25 fevereiro 2011

O Canal de Pequim

Uma notícia que bem demonstra a diferença quase "filosófica" entre os Estados Unidos e a China.

Enquanto os primeiros continuam a apostar tudo na opção militar (ver os acontecimentos da África do Norte), Pequim continua com o seu silencioso mas ininterrupto trabalho feito de relacionamentos comerciais e investimentos.

Até no quintal de Washington, como o caso da Colômbia.

Um novo projecto, em fase avançada, prevê a construção dum novo "Canal de Panamá".

Não um novo corte para unir Oceano Atlântico e Pacífico, mas 212 quilómetros de linha férrea para alcançar as Caraíbas sem utilizar a passagem já existente: um verdadeiro "canal seco".

E tudo isso no País da América do Sul mais amigo (para usar um eufemismo) dos Estados Unidos.


Não só: o projecto inclui a construção duma nova cidade, não longe da actual Cartagena, na qual as empresas chinesas poderiam finalizar a produção das mercadorias e depois distribuí-las no resto do continente.

Custo da operação? Quase 8 mil milhões de Dólares, o que não representa um problema como confirma Juan Manuel Santos, Presidente da Colômbia, numa entrevista ao Financial Times: não é um problema porque quem paga não é ele, mas Pequim.

Todo este dinheiro apenas para abastecer as lojas chinesas do Sul América? Não é bem assim.

Em primeiro lugar, as trocas comercias entre os dois Países passaram desde 10 milhões de Dólares de 1980 aos 5 mil milhões em 2010.  Mas os objectivos são outros, em particular dois:
  1. aumentar as exportações do carvão colombiano, com destino à China.
  2. subtrair outra fatia de poder ao colosso da América do Norte.

Neste último aspecto, o embaixador chinês em Bogotá não usa meias palavras e fala da Colômbia como duma posição estratégica muito importante, um ponto de acesso para todo o continente sul americano.

Assim, enquanto Washington financiar mais ou menos indirectamente revoluções em África e Médio Oriente, com o apoio do aparato mediático global, Pequim trabalha no completo silêncio e corrói outro pedaço do poder americano.

Não é difícil imaginar quem obterá os melhores resultado no longo prazo.


Ipse dixit.



Fonte: Financial Times

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