15 fevereiro 2011

A Caverna

Platão (Atenas, 428 a.C./427 a.C. – Atene, 348 a.C./347 a.C.) foi um filosofo grego.
Com Sócrates e Aristóteles pus as bases do pensamento filosófico ocidental.


O Mito da Caverna
Imaginamos que prisioneiros foram acorrentados desde a infância no interior de uma caverna. Não são apenas os membros, mas também cabeça e pescoço são bloqueados, de modo que os olhos dos infelizes só podem olhar para a parede diante deles.

Considere também que nas costas dos prisioneiros foi acesa uma grande fogueira e que, entre o fogo e os prisioneiros, exista um percurso mais elevado. Por este caminho foi construído um baixo muro, ao longo do qual alguns homens levam as formas de vários objectos: animais, plantas e pessoas.
Formas que projectam as próprias sombras na parede; e isso atrai a atenção dos presos. Se um dos homens que carregam estas formas falasse, isso formaria uma eco na caverna, o que levaria os prisioneiros a pensar que a voz vem das sombras que podem observar na parede.





Enquanto uma personagem externa teria uma ideia completa da situação, os presos, sem saber o que realmente acontece por trás dele e sem experiência do mundo exterior (lembre-se que eles estão acorrentados desde a infância), seriam susceptível de interpretar as sombras "falantes "como objectos, animais, plantas e pessoas reais.

Suponhamos que um prisioneiro consiga libertar-se das correntes e seja forçado a permanecer de pé, com o rosto em direcção à saída da caverna: primeiro, os olhos ficariam deslumbrados com a luz do fogo e sentiria dor.
Além disso, as formas levadas pelos homens ao longo do baixo muro pareceriam menos reais das sombras que ele costuma ver na parede: até se fosse mostrada a verdadeira natureza das sombras e a fogueira, o preso ficaria duvidoso, ao sofrer com a vista do fogo, poderia escolher olhar apenas para as sombras.

Da mesma forma, se a vítima fosse forçada a sair da caverna e exposta à luz solar directa, ficaria cega e não conseguiria ver nada. O prisioneiro ficaria certamente desconfortável e irritado por ter sido arrastado naquele lugar.

Querendo acostumar-se com a nova situação, o prisioneiro seria capaz de distinguir inicialmente apenas as sombras das pessoas e os seus reflexos na água, só com o passar do tempo poderia aguentar a luz e olhar para os próprios objectos.

Mais tarde, ele poderia, à noite, olhar para o céu, admirando os objectos celestes com maior facilidade do que durante o dia. Finalmente, o prisioneiro libertado seria capaz de ver o próprio sol, em vez do seu reflexo na água, e entender que:
é ele que produz as estações e os anos e que governa todas as coisas visíveis e que, de certa forma, é causa de tudo o que ele e os seus companheiros viram.
(Platão, A República, Livro VII, 516 c - d)
Percebendo a situação, ele queria, sem dúvida, voltar para a caverna e libertar os seus companheiros, estando feliz da mudança e experimentando para eles um sentimento de piedade: o problema, no entanto, é que seria convencer os outros prisioneiros a serem libertados.

Na verdade, tendo sido os seus olhos acostumados à luz,  deveria passar algum tempo antes que o prisioneiro libertado pudesse ver claramente o fundo da caverna; e durante este período, muito provavelmente ele seria ridicularizado pelos outros presos, tendo voltado com "os olhos arruinados".

Além disso, isso poderia afectar negativamente a tentativa de convencer os outros presos, até poderia levar estes a mata-lo se tentasse liberta-los e traze-los à luz, porque, diriam eles, não valeriam a pena a dor da cegueira temporária e o cansaço da subida para admirar as coisas que ele descreveu.

Platão nos convida a imaginar que as coisas se passam, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes  e com poucas possibilidades.

Primeiro, o homem precisa de acordar deste sono chamado de "vida" (equivalente à libertação dos presos), depois ele percebe a ficção que o homem acreditava serem entidades reais (as sombras na caverna); finalmente, chega a ver a verdade para que ela realmente é (o sol e o mundo fora da caverna).

O instinto humano é libertar os outros prisioneiros para compartilhar as descobertas; mas essa tentativa é inútil, já que os prisioneiros não podem e não querem ver além das sombras reconfortante e atacam o portador da verdade.

Quem, entre nós, tem a coragem de abandonar as sombras reconfortantes?


Ipse dixit.

5 comentários:

  1. Estuda!!!

    lololol...

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  2. Vitor15.2.11

    Eis uma frase de Nicolau Maquiavel que se encaixa neste contexto: "Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!"

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  3. Olá Vítor. E, de facto, é uma frase que faz pensar...

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  4. Gabrielly19.5.11

    É um texto realmente interessante e lógico.
    Gostei bastante.
    Quero ressaltar que a mensagem deixada pelo Vitor nos faz pensar: Pq deixar o certo pelo duvidoso??
    Por isso a maioria (não estou generalizando) tem medo das mudanças!!!

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