21 janeiro 2011

Três notícias

Economia? Sim, é uma boa altura para três notícias.
Prontos?
Ok, vamos.

Notícia 1:
Grécia kaput?

Uma fonte próxima do Ministério das Finanças alemão, relata a agência Reuters, afirma que os funcionários [do Ministério] estão a analisar uma possível bancarrota grega. Já estaria pronto um plano de contingência.

E logo depois da Reuters, eis a negação do costume: o Ministério das Finanças alemão declara que não está a preparar-se perante um eventual default grego.



Inútil tentar saber mais. Mas é uma notícia esquisita: uma bancarrota da Grécia, nesta altura, significaria admitir que Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu falharam a operação de socorro.
Isso sem contar o dinheiro dos contribuintes europeus (e não só) enviado para Atenas.

O quê? Estão a borrifar-se para o dinheiro dos contribuintes?
Sim, também isso é verdade.

Então tentamos ver as coisas segundo um novo ponto de vista: quanto perderiam os bancos (não os gregos, que já estão sem dinheiro) no caso duma bancarrota da Grécia?

É por isso que não consigo olhar com confiança para esta notícia.

Não agora. É demasiado cedo.

Notícia 2:
14.000.000.000.000 de Dólares

Atravessamos o Atlântico e paramos na terra do Tio Sam.

Pergunta: quando o maior investidor privado do Mundo em Títulos reduz em 30% os Títulos de Estado nacionais, o que pode significar?
É exactamente isso que aconteceu.

Pimco vendeu quantidades consideráveis de Bonds Made in USA.
Mau sinal, muito mau mesmo.

Pensem nisso: se o maior investidor não confia nos Títulos do próprio País (pois Pimco é americana), quem deveria confiar?

E provavelmente é disso que estamos a falar: dum sinal, forte e claro.

No passado dia 7 de Janeiro, o Secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, tinha alertado os Congressistas para o elevado risco de falência do País.
De facto, como sabem os aficionados leitores deste blog, a situação em Washington é grave, muito grave mesmo: a dívida dos EUA, nos finais de Dezembro de 2010, atingiu a marca de 14 triliões (americanos!) de Dólares EUA
Apenas seis meses antes, em Junho, tinha sido de 13 triliões (americanos!) de Dólares.
Resumo: um trilião em seis meses, nada mal.

O défice orçamental do ano passado representou cerca de 10% da produção económica: tanto para ter uma ideia, é um valor pior daquele apresentado pela Grécia na altura em que esta pediu ajuda internacional.

"Tudo bem", pode pensar o leitor, "então Pimco vende porque tem medo da falência, não é um sinal ou algo do género".


Calma, deixem explicar.

Timothy Geithner, o tal Secretário do Tesouro, é o braço do mundo financeiro no interior do governo americano.
Doutro lado, Pimco é parte integrante (e que parte...) do mesmo mundo.

A venda da Pimco é o segundo sinal para Barack Obama: antes as palavras de Geithner, agora a venda dos Títulos. Objectivo? Obrigar o Presidente a tomar as medidas que a finança pretende.

Será interessante observar nas próximas semanas os desenvolvimentos da questão.
Ontem, no entanto, a reforma sanitária de Obama foi rejeitada.


Notícia 3:
Vallejo? Já foi.

E para acabar, ainda Estados Unidos.

Vallejo, Califórnia
Vallejo, amena localidade da Califórnia, faliu. É o primeiro caso de câmara municipal em bancarrota nos Estados Unidos.

Mas, não sei porquê, tenho como a impressão que não será a última.

O leitor é um dos credores de Vallejo? Pena, pois agora irá receber entre 5 e 20 cêntimos por cada Dólar de credito.

É pouco? Eu sei que é pouco, por isso é chamada de bancarrota. Aliás, de "reestruturação da dívida", que é muito mais elegante.

Mas afinal porque faliu?
Pergunta errada.
A pergunta correcta deveria ser: "Mas afinal porque não tinha falido antes?"

Estamos a falar duma cidade de pouco mais de 120.000 moradores com uma dívida de 195 milhões de Dólares. Dívida paga até agora com obrigações (Títulos da Câmara, neste caso).

E quando chegar a altura de reembolsar a dívida e o cofre estiver vazio? Já é história antiga: ou conseguirmos emitir novas obrigações para pagar as velhas (e a nossa dívida aumenta, aumenta, aumenta...) ou é bancarrota.

Pardon: reestruturação da dívida.

Simples.

Ipse dixit.

Fontes: Der Spiegel, The Bond Buyer

2 comentários:

  1. Desculpe, a minha ignorancia, mas quem comprou estes bonus americanos...

    Abraços.

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  2. Olá PPP!

    quem comprou estes bónus americanos fica lix...ehm, vamos dar uma resposta mais técnica.

    A Câmara de Vallejo não tem um tostão, por isso não pode pagar as próprias dívidas (neste caso as obrigações que emitiu).

    Recolheu os documentos, foi para o Tribunal e disse ao juíz: "Querido Juíz, não temos um tostão. No entanto, temos que ir em frente, não podemos simplesmente fechar a cidade. Por isso fizemos duas contas: conseguimos pagar entre 5 e 20 cêntimos por cada Dólar investido nas nossas obrigações".

    "Excelente!" disse o juíz, "Vão ver como ficam contentes os investidores", e aprovou o projecto que toma o nome de "reestruturação da dívida".

    Assim, um investidor que comprou, por exemplo, 100 Dólares em obrigações da Câmara de Vallejo, fica com 5 ou 20 Dólares.

    E o resto? Perdido.
    Alguns investidores podem ter assinado também um seguro na altura (espero) contra o risco de insolvência (como neste caso).

    Mas quem investiu sem "protecção", por assim dizer, perde entre 80 e 95 Dólares por cada 100 investidos.

    Um péssimo negócio, sem dúvida...

    P.S.: mas qual "ignorância"? Deve ainda nascer o homem que sabe tudo.

    Abraço!

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