11 fevereiro 2011

Esquisito, mas verdadeiro...

Sexta-feira. Até que enfim.
Mas antes de deixar os leitores descansar, proponho uma questão.

Observemos os políticos dos principais Países Ocidentais, os mais "evoluídos", por assim dizer.
Todos estes leader parecem ter sido atingidos por uma inexplicável tendência suicida.

Uma doença? Sim, de alguma forma podemos chamar isso como "doença".

Obama, Socrates, Zapatero, Blair, Cameron, Sarkozy, Papandreu, Monhian. Todos parecem ter um único objectivo: perder as próximas eleições. E estão muito empenhados nisso. Com sucesso, diga-se.





Com Obama nenhum gerente de Wall Street foi incriminado, a crise permanece órfã. A economia continua a perder pedaços, Yes We Can foi definitivamente enterrado, a única que toma decisões é a Federal Reserve.

Fartos, os Americanos decidiram punir o Presidente nas eleições intercalares; mas o bom Obama, após ter conseguido o pior desastre eleitoral democrático desde 1932, não ficou satisfeito e decidiu rodear-se do pessoal dos bancos mais poderosos e equívocos.

Os Republicanos observam: nem precisam fazer algo, ganharão as próximas eleições sem mexer um dedo.

Mesma situação de Sócrates. O principal partido da oposição, o PSD, terá que limitar os próprios disparates (como a ideia de privatizar as empresas estatais que não geram lucros) para conseguir uma fácil vitória. O actual Primeiro Ministro conseguiu deitar no lixo uma maioria absoluta.



Zapatero promoveu reformas que apenas há dois anos ele mesmo teria definido como "fascistas".  Blair foi "despedido" pelos Ingleses, Cameron arrisca, Sarkozy e Papandreu estão na corda bamba.

Todos, sem excepções, aprovaram as melhores medidas para enfurecer os cidadãos.
Esquisito, até porque muitos deles são supostamente pessoas de Esquerda.

A explicação oficial é que os tempos difíceis obrigam a medidas impopulares.
Uma afirmação particularmente interessante: dito de outra forma, estas pessoas estão a dizer que a Esquerda não tem politicas eficazes para as alturas de crise, pelo que é preciso utilizar as receitas da Direita.
O que é obviamente falso.

Mas a verdade é que qualquer política social foi afastada sem pudor. Ninguém hoje em dia, quer ser visto como uma pessoa de Esquerda.

Há excepções? Há políticos que não tentam suicidar-se?
Sim, há dois: Angela Merkel e Silvio Berlusconi.

Angela Merkel pode ficar descansada. Atrás dela tem a eficiente máquina produtiva da Alemanha. E os Alemães, que não são pessoas normais (no bom sentido, entendo). Há um problema? Os Alemães tentam resolve-lo de forma racional. E, inacreditável, funciona!

O poder da indústria teutônica é sem dúvida o maior do Velho Continente: a Merkel conseguiu o melhor para o País com uma boa gestão dos grandes recursos.

Discurso diferente para Berlusconi.
Porque, mesmo ao ficar sempre no centro de vários escândalos (em prevalência de carácter sexual, mas não só), o actual Primeiro Ministro italiano não perde popularidade?

A residual capacidade industrial italiana não é comparável com o potencial alemão e não é suficiente como explicação. 

Eis uma simples explicação que fará torcer o nariz de muitos leitores.
Eu não sou fã de Berlusconi, e acho que um mundo sem ele seria um lugar melhor.

Mas a verdade é que Berlusconi nunca deu dinheiro aos bancos. Deu às empresas (Fiat, por exemplo), mas não aos bancos. E não aumentou a despesa pública. E não cortou as despesas sociais.

Resolveu? Não, mas não piorou. E num clima de tragédia continental como aquele vivido na Europa, este foi um resultado positivo.

Sendo assim, podemos facilmente perceber quem é refém dos grandes grupos económico-financeiros (e portanto obrigado a seguir passivamente as absurdas ordens que têm como fim salvaguardar os bancos e empobrecer os cidadãos) e quem, pelo contrário, manteve um mínimo de autonomia.

Merkel e Berlusconi não são obrigados a seguir as ordens dos bancos. Nem são obrigados a admitir "consultores" económicos originários dos grandes grupos. 

Pode custar admitir isso, mas é assim.


Ipse dixit.

1 comentário:

  1. NunoSav15.2.11

    Se estás na zona euro e na UE como é que não obedeces aos bancos? :P

    Se pertences a um dos dois já tens problemas, embora a Itália, ouvi dizer (por favor confirma) tem a sua própria moeda que só pode ser usada em Itália.

    Quando não controlas a moeda do país que és suposto gerires estás destinado a afundar! Minha opinião :D

    Abraço

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