15 janeiro 2011

Quatro cenário para o fim dos Estados Unidos - Parte III



Terceira parte do artigo que analisa possíveis cenários futuros para o fim do Século Americano.

Realçamos: possíveis.
Estes não são previsões, mas cenários que poderiam, eventualmente, tornar-se realidade, na integra ou em parte.

Para mais informações podem ler a primeira parte, enquanto a segunda pode ser encontrada neste link.

Boa leitura!


Crise do Petróleo: situação actual

Uma vítima da queda do poder económico norte-americano foi o bloqueio de fornecimento do petróleo mundial. A China tornou-se o maior consumidor mundial de energia no passado Verão, uma posição que os Estados Unidos haviam alcançado e mantido ao longo de mais de um século.

Michael Klare, especialista em energia, tem argumentado que esta mudança significa que a China vai "conduzir o caminho para moldar o nosso futuro global."



Em 2025, Irão e Rússia controlarão quase metade da oferta mundial de gás natural, o que poderia dar-lhes uma enorme influência sobre a Europa que tem fome de energia. Acrescentamos as reservas de petróleo e, como o National Intelligence Council tem advertido, em apenas 15 anos os dois Países podem "emergir como fulcros da energia".

Apesar do engenho, as potências do petróleo estão agora a drenar as reservas de petróleo mais fáceis de serem exploradas.

A verdadeira lição do desastre de petróleo da Deepwater Horizon, no Golfo do México, não foram as normas de segurança malfeita da BP, mas o simples facto que toda a gente viu: um gigante da energia que não tinha outra escolha a não ser recuperar o que Klare chama "duro petróleo", quilómetros abaixo da superfície do oceano, para manter os próprios lucros.

Para agravar o problema, Chineses e Indianos de repente tornaram-se grandes consumidores de energia. Mesmo que as reservas de combustível fóssil permanecessem constantes (o que não acontecerá), a procura e os custos irão aumentar, e fortemente.

Outros Países desenvolvidos estão a enfrentar essa ameaça de forma agressiva, mergulhando em programas experimentais de desenvolvimento de fontes alternativas de energia.
Os Estados Unidos têm tomado um caminho diferente, fazendo muito pouco para desenvolver fontes alternativas, enquanto que nas últimas três décadas, duplicaram a dependência das importações estrangeiras de petróleo.

Entre 1973 e 2007, as importações de petróleo aumentaram de 36% da energia consumida nos Estados Unidos até 66% .


Crise do Petróleo: Cenário 2025

Os Estados Unidos continuam tão dependente do petróleo estrangeiro que alguns desenvolvimentos negativos no mercado mundial de energia em 2025 irão provocar um choque do petróleo. Em comparação, isso faz parecer trivial a crise do petróleo de 1973 (quando os preços quadruplicaram em poucos meses).

Irritados com o colapso do Dólar, os ministros da Opep reunidos em Riad, pedem os pagamentos futuros de energia em Iene, Yuan e Euro. Esta medida aumenta ainda mais o custo das importações de petróleo nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, durante a assinatura duma nova série de contratos de fornecimento de longo prazo com a China, a Arábia Saudita estabilizam as próprias reservas monetárias ao passar para o Yuan. Entretanto, a China investe incontáveis biliões na construção dum grande gasoduto trans-asiático e no financiamento para a exploração dos campos do Irão, nomeadamente South Pars, a maior reserva natural de gás natural no mundo.

Preocupados com a ideia de que a Marinha dos EUA possa já não ser capaz de proteger os petroleiros no Golfo Pérsico, Teheran, Riad e Abu Dhabi formam uma inesperada aliança no Golfo, e anunciam que a nova frota de aviões rápidos da China ficará encarregue de patrulhar as águas do Golfo Pérsico a partir de uma base no Golfo de Omã.

Sob fortes pressões económicas, Londres aceita revogar o contrato de leasing da base americana na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, enquanto Canberra, pressionada pelos Chineses, informa Washington de que a Sétima Frota já não tem a autorização de usar Fremantle como um porto de partida: a Marinha dos Estados Unidos fica assim fora do Oceano Índico.

Com poucos traços de caneta e alguns anúncios lacónicos, a "Doutrina Carter", pela qual o poder militar dos Estados Unidos quis proteger "eternamente" o Golfo Pérsico, em 2025 é colocado em repouso.

Todos os elementos que têm garantido o abastecimento ilimitado de petróleo barato aos Estados Unidos a partir dessa região, logística, câmbio e poder naval, evaporam.

Nesta altura, os Estados Unidos só podem cobrir um insignificante de 12% das próprias necessidades energéticas a partir da nascente indústria da energia alternativa, e ficam dependentes do petróleo importado para a metade do consumo.

A seguinte crise do petróleo atinge o País como um furacão, aumentando os preços até níveis surpreendentes, tornando as viagens extremamente caras, colocando os salários reais (que tinham-se mantido por muito tempo em declínio) em queda livre e tornando não-competitivo tudo o que resta da exportação norte-americana.

Os preços do gás dispararam e os Dólares fogem dos EUA em troca de petróleo barato: a economia dos EUA está paralisada. Com as antigas alianças chegadas ao fim e a carga tributária crescente, as forças militares dos EUA finalmente começam uma retirada organizada para o interior do País.

Em poucos anos, os Estados Unidos atingem a bancarrota e o relógio corre em direcção à meia-noite do Século Americano.


Infortúnios Militares: a situação actual

Inesperadamente, quando diminui o poder, os impérios muitas vezes mergulham em aventuras militares mal-aconselhadas.
Este fenómeno é conhecido entre os historiadores como "micro-militarismo" e parece envolver esforços psicologicamente compensatórios para silenciar a dor da retirada ou da derrota, ocupando novos territórios, mesmo que brevemente e de forma catastrófica.

Essas operações irracional também do ponto de vista imperial, frequentemente produzem grandes despesas ou derrotas humilhantes que só aceleram a perda de poder.

Impérios em dificuldade, com a idade sofrem de uma arrogância que motiva a mergulhar em desventuras militares.

Em 413 a.C., uma Atenas enfraquecida enviou 200 navios ao massacre na Sicília.
Em 1921, uma Espanha imperial em desaparecimento enviou 20.000 soldados a ser dizimados por guerrilheiros berberes em Marrocos.
Em 1956, um decadente Império Britânico destruiu a própria reputação ao atacar Suez.
E em 2001 e 2003, os EUA ocuparam o Afeganistão e invadiram o Iraque. Com a arrogância que caracterizou os impérios durante milhares de anos, Washington tem vindo a aumentar as tropas no Afeganistão, ampliou a guerra no Paquistão e estendeu o seu compromisso até 2014; criou grandes e pequenos desastres nestes cemitérios de armas nucleares imperiais infestados com a guerrilha.


Infortúnios Militares: Cenário 2014

Irracional e imprevisível é o "micro-militarismo", cujos cenários aparentemente imaginativos são logo ultrapassados pelos acontecimentos reais.

Com as forças dos EUA que se estendem desde a Somália até as Filipinas, com as crescentes tensões em Israel, Irão e Coreia, as possíveis combinações para uma desastrosa crise militar no estrangeiro são muitas.

Meados de Verão de 2014: uma guarnição dos EUA na cercada Kandahar, no sul do Afeganistão, é de repente e inesperadamente invadida por combatentes Talibães, enquanto os aviões americanos são obrigados a ficar em terra por causa de uma tempestade de areia.

Há pesadas baixas e, na retaliação, um comandante dos EUA perde bombardeiros B-1 e caças F-16 para destruir inteiros bairros que acredita-se estar sob o controle dos talibãs, enquanto os artilheiros AC-130U Spooky percorrem os destroços com o fogo devastador do canhão.

Logo, os mullah invocam a jihad nas mesquitas de toda a região, e as unidades do exército afegão, treinadas pelas forças dos EUA na tentativa de mudar o rumo da guerra, começam a desertar em massa. Combatentes talibãs lançam uma série de ataques sofisticados em todo o País, elevando o número de baixas dos EUA.
Numa reminiscência das cenas que lembram Saigon em 1975, helicópteros salvam militares e civis americanos nos telhados de Cabul e Kandahar.

Enquanto isso, irritados com as décadas sem fim de impasse sobre o assunto palestiniano, os líderes do Opec definem um novo embargo petrolífero contra os Estados Unidos, para protestar contra o apoio a Israel, bem como a morte dum número desconhecido de civis muçulmanos nas guerras em curso no Médio Oriente.

Com a escalada dos preços, Washington tenta um golpe a surpresa e envia forças de operações especiais para tomar posse dos portos petrolíferos no Golfo Pérsico.

Isso, por sua vez, desencadeia uma avalanche de ataques suicidas e sabotagem de oleodutos e poços de petróleo.

Como nuvens negras que sobem no céu e diplomatas nas Nações Unidas que denunciam as acções dos EUA, os jornalistas de todo o mundo retrocedem na história para marcar a situação como o "Suez da América", uma referência que conta o fracasso de 1956 e que marcou o fim do Império Britânico.


Acaba aqui a terceira parte.
Falta a quarta. Ah pois, falta.
Em breve aparecerá.

Quatro cenário para o fim dos Estados Unidos - Parte I
Quatro cenário para o fim dos Estados Unidos - Parte II

3 comentários:

  1. Existem inúmeras reservas de petróleo espalhadas pelo mundo inteiro, guardadas pelos nossos amos. Mas petróleo trás guerra e mais controle sobre o mundo. A China é uma farsa e está sendo usada pelos donos do dinheiro. São rios de dinheiro injetados lá, apesar dos prejuízos, pois para quem extrai dinheiro do nada, não há prejuízo.Mas petróleo é uma excelente arma. Sem petróleo como justificar tensão no Oriente Médio? Afinal de contas é lá que se dará o Apocalipse! Daí então, o petróleo tem que se fazer importante lá, até o desfecho.
    Por onde os senhores do mundo passavam, nações se erguiam financeiramente. E quando eles de lá saíam, a nação minguava. É só analisar a história e ver o pico de crescimento e verificar. Foi assim ao longo dos séculos. Na verdade tudo já está traçado para acontecer há muito tempo. O que é necessário antes é moldar a mente do mundo para aceitar as mudanças. Portanto, hoje o número de pessoas que se sentem bem sendo escravas é muito grande. É enorme. Para elas está tudo bem e o mundo que preferem é este. Não querem saber de ficar pensando muito, pois isto gera desgaste e desconforto. É triste mas é assim. Hoje o mundo não está mais preparado para a verdadeira liberdade.
    Que Deus nosso Senhor tenha dó dos poucos que ainda andam eretos e firmes.

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  2. Petróleo = Guerra.
    Pois, uma equação que infelizmente conhecemos muito bem.

    "A China é uma farsa e está sendo usada pelos donos do dinheiro."
    Concordo: o despertar da China provavelmente não foi apenas um acontecimento "natural". Mas acho ser mais do que uma simples farsa.

    "Portanto, hoje o número de pessoas que se sentem bem sendo escravas é muito grande. É enorme. Para elas está tudo bem e o mundo que preferem é este. Não querem saber de ficar pensando muito, pois isto gera desgaste e desconforto."
    Não só: mas a nossa sociedade foi criada para que os cérebros sejam empenhados com assuntos inúteis: assim os poucos pensamentos ficam afastados dos verdadeiros problemas.

    Abraço!

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