02 fevereiro 2011

Narcolepsia? Fosse só isso...

Notícia de hoje:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) voltou a avaliar a segurança da vacina contra a gripe pandémica H1N1 da GlaxoSmithKline, a Pandemrix - que é a usada em Portugal - na sequência da publicação de um estudo finlandês que sugere que as crianças que foram vacinadas têm nove vezes mais probabilidade de sofrer de narcolepsia, um distúrbio raro do sono, reporta a agência Reuters.



As vacinas. Pois.
Mas o que é esta narcolepsia? Vamos ler Wikipedia:
Narcolepsia é uma condição neurológica caracterizada por episódios irresistíveis de sono e em geral distúrbio do sono. É um tipo de dissonia.
O sintoma mais expressivo é a "preguiça" e sonolência diurna excessiva, que deixa o paciente em perigo durante a realização de tarefas comuns, como conduzir, operar certos tipos de máquinas e outras acções que exigem concentração.
Isso faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e, até mesmo, em casa.[...]
Hanna Nohynek, a responsável por estudos de segurança no instituto finlandês, disse que o risco calculado de narcolepsia em crianças entre os quatro e 19 anos era de um em 100 mil e que o estudo mostrou que, entre os que tinham sido vacinados, esse risco sobe para 8,1 em 100 mil.

Na prática, a criança afectada cai adormecida.
O que, com muita boa vontade, pode ser vista como uma forma de vacina: o vírus afecta, mas o sujeito nem repara pois está a dormir.

E que diz a GlaxoSmithKleine, produtora do remédio?
A GlaxoSmithKline (GSK) já veio dizer que conhece a investigação mas que é ainda muito cedo para tirar conclusões. Uma investigação independente levada a cabo por reguladores europeus já está no terreno.
Interessante esta afirmação.
A Glaxo não diz "Nem pensar, ora essa, experimentámos a vacina antes de comercializa-la, imaginem se a nossa empresa pode vender um produto com efeitos desconhecidos!".

Não, o que a Glaxo diz é: é cedo.

Cedo?
Eu acho que é tarde.
Desde a década dos '90 quase não passou ano sem que esta empresa ficasse envolvida em "controvérsias", para usar o eufemismo de Wikipedia.

1992: Paroxetina (Seroxat, Paxil)
Antidepressivo, desde 2004 é sinalizado como remédio potencialmente capaz de levar o paciente ao suicídio.

2003: Confissão
Allen Rose, vice-presidente da Glaxo, admite que a maioria dos medicamentos prescritos não funcionam.
Da grande maioria dos medicamentos, mais de 90 por cento funcionam em apenas 30 ou 50 por cento das pessoas. Eu não diria que a maioria dos remédios não funcionam. Eu diria que a maioria dos medicamentos funcionam em 30 a 50 por cento das pessoas. 
2005: Maltrato de animais
São mostradas imagens chocantes acerca das condições de inaudito sofrimento dos animais nos laboratórios da empresa.

2005: Monopólio ilegal
A AIDS Healthcare Fundation acusa a Glaxo de reduzir a produção do medicamento AZT para manter alta o valor de mercado, e isso apesar do aumento da demanda.

2006: Fraude
O Tribunal da Califórnia anuncia que a Glaxo aceita o pagamento da coima de 14.000 milhões de Dólares, para resolver a acusação de ter inflacionado o preço do antidepressivo Paxil, ter impedido a comercialização dos relativos genéricos, ter violado a lei antitrust.

2007: Intimidação
Uma comissão do Congresso dos Estados Unidos revela as intimidações efectuada pela empresa contra o Dr. John Buse, da University of North Carolina, o qual tinha manifestado preocupação sobre os riscos cardiovasculares associados à rosiglitazona (nome comercial Avandia).

2010: Adulteração
Em Outubro, a Glaxo aceita pagar 150 milhões de Dólares de coima e 600 milhões de Dólares de compensações pelos prejuízos causados após ter comercializado remédios adulterados na unidade produtiva de Cidra, Porto Rico.

Moral: se um criminal entrasse na Glaxo, ficaria assustado.
E perante uma tal "folha se serviço", acham que a empresa pode ficar assustada com um pouco de narcolepsia?

Ipse dixit.


Fonte: Público, Wikipedia

2 comentários:

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...