07 fevereiro 2011

A César o que é de César

Boa notícia: a crise acabou. E acabou mesmo, temos a prova.

Pensa o leitor: "Mas como? E os desempregados, e a economia em estagnação, o e meu ordenado que vale cada vez menos?"
Pffffff, leitor desactualizado. Siga Informação Incorrecta e aprenda duma vez por todas.

Em 2009, o terrível anos 2009, os managers das grandes empresas tiveram que abdicar dos bónus.
Foi muito triste, eu também fiquei emocionado na altura e não escondo que algumas lágrimas molharam o teclado. Mas era lógico, tudo somado, era um período difícil.

Pensei: "Será que um dia estas criaturas poderão voltar a sorrir, ver os frutos do duro trabalho, a justa recompensa de tantos esforços?".

Finalmente, eis a boa notícia, aquele dia voltou!  Porque voltou? Porque a crise acabou, simples.

As primeiras 25 empresas de Wall Street, a maioria das quais já salvas com o dinheiro dos contribuintes, totalizaram 135.000.000.000 Dólares em bónus.



Não é muito? 135 mil milhões de Dólares não é muito? Verdade, poderiam ter feito mais. Mas afinal falamos apenas das 25 principais empresas, não de todas. É sempre um bom começo.

Um exemplo qualquer: Lloyd Blankfein.

Lloyd Blankfein
O bom Lloyd nasceu no Bronx, é judeu (olha!), e após anos de duro trabalho (por exemplo na Asia Society da família Rockfeller) e financiamentos políticos (ofereceu mais de 4.000 Dólares para a campanha de Hillary Clinton), conseguiu finalmente chegar ao topo da Goldmann Sachs, a conhecida empresa que podemos comparar com a Santa Casa da Misericórdia de Portugal.

Recebeu 13,2 milhões de Dólares entre ordenado e bónus, o mínimo para pagar luz, água, alimentos e renovar a frota pessoal de Cadillac.

"E a escola dos filhos?" Deve ter pensado o bom Lloyd. Justo, os filhos são pedaços do coração.
Por isso o bom Lloyd pensou num aumento da própria paga base: 10%? 50%? 100%?
Mas porquê ser forreta? 300% e discurso fechado: a paga base fica em 2 milhões de Dólares.

Mas os Estados Unidos são uma democracia. Por isso Lloyd não foi o único que gozou do fim da crise.

Também o vice, Gary Cohn (olha, outro judeu!) conseguiu 1,85 milhões. De prémio? Não, ora essa, de ordenado. O prémio foi de 12 milhões.

Outros representantes da classe proletária (pois afinal falamos de assalariados que trabalham em empresas privadas, não de sujos capitalistas) que conseguiram receber algumas mais valias foram  James Gorman (olha, ainda um judeu!) da Morgan Stanley (7,4 milhões em acções, mais trocos em cheques), Brian Moynihan da Bank of America, com cerca de dez milhões no total, James Dimon da JP Morgan Chase (17,5 milhões de Dólares).
James Dimos? Um Grego??? Deve ser um erro.

Seja como for, objectivo deste artigo era demonstrar que a crise já entrou na História.
Desde o começo do ano, os bancos falidos nos Estados Unidos foram apenas 14:  só um cada 3 dias.
Contra factos não há palavras: e os bónus dizem que o futuro é cor de rosa.


Ipse dixit.

Fontes: Intermarket&More, IlSole24Ore

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