04 fevereiro 2011

O barril


Será que temos de levar ainda mais a sério o actual cenário? Será que o que estamos a observar no Egipto pode tornar-se um efeito dominó de proporções inimagináveis?
 
Por enquanto é cedo para avançar como uma afirmação destas. É provável que uma vez resolvida a situação do Cairo, as outras condições difíceis possam não ultrapassar os confins regionais.

No entanto, não podemos esquecer que a revolta não é apenas um fenómeno interno do Egipto. 

Tunísia
Afastado Ben Ali, o primeiro-ministro Ghannouchi deve agora lidar com as reformas exigidas pela população. Que ainda manifesta, insatisfeita com um governo fruto do compromisso.



Argélia
Foi aqui que, em meados de Dezembro, alastrou a faísca na área. Muitos suicídios de protesto; o presidente Bouteflika ainda está no poder e há dois dias três pessoas desempregadas mutilaram-se.

Marrocos
O rei Mohammed VI impediu a propagação da revolta através da introdução de medidas para conter a inflação. Mas a situação está longe de ser resolvida: na Terça-feira dois desempregados morreram entre as chamas.

Líbia
Na terra de Khadafi, no poder desde 1969, Janeiro começou com centenas de Líbios que ocuparam casas contra os preços elevados. Rápida a repressão, mas o desemprego é elevado.

Jordânia
Os muitos protestos em Amã, o último dos quais na passada Sexta-feira, levaram o rei Abdullah a demitir o primeiro-ministro ,Marouf Bakhit, e nomear o novo.
 
Arábia Saudita
As manifestações chegaram até à Arábia Saudita, em Jeddah, onde encontrou refúgio o ex-ditador da Tunísia, Ben Ali. E mesmo na terra do rei Abdullah, um homem pôs-se em chamas.
 
Yêmen
35% dos habitantes têm entre 14 e 29 anos, a taxa de desemprego é muito elevada. Hoje é prevista uma demonstração para exigir a renúncia do presidente Saleh, na capital Sanaa.
 
Sudão
O Presidente al-Bashir aceitou formalmente a independência do sul, mas o País dividido, numa situação de forte instabilidade, pode ser um foco de insurreição geral.
 
Mauritânia
Também na Mauritânia houve protestos de rua e um empreiteiro escolheu morrer entre as chamas. O País tem uma taxa de desemprego de 30%. Os jovens são 31% da população.


Estamos sentados sobre um barril de pólvora? Assim parece.

A verdade é que a crise internacional, mas sobretudo a especulação no sector alimentar ao longo dos últimos meses e a consequente inflação, têm criado uma situação insustentável.

Uma dúvida que já apresentei: é uma especulação "natural", por assim dizer, ou há algo mais? Estes são apenas os efeitos das várias manobras do género Quantitative Easing ou estamos perante uma inflação criada ad hoc?

Por enquanto não há repostas.

Mas uma coisa pode ser dita com certeza: a violência, as manifestações, os suicídios, são os frutos da tentativa de salvar o nosso mundo. Não o mundo dos Egípcios, dos Tunisinos, dos Argelinos: mas o mundo de nós Ocidentais. Sem as inconscientes medidas para resgatar o nosso sistema económico moribundo, sem as manobras para alimentar o insaciável mercado financeiro, agora não haveria desempregados em chamas nas ruas de tantos Países.

E é curioso observar o Secretário da Nações Unidas, o coreano Ban Ki-moon, apelar para que a repressão pare.
Uma pessoa séria, responsável, com um mínimo de dignidade, apelaria para bem outras coisas e não apenas para que a ligação internet seja restabelecida no Egipto.

Doutro lado, é também verdade que neste caso o bom Ban Ki-moon, seria "suicidado"...


Ipse dixit.

6 comentários:

  1. Vitor6.2.11

    ''Estamos à beira de uma transformação global, e tudo que precisamos é uma grande crise também global, e então, certamente as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial''. – David Rockfeller.

    Meu caro Max, em sua opinião, você vê alguma semelhança destas revoltas com as 'Revoluções Coloridas' financiadas por George Soros et caterva (Georgia, Ucrânia, Quirguistão...)?

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  2. Caro Vítor,
    focalizou a grande dúvida.

    Quanto há de natural nestas revoltas? Porque, de repente, tudo ao mesmo tempo?
    Sim, há inflação, verdade. E a fome é a melhor das armas. Mas será uma inflação (e, de consequência, uma fome) provocada?

    Tenho fortes dúvidas. Aliás, fortíssimas.

    A minha ideia é de reunir informações e depois tentar fazer um ponto da situação. Sempre que isso seja possível...

    Um abraço!

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  3. Desculpe Vitor, mas onde encontrou a afirmação de Rockfeller?

    Eu procurei na internet mas nada.

    Obrigado!

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  4. Vitor8.2.11

    Assim estava a 'fonte' de onde tirei a afirmação: "address to the 28th Annual United Nations Ambassador Dinner, September 14, 1994, as quoted in the Business Council for the United Nations Briefing; Vol. 8, Issue 2, Winter 1995, page 1"

    O único problema é que não encontrei nada a respeito, e há um vídeo desse encontro que ocorreu em 1994, onde o prefeito de NY (Rudolph Giuliani) concede a D. Rockfeller uma medalha.

    A citação original em inglês:

    "Now, as the United Nations approaches its 50th anniversary, business support for the numerous internationally related problems in which it is involved has never been more urgently needed....

    With the dissolution of the Soviet Union, the opportunity for enlightened American leadership is, perhaps, even greater than it was in 1939, at the beginning of the Second World War, or in 1945 when the Cold War began. But this present 'window of opportunity,' during which a truly peaceful and interdependent World Order might be built, will not be open for long...

    We are on the verge of a global transformation. All we need is the right major crisis and the nations will accept the New World Order"

    http://www.c-spanvideo.org/program/AnnualA

    Apartir dos 40 min, David Rockfeller começa a discursar, mas a frase; "All we need is the right major crisis and the nations will accept the New World Order", não é dita por ele, pelo menos não a encontrei.

    Talvez eu não tenha encontrado porque ele nunca proferiu essa frase, embora ela resuma o posicionamento de David Rockfeller.

    Desculpe pela extensão do comentário, Max.

    Abraços!!

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  5. "Desculpe pela extensão do comentário"? E desde quando há limites?

    Obrigado Vítor, vou indagar para ver se encontro algo mais. Esta afirmação de Rockfeller é muito empolgante. É que Rockfeller controla boa parte dos banqueiros americanos; e, por sua vez, está em qualquer tipo de relacionamento com a família Rotschild.

    Cambada...


    Um abraço e obrigado!

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  6. Vitor8.2.11

    Por falar em Rockfeller, encontro um video recente onde ele é confrontado por um jovem, enquanto aproveitava suas férias no Chile.

    http://www.youtube.com/watch?v=GFWzDFjBKUw

    Abraços!

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