganhar dinheiro com a ajuda dos bancos.

Péssimo comunicador, tem a rara capacidade de enervar qualquer pessoa e para isso é suficiente que comece a falar.

Como afirmado, provavelmente irá ganhar e no País nada mudará.


Manuel Alegre de Melo Duarte

É poeta e Socialista.

Teoricamente é apoiado pelo seu partido, o Partido Socialista. Na verdade, boa parte do Partido Socialista espera que Alegre saia derrotado.

Afirma ter chegado a altura de ter um poeta como Presidente, mas ninguém percebeu ainda a razão. Simpático, tem problemas de memória, em particular quando recebe os cheques dos bancos.

Parece ser o único capaz de perturbar o actual Presidente. Mas mesmo ao ganhar, nada mudaria no País.


Defensor Oliveira Moura

Socialista, médico, para ganhar deveria ser o único candidato.
E mesmo assim seria precisa uma segunda volta.

Não ficou bem claro quais as suas ideias, o que gostaria fazer e porque insistiu em candidatar-se.

Talvez o candidato mais enigmático. E inútil.


Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre

Médico, no final dos anos '70 foi membro-médico de Amnistia Internacional, em 1984 fundou a AMI, Assistência Médica Internacional, participou em missões humanitárias no Líbano, Darfur, Somália, Guiné Bissau, Iraque, Ruanda, Bósnia.

Na prática, é o único que pode demonstrar de ter feito algo na vida em vez de viver à custa da política.

Por isso tem poucas probabilidades de ganhar.
 

Francisco José de Almeida Lopes

É o candidato Comunista. Assim, inútil esperar grandes novidades: luta ao patrões, mais dinheiro para os trabalhadores.

Frases profundas: "Uma mudança necessária", "Colocar o poder político ao serviço do Povo", "Basta de injustiça", "A candidatura dos trabalhadores", "Valorizar o trabalho e os trabalhadores".
Enfim, uma lufada de ar antigo.

Tem dificuldade em rir. O que me assusta não pouco. 


José Manuel da Mata Vieira Coelho

Comunista, no entanto pertence ao PND, Partido da Nova Democracia, um movimento que deu um novo sentido à expressão "sub-atómico".

É sem dúvida o candidato mais simpático: sempre sozinho, com o sotaque da Madeira, nem se fosse o único candidato conseguiria ganhar, pois duvido que tivesse a coragem para votar em si mesmo.

O seu lema "Basta de Pastéis, Coelho a Belém" deveria ser considerado património nacional, ao lado das obras de Camões.


É tudo.
Agora, Meus Senhores, façam a Vossa escolha.


Ipse dixit.

4 comentários:

  1. Isto prova que o mundo todo se tornou uno na mediocridade. Se achamos que determinado político de outro País é sério é porque a propaganda nos iludiu. Está tudo como dantes, como no quartel de Abrantes. Aqui no Brasil foi a mesma coisa. Nenhum dos políticos tinha a mínima condição de assumir o governo. A corrupção eleitoral (urnas eletrônicas) e a mediocridade do povo sempre são ferramentas acessórias para a configuração da escravidão mundial. É triste sabermos que somos governados por bonecos cuja inteligência está bem abaixo da nossa. Muito triste.

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  2. NunoSav21.1.11

    "Não sabes em quem votar no próximo domingo? Então vota no Sr. Pilas. Ele é a tua única esperança. O único que aumenta a população, é duro, respeita as regras, não gosta de chatos. A sua única preocupação é ficar por dentro. Conta com o apoio das mulheres. As suas realizações aparecem após 9 meses. É modesto e está sempre escondido. Trabalha a qualquer hora do dia ou da noite. Não é preguiçoso, levanta-se apenas com o pensamento. É pobre, vive pendurado. Chora de prazer quando trabalha. É honesto, é o único que entra cheio e sai vazio. Desportista, joga com 2 bolas. Só fica preguiçoso após o trabalho. É educado, quando vê uma mulher levanta-se. Não é traiçoeiro, mas às vezes ataca por trás.

    Vota no Sr. Pilas"

    Mensagem que me enviaram, tinha que partilhar :P

    Agora a sério, é como tu dizes, o cargo é quase inútil. Minha ideia é que o Presidente da Republica está lá para manter o governo dentro dos parâmetros da Constituição da Republica com a autoridade de o por na rua. Na realidade e do que eu me lembro dos últimos anos não passa dum reformado a gozar dinheiros públicos para viajar por todo o lado acenando a cabeça dando um passou-bem não comentando nada do que se passa no país/mundo (Modus Operandi do Cavaco).

    A única vertente positiva para o cargo seria a atenção dos média que pode atrair, alguém que lá chegasse e durante os 5 anos fizesse das TVs a sua segunda casa para educar os Portugueses e mandar umas bofetadas psicológicas aos jornalistas.

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  3. Olá Mescar.

    Continuo a pensar que a democracia seja o regime dos números e não do mérito. Não ganha o melhor, mas quem conseguir mais votos: e não é a mesma coisa.

    Por isso as ideias também não podem ser as melhores que um País possa exprimir.

    E isto vale em Portugal, no Brasil, em Itália...

    Abraço!

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  4. LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL!!!
    Obrigado Nuno!

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